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terça-feira, 24 de maio de 2016

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE ZAQUEU



Leia Lucas 18:18-23 e 19:1-10

Por Anatote Lopes

Essa história revela a graça pela qual Jesus salvou um homem perdido. O Evangelho é a história da salvação pela graça. Zaqueu, o publicano, não merecia a salvação. Ele não foi salvo porque subiu numa árvore o mais alto que pode. Jesus não chamou a Zaqueu por ter se esforçado ao subir numa árvore para chamar atenção para si.

Zaqueu não convenceu Jesus de que ele era bom para que fosse salvo. Então, por que Zaqueu foi salvo? Primeiro: porque Jesus, a salvação, entrou em sua casa. Segundo: porque ele era um eleito, filho de Abraão. Mas, afinal, qual é a prova de que Zaqueu foi chamado para a salvação? O que evidenciou a sua eleição? O que significava ele ser filho de Abraão?

Podemos ler este texto de forma mais pessoal. Fazer perguntas que não se calam em nossos corações: Eu preciso de salvação? Como posso ser salvo? Por que alguns seres humanos são salvos? Ora! Todos os seres humanos precisam de salvação. Só Jesus Cristo salva e muitos podem ser salvos, a saber, os que crerem no Evangelho.

Esta passagem foi muito popularizada por uma música do cantor gospel Regis Danese, mas, a música dele não interpreta corretamente o texto bíblico. O foco da música é a pessoa de Zaqueu e sua busca por Jesus, enquanto o foco da Bíblia é a obra salvadora de Jesus, àquele que veio buscar e salvar ao perdido.

Fica claro nesta passagem que, A SALVAÇÃO ENTROU NA SUA CASA. A salvação de Zaqueu no capitulo 19 de Lucas contrasta com as palavras de Jesus no capitulo 18, versículo 24: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!”. Zaqueu era um homem de posição e rico; mas, Jesus pode buscar e salvar alguém, mesmo assim, ainda que pareça impossível.

A posição e a riqueza não é sinal da graça e não traz qualquer vantagem espiritual. Portanto, ninguém pode pensar que a vida bem sucedida seja um sinal de prosperidade espiritual e que, as pessoas materialmente pobres sejam inferiores espiritualmente; mas, independente de sua condição, o homem pode estar perdido.

Zaqueu era um homem de posição e rico; isso não significava nada, pois ainda era um homem perdido. Assim como àquele jovem rico do capítulo 18 que, ouvindo as palavras de Jesus muito se entristeceu, pois amava a sua posição e riqueza, Zaqueu não estava disposto a abrir mão da sua posição e riqueza para ser salvo.

Jesus foi ao seu encontro, convidando-se para entrar em sua casa. Jesus mudou a vida de Zaqueu sem que ele lhe pedisse. Zaqueu não podia imaginar o que aconteceria em seguida; não desejava chamar atenção de Jesus para si; isto não está na Bíblia. Ele desejava, tão somente, ver Jesus de longe, pois a fama do Mestre o antecedia. Subiu numa árvore por ser baixinho, para ver por cima da multidão; ele teve uma boa ideia simplesmente para satisfazer sua curiosidade.

Zaqueu não esperava que Jesus se convidasse para entrar em sua casa. Por causa de sua posição como publicano. Ele servia ao governo tirano e corrupto de Roma, por isso era discriminado pelos judeus como um pecador; não esperava que um mestre renomado entrasse na casa de um homem indigno. Jesus ter ido até ele foi uma grande surpresa para todos.

Jesus nos ensina que não existe qualquer vantagem espiritual nas riquezas de origem material. As tentações dos seres humanos amarem as riquezas, os prazeres e a posição social e desprezarem as promessas de salvação e os tesouros da vida eterna são muito grandes. Assim o que pode ser visto como uma vantagem espiritual consiste um grande perigo.

Nesse dia Zaqueu entregou-se à liderança espiritual e moral do Grande Mestre. Arrependeu-se de seus pecados, o que se prova pela voluntária reparação do mal que tivesse feito. O ato de Zaqueu restituir quatro vezes mais aos defraudados superou a exigência da lei que era de reparação em dobro.

Fica claro, também que ELE ERA UM ELEITO, FILHO DE ABRAÃO. Os salvos são àqueles seres humanos predestinados para Deus. Os judeus acreditavam que fosse exclusivamente deles este privilégio; mas, Paulo explica em suas cartas que, todos os que creem são filhos de Abraão, o pai da fé.

A salvação de Zaqueu foi realizada por Jesus e confirmada pela sua disposição para praticar o bem. Os eleitos de Deus são vivificados pelo Espirito Santo. Assim, podem atender ao chamado para a salvação e se tornarem frutíferos em boas obras. Zaqueu demonstrou ter sido verdadeiramente salvo pela sua disposição de viver uma nova vida; começando pela reparação de seus erros.

O jovem de posição e rico do capitulo 18 acreditou que merecia a salvação por cumprir os mandamentos. Mas, o seu coração estava em sua riqueza e posição. Após Jesus ter se convidado e entrado na casa de Zaqueu, o publicano transformado abriu mão de suas riquezas, sem que Jesus lhe exigisse.

Afinal, somos salvos pela graça, mediante a fé, mas mostramos a nossa salvação com nossas atitudes. De fato, muitos estão perdidos, apegam-se a posição e riqueza terrena e desprezam a Jesus, o grande tesouro da salvação. Somente quem Jesus veio buscar e salvar se desapegará de seus méritos e de sua posição e riqueza terrena, dependerá da graça, amará e desejará os bens e as riquezas espirituais em Jesus Cristo.

terça-feira, 10 de maio de 2016

VENCEMOS JUNTOS OU FRACASSAMOS SEPARADOS


Por Anatote Lopes
Na minha experiência pastoral tenho sido abençoado enquanto sirvo a outras pessoas. Mas, nem sempre é possível servir a todos por causa do “distanciamento”. Luto contra muitos pecados, e, também deste, não me excluo. Não estou falando do distanciamento geográfico e nem de divergências teológicas e ideológicas, mas do preconceito, da reserva no relacionamento e da rejeição.

Tenho muito para agradecer às pessoas que convivo; às vezes ouço palavras de gratidão por algo que, acontece tão naturalmente entre nós: edificação, consolação e fortalecimento mútuo. Vivemos os mesmos dramas, além de termos as mesmas necessidades; temos muito mais em comum do que sabemos. Considerando a necessidade que temos uns dos outros, aprendemos a desprezar as nossas diferenças.

Nossas necessidades espirituais são supridas por Deus na Igreja, onde estão disponíveis os meios de graça. As pessoas enfrentam conflitos e se afastam da igreja por falta de perdão, alegando a substituição do culto público pelas devocionais particulares. São as pessoas que sempre tem razão, criticam e rejeitam os outros, mas nunca fazem autocritica; quando mais precisam de comunhão sofrem sozinhas, sem a consolação da graça cantada no Salmo 133.

Esforcemo-nos “diligentemente por preservar a unidade do espirito no vinculo da paz” (Ef 4.3). As pessoas que caminham juntas e seguem a Cristo em pastoreio mútuo são mutuamente alimentadas na comunidade de fé. As solitárias seguem alienadas e são como ovelhas desgarradas, caminham na direção errada e ficam privadas do cuidado e nutrição adequados. Ouvir a Palavra e orar uns pelos outros é tão importante, quanto ler a Bíblia particularmente e orar secretamente.


sábado, 7 de maio de 2016

A ORAÇÃO CRISTÃ E A PAGÃ


Por Anatote Lopes
Para os cristãos “orar” significa falar com Deus e louvar a Deus, agradecer ou lhe pedir algo. Assim, uma grande diferença entre a oração cristã e a oração pagã é a racionalidade da oração cristã. O cristão deve orar com fé e amor; primeiramente, deve ter fé em Deus e amar ao próximo, e não simplesmente “tagarelar”.

Rudolf Otto (teólogo protestante alemão) denomina “moinhos de oração” as orações pagãs. A expressão “moinhos de oração” aponta para uma direção oposta ao ponto de vista protestante da oração. Moinhos trituram mecanicamente, movidos por água ou vento, mas não pela mente.

Essa expressão denota uma pratica de oração completamente diferente. Rudolf Otto observa como os tibetanos utilizam a oração movimentando cilindros ruidosos e repetindo mantras. Ele afirma que os tibetanos pretendem enganar os seus deuses. Para oração na religião tibetana pesquisada não é necessário ter fé, pois não é a divindade o centro da religião, mas o homem.

Esses religiosos não invocam um poder externo, mas, pretendem despertam energias em seu próprio interior, o que difere dos cristãos, cuja motivação é pedir algo por meio de uma “intercessão” a Deus e não alcançar o êxtase. Devemos repensar nossa vida prática de oração, se oramos como cristãos ou pagãos.

A oração pagã não exige conhecimento de Deus e racionalidade; não atende ao objetivo da mente, mas, possibilita a experiência religiosa sensorial e a satisfação pessoal. Outro objetivo da espiritualidade pagã é enganar os deuses e aplacar a ira divina contra os homens. Na tradição cristã, o que se crê sobre Deus, nosso relacionamento e confiança nele são imprescindíveis à oração.

A Bíblia afirma que, “sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.” (Hb 11:6). Quando oramos sem pensar, ignorando o significado das palavras ou floreando nossas orações não oramos de fato a Deus, nem alcançamos a eficácia da oração.

O que significa que ao orar é necessário o entendimento para proveito próprio. “Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto”. (I Co 14:14). Mas o cristão também se preocupa com os outros ao orar.

O cristão compartilha do proveito da sua oração para edificação comunitária, portanto, “Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento;” (15). E, “De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes?” (16).

Somos, portanto, exortados a orar sempre, em nossos lares, em todos os lugares, sozinhos ou em família e comunitariamente, mas nunca sem entendimento. Por isso, oremos e nos empenhemos por nosso crescimento e conhecimento espiritual para orarmos proveitosamente.