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sábado, 22 de abril de 2017

PASTORAL SOLIDÁRIA PARA O ENFRENTAMENTO DA DEPRESSÃO


Por Anatote Lopes


Carl Gustav Jung em sua psicologia analítica esclarece que a religião é mais que “uma das primeiras tentativas terapêuticas humanas no combate aos males da alma” e afirma que ela precisa ser considerada:

“A religião é uma terapêutica revelada por Deus”. Jung considerava a depressão como uma defesa da mente contra os sofrimentos da realidade. Isto é, a depressão é o melhor estado da mente frente ao sofrimento imposto pela realidade. De qualquer modo, a espiritualidade do paciente precisa ser considerada em qualquer estratégia de abordagem para um melhor prognóstico." (GOMES, 2014, p. 315).

Antônio Máspoli de Araújo Gomes no livro “Eclipse da Alma” propõe textos bíblicos para serem utilizados no aconselhamento da depressão:

"Gn 4:6; Pv 17:22; 18:14; Pv 15:13; Sl 42:11; 147:3; 38; 119:28; Ef 3:13; Hb 12:3; 1 Co 10:12-13. Muitos personagens bíblicos também experimentaram aquilo que hoje seria classificado como “depressão”. Vejamos nos textos seguintes: Gn 4:7; Sl 34:19; 37:23-24; 119:143; 147:6; 2 Co 12:9-10; Fp 2:3-8; 4:13: 19; Tg 1:19." (Gomes, 2014, Apud Hurding, 1995).

Gomes inclui algumas recomendações para “uma pastoral de solidariedade no acolhimento da depressão por guias espirituais”. Devido ao fato, que cada vez mais os religiosos “se aventuram no tratamento de pessoas com sintomas de depressão”. Recorre à Johnson para recomendar estes princípios:

"Primeiro princípio: As pessoas adoecem, sofrem e deprimem porque são humanas (Gomes, 2014, Apud Johnson, 1953, p. 15-16). Todas as pessoas são passíveis de adoecer porque estão sujeitas às mudanças e adaptações da vida adulta ou da vida longa." (p. 316).

Segundo princípio: A depressão deve ser compreendida em uma perspectiva bíblica holística: quando o homem adoece seu corpo, sua mente e seu espírito também sofrem. Que considere o homem totalmente: corpo e alma, um único ser, o ser humano integral. “O homem deve ser visto como uma totalidade, na qual o todo é maior do que a soma das partes”. (p. 320).

Terceiro princípio: Nada pode nos separar do amor de Deus. (p. 321). Gomes cita Rm 8:38-39:

"Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor."

Gomes afirma que muitas pessoas de variados sexos e faixas etárias lograram êxito no tratamento da depressão e que, “O amor incondicional de Deus consiste no fundamento para o acolhimento do deprimido” (p. 322).

Quarto princípio: A graça de Deus como base para a saúde humana e uma possível superação da depressão. “Tournier apontou a graça de Deus como a melhor solução que se conhece para o problema da culpa” (p. 193).

Quinto princípio: O perdão incondicional de Deus como suporte para mente do deprimido. O teólogo calvinista brasileiro Samuel Vieira em seu livro “Teologia do Afeto” afirma que a concepção do “pecado” causa desarmonia na “área psicológica”:

"Desestrutura interior. A queda trouxe graves consequências psicológicas como angústia, medo, fuga (Gn 3.10), culpa (Gn 3.9) e isso resultou em distanciamento de Deus. O homem desequilibra seu mundo interior, perdendo a referência do Sagrado e de si mesmo; outrora harmônico e integrado torna-se errante. A pergunta que Deus faz ao homem: “Adão, onde estás?”, não é uma questão geográfica, mas existencial." (VIEIRA, 2013, p. 20).

O perdão incondicional de Deus restaura a harmonia e equilíbrio interior; reconcilia o “inconsciente espiritual” com o Sagrado e o reintegra existencialmente. “Agora, pois, já nenhuma condenação há para o que está em Cristo Jesus” (Rm 8.1).

Sexto princípio: Saúde e qualidade de vida como resultado da comunhão com Deus e da caminhada com o seu povo. A pessoa deprimida precisa da comunhão na sua comunidade de fé.

Sétimo princípio: O acolhimento familiar e comunitário. Gomes demonstra que o deprimido não colaborará com o tratamento sem estimulo de outras pessoas; sozinho o deprimido não se reerguerá, precisará do apoio dos seus familiares.

Finalmente, Gomes afirma que a depressão pode ser considerada o mal do século XXI. O Brasil apresenta um dos maiores crescimentos do consumo de antidepressivos do mundo.

Infelizmente, no universo religioso, a depressão é representada socialmente como na medicina mágico-religiosa: “um problema de natureza espiritual” (p. 443). Esta concepção primitiva da enfermidade retarda a sua compreensão essencial para busca por tratamento e cura.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

LIBERTE-SE DOS ÍDOLOS DO SEU CORAÇÃO

Por Anatote Lopes


Tenhamos cuidado com pessoas boas demais, perfeitas demais e amorosas demais. Tem um ditado que diz: “a mão que afaga é a mesma que apedreja”. Não é uma regra, mas, muitas vezes acontece: As pessoas ganham nosso coração e não demoram machuca-lo.

Sempre nos decepcionamos quando mantemos expectativas erradas sobre as pessoas; quando acreditamos em uma pessoa que faz propaganda de seu “bom” caráter e sua competência; de fato, essa pessoa não está à altura do ídolo que levanta de si mesma. No entanto, quase sempre somos nós que acalentamos os nossos ídolos, dentro de nossos corações, porque estamos, quase sempre, esperando mais das pessoas do que de Deus.

A pessoa enganada não sabe que está sendo enganada. Descobrir o engano provoca decepção e causa um tipo de dor na alma, mas liberta do engano. Devemos agradecer a Deus pela decepção. 

Através da decepção nosso Senhor nos liberta de muitos pecados como a idolatria e a rebelião; porque o ídolo faz discípulos para si e induz ao erro. Não importa o quanto o nome de Deus seja invocado para legitimar o ídolo e justificar a rebelião. 

O engano sempre se impõe convincentemente invocando a autoridade que não tem e justificativas falsas. Graças a Deus por ter sofrido decepção para aprender a confiar somente em Deus.

A decepção em todo caso nos liberta de algum tipo de idolatria. Pensamos que o outro é bom e confiável, acima de qualquer suspeita e que não pode nos decepcionar. 

Quando a decepção acontece, independente de qual seja, e como aconteça, avaliamos assim: "eu não acredito que ele foi capaz de fazer isso" ou "eu nunca imaginaria que isso fosse acontecer um dia"... Ali construímos um ídolo e precisávamos ser libertos.