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sábado, 30 de janeiro de 2010

COMO NÃO NEGAR A JESUS

Por Anatote Lopes




Leia-se: “mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.” (Mateus 10:33) e o texto da vocação de Jeremias em Jr 1:1-12 e de Pedro nos evangelhos.
Existem na Bíblia, entre outros, dois profetas (profetas em sentido diferente), os quais eu desejo que sejam lembrados nesta noite: Jeremias e Timóteo.
Entre si eles têm as características de serem jovens e inexperientes.
Timóteo, no sentido que os pregadores são profetas, era profeta no século I d.C.; o jovem a quem Paulo escreve em I Timóteo 4:12:  “Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.” 
Em II Timóteo 4:2 escreve: “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.”
Existe conflito entre o que o verdadeiro profeta deve dizer para agradar e o que ele deve dizer em obediência a Deus. O que ele pode fazer pelo seu bem estar e o que ele deve fazer em obediência a Deus; mesmo que isso traga consequências.
O outro profeta que eu menciono foi Jeremias; em princípio um jovem com medo de falar... “Então, disse-lhe eu [Jeremias]: ah! Senhor Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança.” (Jr 1:6).
Jeremias era filho do sacerdote Hilquias, a princípio renitente no chamado; viria a ser o segundo dos quatro grandes profetas do Antigo Testamento.
Jeremias viveu no século VII a.C., oriundo de uma família de sacerdotes da terra de Anatote (“Anatote” é uma palavra hebraica que significa: “resposta as orações” ou “orações respondidas”).
Trata-se da cidade de Benjamim, situada a nordeste de Jerusalém. Essa terra foi doada aos levitas e seus sacerdotes eram descendentes de Abiatar, da linhagem dos sacerdotes do antigo santuário de Siló. (I Sam. 2:27-35 e I Rs. 2:26-27).
O sacerdócio de Jeremias, porém, não era hereditário. O Senhor não o convidou para exercer o ministério como sacerdote, mas como profeta. Deus o predestinou, santificou-o e separou para o exercício de uma missão especial, antes mesmo de formá-lo no ventre de sua mãe.
No tempo predeterminado para que ele cumprisse a sua missão, não pode evitar. Não pode se esquivar por temer ou se acovardar. Mas, Todos os profetas temem e resistem à vocação do Senhor; falo da renitência, muito comum na vocação. Por fim, eles são levantados para cumprir o chamado divino.
Nós, também, temos um chamado ou sacerdócio, quer sejamos ordenados ou leigos, respondemos a ele positivamente ou negativamente. Agora, falo de todos os membros da Igreja de Cristo.
Refiro-me ao Sacerdócio Universal de Todos os Crentes. Em certo sentido todos os cristãos foram ordenados no dia do seu batismo.
Temos uma pergunta e não vamos fugir dela: Como alguém pode não negar Jesus?
Não negue a Jesus por meio de suas atitudes e palavras!
Vejamos quão grande é a gravidade de se negar a Jesus e a implicação no juízo divino; conforme o texto lido.
Vamos trabalhar com três formas de não se negar a Jesus, relacionando-as com a vocação e o sacerdócio de todos os crentes.
São no mínimo três formas de não se negar a Jesus:
1º Não temer às más línguas.
2º Não Cruzar os braços.
3º Não Cerrar os lábios.
Primeiro: Não temer às más Línguas.
Nosso texto principal diz: “mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus”.
O que pode nos levar a uma negação?
No caso de Jeremias o medo...
Podemos temer ao mortal comedor de feijão por causa de sua arrogância ou altivez?
Por causa do seu potencial de difamar os outros?
Deus, então, falou a Jeremias que não se subestimasse dizendo que era apenas uma criança, e acrescentou: “porque a todos a quem eu te enviar irás e tudo quanto eu te mandar, falarás e não tenhas medo porque eu estarei contigo para te livrar e colocarei as minhas palavras na tua boca”. (Jr 1:7-9).
É como se Deus dissesse: “As palavras que falares não serão palavras de menino, sem entendimento.”, mas, “serão as minhas palavras e por isso as falarás com autoridade”.
Jeremias temia o que os judeus diriam por maledicência. Criticá-lo-iam por causa da sua idade e inexperiência. Como se sua autoridade viesse de si mesmo e não de Deus quem o chamou e de sua Palavra, a qual o Senhor colocaria em sua boca.
Timóteo talvez temesse que a sua autoridade não fosse reconhecida quando tivesse que exortar, consolar e corrigir as pessoas ricas, mais velhas ou que pensavam ser alguma coisa; como se o fizesse pela sua própria autoridade e não da Palavra de Deus.
Ninguém se engane; o ministério profético é, pois, o ministério da Palavra de Deus.
A Palavra de Deus é a única que lida, estudada e explanada, sob a inspiração do Espírito Santo, pode conferir autoridade ao que fala, convencendo-nos do pecado, da justiça e do juízo.
Pedro negou a Cristo, no começo, porque ainda não estava preparado, mas, posteriormente, deu sua própria vida e morreu pela verdade do evangelho e por Jesus a quem havia negado.
O Pedro maduro recomenda em I Pedro 3:10: “ Pois quem quer amar a vida e ver dias felizes refreie a língua do mal e evite que os seus lábios falem dolosamente”.
Vejamos como Pedro, ainda quando era um homem despreparado, negou a Jesus por medo: “E a criada, vendo-o, tornou a dizer aos circunstantes: Este é um deles. Mas ele outra vez o negou. E, pouco depois, os que ali estavam disseram a Pedro: Verdadeiramente, és um deles, porque também tu és galileu. Ele, porém, começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais! E logo cantou o galo pela segunda vez. Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. E, caindo em si, desatou a chorar.” (Mc 14:69-72).
Use a língua para cumprir a missão. Em I Coríntios 14:12-20 somos exortados: “Não sejais meninos no entendimento”.
Temos aqui uma exortação que serve para todos.
Infelizmente aprendemos, mas, não com o Senhor, a maldizer de nossa igreja e dos nossos pastores. Perseguimos nossos pastores e expomos os pecados de nossos irmãos.
Pensamos que isso não ofende a Jesus Cristo, o Senhor da Igreja, o Noivo dela, e às vezes carregados de ira deixamos até de fazer do culto um momento de alegria e de celebração.
Não nos impressionemos ou nos escandalizemos com a aparência dos nossos pastores ou profetas, com suas deficiências ou habilidades, pelo quanto são humanos; quando pregam ou ministram e quando exortam e corrigem.
A questão é... Se, ensinam opiniões pessoais ou se pregam a Palavra de Deus... Igreja! Não ponha em dúvida a autoridade da doutrina contida nas palavras de Jesus e de seus apóstolos.
Os verdadeiros ministros e servos de Deus reafirmam as eternas verdades da Palavra de Deus.
Que o diabo não vos engane com maledicências e falatórios inúteis; mas, saibam a quem devem ouvir: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
Agora, pois, nós temos a oportunidade de não parar por medo das más línguas. Cada um de nós, usemos a nossa própria língua de forma correta. Demos glória a Deus!
Testemunhemos corajosamente e preguemos ousadamente; deixemos fora o medo e usemos a Palavra de Deus para os propósitos de Deus. Para evangelizar o Lago Azul e o mundo!
[Este sermão foi pregado na Igreja Presbiteriana do Lago Azul (2010), Novo Gama-GO e na Igreja Presbiteriana de Dracena (2011), Dracena-SP].
Essa é a nossa missão: Reunirmos para adoração. Mas, nós nos embaraçamos muitas vezes em nossas vaidades e contendas, disputando uns com os outros, em vez de trabalharmos juntos pelo crescimento da igreja.
A segunda forma de não negar a Cristo é:
Segundo: Não Cruzar os braços.
Quando Deus escolhe alguém para a sua missão, não olha as aparências. Sua escolha não é feita pela sabedoria, cultura, força, estatura, beleza ou qualquer outro atributo pessoal.
Deus não chama desocupado, porque não estuda e nem trabalham, etc... “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. Deus escolheu as coisas vis deste mundo, as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que ninguém se glorie diante d’Ele.” (I Co 1:27-29).
As pessoas que se acham alguma coisa são desprezadas por Deus e dão lugar as que são humildes.
Quando alguém pensa estar despreparado costuma fazer promessas, veja em Mateus 26:35: “Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.” 
Jesus disse que Pedro não estava pronto em Marcos 14:31: “Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.”
Essas palavras foram ditas ante do cantar do galo.
Vejam que, o mais veemente nas promessas dentre os discípulos, era o mais despreparado naquele momento. Era Pedro aquele que estava mais longe de estar preparado quem o haveria de negar antes do cantar do galo.
Antes da fuga dos discípulos... Promessas... Muitas promessas... Mas, atitudes? Nenhuma, a não ser a fuga...
Não devemos negar a Cristo cruzando os braços, dando desculpas ou culpando os outros pelo trabalho que nos recusamos fazer.
Na verdade, os que se dizem chamados por Deus, mas, depois, desistem diante das dificuldades, estão negando o poder do Senhor para capacitar os chamados e suprir suas deficiências.
Alguns estão dizendo que: “Deus pode esperar”, “Deus pode ficar para depois”... Que “outras coisas são mais importantes agora” e com isso cruzam os braços e negam a Cristo... Fogem...
A terceira forma de não negar a Cristo é:
Terceiro: Não cerrar os lábios.
Em Jeremias, num dado momento ele afirma, “Então disse eu: Ah! Senhor! Eis que não sei falar, porque sou uma criança”.
De onde vem a sua autoridade?
Lucas 4.21-32 nos dá mais que uma pista: “E admiravam-se da sua doutrina porque havia autoridade nas suas palavras”.
No Oriente, desde os tempos mais remotos até aos dias atuais, as palavras dos anciãos são muito apreciadas e respeitadas; por julgarem que delas emanam a experiência e a sabedoria. Por isso mesmo, as pessoas de pouca idade costumam guardar reverente silêncio na presença dos mais idosos.
Jeremias não era uma exceção. Acostumado com a cultura judaica antiga, acrescendo-se lhe a timidez própria de adolescente; deve ter tremido de medo ao ouvir a voz do Senhor lhe dizendo: “Eu te escolhi antes que te formasse no ventre de tua mãe. E antes que nascesses te consagrei e te constituí profeta entre as nações.” (Jr 1:5).
O jovem profeta Jeremias, conhecedor de tantos homens maduros em Judá, de anciãos de renome, cujas palavras eram dignas de crédito, ficou surpreso e assustado com a sua escolha; por se tratar de um jovem.
Jeremias, no entanto, não escondendo o seu medo exclamou: “Ah! Senhor Deus!” E começou a se esquivar: “Ma... mas eu não sei falar. E-e-eu... eu não passo de uma criança!”
Em outras palavras, ele teria dito: “Senhor, por que você não escolhe um homem maduro ou um ancião? Quem vai acreditar nas palavras de um menino inexperiente e sem sabedoria como eu”?
Calar-se diante de Deus, reconhecer sua incapacidade e seus pecados para confessar e ouvir a sua Palavra é uma virtude. Mas, algumas formas de silêncio são abomináveis. Por exemplo: O silêncio dos covardes...
...O silêncio da omissão.
...O silêncio da indiferença.
...O silêncio do ódio. (chega...).
Nossa reflexão de hoje, concentra-se no modo como é exercido o ministério profético na igreja.
O profeta não tem tanta importância. Principalmente, quando ele é culto, experiente ou sábio; se fala de maneira elegante e agradável o que queremos ou gostamos de ouvir. O importante é a palavra profética que Deus coloca na boca de quem anuncia.
Uma palavra profética de boas novas de amor e perdão, mas, também, a Palavra que denuncia os nossos pecados praticados pública ou secretamente. O que nos chama ao arrependimento e à confissão.
Submetendo-nos à ação transformadora do Evangelho de Cristo.
Concluo retomando a exortação: Não negue a Jesus por meio de suas atitudes e palavras!
Nesta conclusão trago a Palavra de Deus em Atos 12.21-23: “Em dia designado, Herodes, vestido de trajo real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra; e o povo clamava: É voz de um deus, e não de homem! No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou.”
O Senhor também fala por meio da carta aos Hebreus 13:15: “Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome.”
Existe, então, base bíblica para você não desistir da sua missão!
Diante de tudo: 
1º Não temer às más línguas.
2º Não Cruzar os braços.
3º Não Cerrar os lábios.
Somos desafiados, na convicção do que cremos como um reino de sacerdotes e nação santa a viver na unidade do corpo de Cristo; glorificando ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!
           Admitamos que sejamos nada, mas devemos anunciar e viver o evangelho de amor e perdão; do contrario estaremos negando a Cristo com nossas atitudes e palavras. Oremos...