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segunda-feira, 26 de julho de 2010

AS BASES DA GRAÇA PARA O VIVER DIÁRIO

Marcos 2.18-28

18 Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam? 19 Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar. 20 Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão. 21 Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura. 22 Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos. 23 Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as searas, e os discípulos, ao passarem, colhiam espigas. 24 Advertiram-no os fariseus: Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados? 25 Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros? 26 Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais não é lícito comer, senão aos sacerdotes, e deu também aos que estavam com ele? 27 E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; 28 de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado.



Vamos entender o contexto cultural desta passagem. Estes dois grupos religiosos apresentam características distintivas. Um grupo: os discípulos de João, o batizador, caracterizados pelo ascetismo religioso. (Depois da descoberta dos manuscritos do mar Morto em 1947 que, trouxeram um maior conhecimento das particularidades dos religiosos denominados Essênios, os quais preservaram escritos sagrados em vasos de barro lacrados e escondidos numa caverna em Qumran, alguns associaram a este grupo os discípulos de João e até mesmo o primo de Jesus Cristo, chamado João e denominado batista, a este grupo religioso.) O outro grupo: os “fariseus”; trata-se de uma das mais importantes facções componentes do Sinédrio e da elite judaica de Jerusalém, zelosos da lei, dos costumes e da tradição judaica.

Jesus fala de forma clara em defesa de seus discípulos, os quais estavam sendo acusados de não terem certo tipo de fervor religioso e ainda de transgredirem a Lei. Jesus segue sua defesa fazendo uma interpretação da Lei usando a figura de uma comparação em seu argumento ao encontro da questão do jejum; o mestre propõe uma parábola como de costume dele, quando anuncia o reino de Deus. Em defesa dos acusados de quebrar a guarda do sábado. Segundo o Talmude, duas autoridades religiosas poderiam advertir para fazer uma conformação do comportamento à lei e até denunciar este crime, e, o acusado deveria ser apedrejado, mas Jesus sabiamente apelou para o espírito da lei e faz uso de uma “jurisprudência” a ocasião em que, no tempo do sacerdote Abiatar aqueles que violaram  a lei para fazer um bem maior para si e para os outros ficaram impunes. Conclui: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado;”. Agora o Senhor afirma a sua própria autoridade para justificar os seus discípulos. Em um novo tempo, manifesta-se àquele que é maior e Senhor sobre tudo: “o Filho do Homem é senhor também do sábado.”

Quanto ao sábado e como convém observar o Dia do Senhor no tempo em que a Graça é chegada, na plenitude dos tempos, as Escrituras têm a dizer que, com a manifestação do nosso Senhor Jesus Cristo, conforme está escrito:

“Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê”. (Romanos 10.4).

Significa que andamos com Cristo para nossa justiça ou andamos sob a lei. Ou seja, agora andamos segundo a Graça na liberdade do Espírito Santo e não na escravidão da lei conforme Romanos 8.4: “a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.”

Não se trata de obedecer à lei e de que forma, mas na liberdade que hoje gozamos. Porém não é sobre o sábado que eu quero pregar. Sobre o que será?

É sobre a autoridade que o Senhor invoca e sobre a argumentação a favor de seus discípulos e do que os seus discípulos faziam na liberdade que desfrutavam na Sua companhia.

Considero chave para nossa compreensão desta passagem a expressão “Nunca leste” no início do argumento que o Senhor faz em forma de pergunta aos religiosos seguidores do batista e dos fariseus.

Parece uma evidência de que as pessoas familiarizadas com o exercício da religiosidade hipócrita que envolve a alimentação: como o jejum; e, a agenda da religião: como os sábados; atribuem aos exercícios espirituais um peso sacrificial que é exibido como um troféu, esta pessoas religiosas não gostam de Bíblia, até carregam as Escrituras, mas não as lêem e se lêem não as entendem...

O Senhor Jesus demonstra as circunstâncias em que Davi quebra a lei e fica impune, então explica qual é o propósito da lei e quem é o Senhor, “o Senhor do sábado”.


1ª Resposta:

O propósito é o homem ser alimentado fisicamente e espiritualmente no gozo de seu Senhor.


2ª Resposta:

Jesus Cristo é o Senhor.


Imaginemos facilmente o cenário de um campo cheio de espigas... Se você nunca viu um campo de trigo, imagine um milharal...

Jesus caminhando alegremente com os seus amigos discípulos. Jesus está ensinando aos seus discípulos caminhar na graça, e, os seguidores do batista estão ali com cara de pano de saco, com seu ascetismo religioso observando como era alegre e saudável, festivo e acolhedor o ministério de Jesus!...

Veio uma pergunta (aqui contextualizada):

Ei vocês sorridentes! Por que não jejuam?(2.18)

Eu imagino os seguidores do batista bem tristes e doentes de tanto jejuar, em reuniões de oração demoradas e tristes, oferecendo uma religião doente e triste, mas os fariseus eu os imagino bem gordinhos e bem vestidos, acostumados as reuniões religiosamente nos sábados, nas sinagogas e no templo, sem capacidade de relacionamento diário com Deus e com os outros irmãos durante seis dias da semana, pensando em religião e sem se preocupar com as necessidades das outras pessoas; pensando em comida e vivendo de aparência.

Vem agora a pergunta:

Hoje é sábado! Por que vocês quebram a lei?(2.24)

A resposta de Jesus começa assim:

“Nunca leste”

Essa expressão na resposta em forma de pergunta que Jesus faz, denuncia que, na verdade o rigor do ascetismo e do legalismo religioso, farisaico e hipócrita é amigo da ignorância.

As bases da Graça para o viver diário estão nas Escrituras do Velho e do Novo Testamento: “Nunca leste?”

Quais são essas bases? Vamos trabalhar com duas bases encontradas neste texto...


As bases da Graça para o viver diário são:


PRIMEIRA BASE: O Senhorio de Cristo.

SEGUNDA BASE: O Suprimento das necessidades em Cristo.


Vamos pensar primeiro nesta SEGUNDA BASE: O Suprimento das necessidades em Cristo.

Nós precisamos de Palavra, Verbo Encarnado, Pão do Céu.

Nós falamos com Deus quando oramos e orar é bom, mas quando oramos fazemos conhecido de Deus a nossa necessidade, a qual se sabe que ele já conhece. Não estou aqui despregando o que já disse sobre a oração como um meio de comunhão com Deus e de batalha espiritual, mas a questão agora é: como serão supridas as nossas necessidades?

Primeiro: Revelação. Entenda Palavra de Deus=Escrituras: “Nunca lestes” Mas, não é só ler (ou ouvir), logo, segundo: Ação... É também praticar conforme o exemplo do Mestre em João 4:34 “Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.”

Se você prioriza a sua necessidade entra no santuário e coma e beba, nos diz Jesus em João 6:55 “Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida.” Coma o Pão sagrado e se farte de Cristo. Ele é o Pão do Céu e a encarnação da Palavra de Deus. Despreze a Palavra de Deus e estará desprezando a Cristo.

Os exercícios religiosos da oração, do sábado e do jejum sem a Palavra de Deus não tem vida e são inúteis. Mas, pela Palavra de Deus somos alimentados diariamente e os momentos de oração se tornam momentos de gozo, o Dia do Senhor se torna deleitoso e não um sacrifício altamente penoso, e os jejuns se tornam experiências de abdicação e renúncia de coisas fúteis compensados pela riqueza do desfrutar crescimento na graça e conhecimento de Deus e convicção da Sua presença.

Paulo recebeu em sua casa muitos homens que se julgavam sábios, e gastou tempo com eles, conforme lemos em Atos 28.23-31. Mas estes homens eram amigos de religião e de contendas e tinham a marca dos perdidos:

Qual é essa marca?

Não era a cara de pano de saco... Era o Desprezo pela Palavra de Deus.

Vamos pensar agora por último, por ser mais importante, nesta PRIMEIRA BASE: O Senhorio de Cristo.

Quem é o Senhor?

São as nossas necessidades ou os nossos interesses e desejos que nos governam?

Bem que as nossas necessidades nos aproximam de Deus... Será que é por isso que somos muito necessitados? Por causa da nossa inconstância?

Trazemos nossas causas com orações, jejuns e comparecemos no culto dominical... Depois desprezamos nosso Senhor.

Quem é o nosso Senhor?

Resposta: Jesus aquele que a lei e os profetas testificam dele.

Não deveríamos nos aproximar do nosso Senhor para conhecer a sua vontade e viver conforme a sua vontade? Afinal ele é o Senhor!

Nossa familiaridade com o legalismo religioso nos leva a viver para a lei e não em comunhão com o Senhor, na direção do Espírito, na dependência dele e em confiança nele. Isso não significa que a lei não seja nada, mas o que é a lei para o eleito?

Fica bem aqui a resposta de um teólogo protestante brasileiro, Rubem Alves (1983); disse:

“Não mais divida ou lei, mas promessa. Aqui está a razão por que para a Reforma a polêmica entre lei e graça era uma luta de vida ou morte! Esta era a essência da Palavra (e, portanto o segredo da interpretação): Promessa. Ora, o que caracteriza a promessa é que ela não tem a sua realidade em si mesma, ela aponta para o futuro onde o prometido se transformará em cumprimento.”

“O interessante e forçado a uma imediata deslocação de sua atenção ao ouvir do passado, uma promessa. Se o passado promete é porque ele não é a coisa prometida. Não é aquilo que deve ser preservado. Não é lei. Desloca-se a atenção para o tempo de cumprimento: para o presente e para o futuro, Esvazia-se o passado e com isto a consciência abre para o tempo do cumprimento.”

“Ora, o que é que este horizonte passado prometia?”

“Na linguagem dos reformadores: ele oferecia “perdão dos pecados”, ou seja, uma reinterpretação do passado que eliminava seu conteúdo emotivo como culpa. Perdão dos pecados é libertação do passado. Mas isso é possível porque o horizonte que determina a interpretação, ao invés de ser lei ou ordem, é amor e graça: Jesus Cristo.”

Você, se é que se converteu, foi porque alguém lhe expôs o Evangelho discorrendo nas Escrituras, mas você não pode desprezar as Escrituras agora.

Em Atos 28.23 tomamos conhecimento de que o Evangelho é o testemunho do Reino de Deus, cujo Rei é Jesus; nesta oportunidade Paulo expôs a Palavra de Deus (na lei e nos profetas) que nos aponta o nosso Senhor.

A Palavra testifica dele, e, Ele mesmo é a Palavra encarnada.

Ele é a voz do Senhor do Salmo 29.

Ele é a voz sobre as águas. A voz de Rei, a voz majestosa. A voz que despedaça a madeira utilizada nas bases do templo, Ele mesmo, o qual o batista profetizou que batizaria com o Espírito Santo e com fogo, a voz que desde o princípio gera vida, multiplicando a alegria, o consolo, a fortaleza e a paz que excede todo entendimento!

Se dobre diante daquele que reina para sempre! Se levante reverentemente diante daquele que é o Senhor.

Concluo com uma relação de igualdade Lei=Passado e o Futuro=Promessa. O cumprimento da promessa.

A lei é passado. No passado era a promessa que apontava para o futuro: o seu cumprimento, é por isso que se diz “o fim da lei é Cristo”.

Quem vive na lei, vive no passado: pecado, morte e culpa. Quem vive o cumprimento vive em Cristo: nova vida e perdão. A justiça pela lei trouxe a morte e a justiça pela fé no filho de Deus trouxe a nossa justificação, amor, perdão e reconciliação.

Jesus Cristo é a nossa comunhão. A nossa restauração e a nossa paz. Tudo d’bom...

Já viu um irmão amado ou uma irmã amada com cara de pano de saco?

Mal humorado do tipo que só ri quando as coisas não dão certo? Existe gente assim: que não se alegra com os que se alegram e se ri dos que choram. Opostos ao ensino bíblico em Romanos 12:15 “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.”

Não te aconselha com a Palavra quando te reprova, mas que vai falar mal de você é só você virar as costas. Esse tipo de gente gosta de se disfarçar com pano de saco.

O pano de saco era uma vestimenta exterior de humilhação e de piedade que nem sempre representava o que realmente tinha no interior do coração. A roupa que o judeu usava para jejuar e orar, aqui apresentado como o símbolo de uma falsa espiritualidade. Uma falsa humildade e uma religiosidade falsa.

Nunca leste?

Também você... Não fique travado nessas contendas judaicas e farisaicas de dias, de festas, de ascetismos, fervorismos falsos, de jejuns e sábados.

Eu desejo que todos possam orar comigo:

Oh Senhor! “Converteste o meu pranto em folguedos; tiraste o meu pano de saco e me cingiste de alegria, para que o meu espírito te cante louvores e não se cale. Senhor Deus meu, graças te darei para sempre.” (Salmos 30:11,12)

Em nome de Jesus.

Amém.