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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

IGREJA NÃO INSTITUCIONALIZADA: UMA NOVA MODALIDADE DE IGREJA

Em primeiro lugar venho lamentar a minha ignorância quanto ao pensamento destes autores (Frank Viola, Neil Cole, Wolfgang Simson e outros), acho que eu tenho perdido muito tempo lendo os escritores da tradição reformada e outros intérpretes da Escritura que reivindicam certa herança da tradição reformada, e, tenho perdido algumas novidades. Eu deveria estar mais aberto para as novidades...

Agora, por um minuto insano, senti até um acanhamento de admirar a soberania de Deus em sua condução da Igreja e em preservá-la, utilizando-se desses meios, tão escusos para algumas pessoas, tais como a institucionalização, templos, liturgias, vestes litúrgicas, ministério ordenado e outras tradições.

Sempre entendi essas tradições como fruto do labor teológico, afinal donde vem a instituição judaica de um conselho de anciãos, senão das Escrituras do Antigo Testamento, e a recomendação apostólica para se continuar a eleger presbíteros em todas as igrejas? E que espírito dirigiu os santos apóstolos a instituírem o diaconato para atenderem a causa das viúvas e suprirem as igrejas deste ministério? Por que as Palavras da Instituição da Ceia do Senhor constam dos Evangelhos e são recebidas por divina revelação por Paulo para entregar aos coríntios, afim de por em ordem a liturgia daquela comunidade? Qual é o problema destas coisas? Representam algum problema real? Ou será que os rejeitados pela noiva querem se organizar paralelamente para depois, voltando-se contra ela dilacerá-la?

Tenho alguns amigos crentes que são sem igreja, e são adeptos da maconha, da libertinagem, quando na igreja já manifestavam que não respeitavam autoridades constituídas, julgavam-se acima dos outros e conectados diretamente com o céu, dizendo-se ministros de louvor ou levitas; mas depois de algum tempo foram excluídos de igrejas, estes “sem igreja” encontraram uma forma de racionalizar este problema.

Eu sempre pensei e ainda penso que a Igreja institucionalizada se reúne nos lares e se faz “Igreja nos Lares”, visita os encarcerados e os enfermos e se faz Igreja no Cárcere e Igreja no Hospital, e onde está a igreja esta a Igreja Institucionalizada por Cristo quando concedeu dons diferenciados e soberanamente a constituiu e a preservou, tanto que, nós não conhecemos e não sabemos como seria a igreja que não existe... Mas, se a Igreja tiver que se desinstitucionalizar para continuar a existir, o seu Fundador e Preservador da Igreja irá permitir.

Agora atribuir a qualquer cristão reformado a posição como a que “Fora da ‘Santa Madre Igreja’ não há Igreja…” É no mínimo um escárnio muito forte. Eu gosto muito de ver a igreja sair “das capelas e adorar ao Senhor na simplicidade das casas.” Mas há muito tempo se tem visto que muitos eram “denominacionais”, viviam de denominação em denominação até se desviarem mesmo, outros serem disciplinados, endurecerem-se em seus corações em face da disciplina e se rebelarem. Antes tinham problemas de relacionamento com todos, inclusive com a liderança por causa de insubmissão, desrespeito e problemas morais; por ultimo foram para a igreja dos “desigrejados”, as quais são desorganizadas, isto é sem ordem ou disciplina, o que agrada pessoas que se assustam por serem promiscuas e melindrosa com as igrejas das três marcas: Pregação Fiel da Palavra de Deus, Administração Apropriada dos Sacramentos e Aplicação da Disciplina para promoção da pureza.

Mas é claro que igreja não é o “templo”, CNPJ, placa, liturgia, ou o pastor ordenado, tais elementos servem a comunidade e existem para o bem dela e não são um fim em si mesmas, portanto, Igreja é comunidade que se reúne de casa em casa ou num edifício. E daí?

Esses elementos não são vitais, são a expressão vital da igreja, suas riquezas com a riqueza moral e doutrinal, ausente nas “não igrejas” dos “sem igrejas”, mas presente na comunidade dos discípulos que está oficialmente reconhecida como Igreja.

Mas, surpreendentemente eu vejo isso nas Escrituras!

As primeiras gerações de cristãos que compuseram a Igreja Primitiva, não eram simplesmente “um grupo de pessoas regeneradas em Cristo que amavam a Deus e se serviam mutuamente e, em seu Nome, se reuniam de casa em casa para partir o pão, orar e ler as Escrituras”. Era uma comunidade governada pelo colegiado apostólico, presbíteros e diáconos. Isso se comprova em Atos e nas cartas apostólicas. Devemos tomar cuidado, não com as descrições simplista de Igreja, mas com as descrições tendenciosas. Mas vamos olhar para a igreja que tinha uma estrutura oculta e nas catacumbas e depois emergiu, aparecendo os primeiros templos no III século.

No entanto, não há problema se a igreja é nos lares, mas que não se apartem da Verdade de Deus e da sua Igreja universal. Não se ensoberbeçam com a ideia, a qual toda seita tem, de serem resgatadores do cristianismo à moda da Igreja Primitiva, a verdadeira Ekklesia! Isso é arrogância sectária!

Nenhuma igreja histórica coloca a organização acima do Reino e ignora a universalidade e diversidade da Igreja de Cristo desde o tempo das igrejas dos apóstolos, isso significa que não é só uma, a minha denominação, a detentora da Verdade a qual eu escolhi para congregar. Nem a mais antiga e nem a que surgiu agora resgatando os costumes dos primórdios, mas todos quantos o Senhor Deus chamar.

O espírito do pós-modernismo não consegue ver Deus na instituição, no ritual e na autoridade. Mas o individualismo e anti-institucionalismo do pós modernismo tem gerado ególatras, o Deus destas pessoas são elas mesmas, elas são mestres de si mesma, não ouvem nem a Palavra de Deus, nem os conselhos dos pais, nem respeitam as autoridades.

Se existem problemas nas igrejas institucionalizadas, não é o melhor desistir delas. A Igreja não foge de problemas, ninguém deve evitar problemas, mas encarar.

A geração pós moderna é a geração do superficialismo, do individualismo, do anti-institucionalismo, do anonimato, do religiosismo fingido, do informalismo, do improviso e da carnalidade, e a religião que ela vai gerar será uma aberração.

Vácuos precisam de conteúdo para serem preenchidos, essa geração não tem conteúdo para preencher suas lacunas. Não existe nenhum intelectual com menos de quarenta anos, essa moçada está toda contaminada pelo lixo cultural do pós modernismo e tem urticária em face de tudo que é teologia, história e tradição, para eles até a Bíblia é um embolorado fóssil de histórias antigas e ultrapassado.

O espírito religioso não se manifesta apenas no amor denominacional, mas também no hedonismo, no desejo de sentir-se bem no coração ouvindo um discurso que ameniza a dor, a culpa e a ansiedade, mas não exorta, não corrige e não tem conteúdo e esperança, e trás uma razoável sublimação da expectação do juízo divino. Não é a toa que essa proposta surge depois dos anos áureos das igrejas pentecostais e neo pentecostais, que também representaram em seus primórdios um protesto contra o ritualismo e institucionalismo das igrejas históricas onde não havia espaço para os excluídos, com a vantagem de que o arminianismo é menos pernicioso que o liberalismo, não para a alma, mas para a moralidade.

Realmente a história sempre se repete, e dos excluídos surge uma nova igreja. Toda novidade em termos de cristianismo reivindica nos primórdios as sua bases, toda seita advoga para si, ser a imagem e semelhança da Igreja Primitiva, aos seus opositores da “situação” atribuem os mesmos vícios dos religiosos dos tempos de Cristo, a alcunha de fariseus e hipócritas. Logo, não devem ficar magoados se eu pensar (penso e falo), também, este movimento congrega hipócritas os quais preferem ocultar a promiscuidade na informalidade, do que serem enquadrados nos padrões de moralidade, por isso preferem ocultar a incompetência e a preguiça mental numa eclesiologia e num sistema doutrinal simples, onde impere o improviso e a superficialidade do que, terem que ler e refletir e aprender a interpretar as Escrituras, pensar teologicamente com as ferramentas da hermenêutica e pregar expositivamente, preferem arrogar uma volta ao passado da igreja do primeiro século e nem conhecem a história desta igreja. Qualquer membro destas "não igrejas", seria expulso, ou nem resistiria aos três anos de estudos para ser batizado, nem resistiria os jejuns e as vigílias longas que estes irmãos faziam para serem batizados nestas comunidades primitivas.

Se conhecessem a história da igreja que eles tomam como referência, saberiam que em nada se parecem com ela, e, que com todas as transformações, e muitas delas muito negativas, sofridas nas igrejas históricas institucionalizadas, algumas igrejas institucionalizadas ainda se parecem mais com a igreja bíblica, cristã e apostólica.

Anatote Lopes, IPB, 2010