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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

PERDOAR OS OUTROS

Mateus 6.9-15: Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém! Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.

O texto de Mateus 6.12 diz: e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;

Este texto fala sobre perdoar os outros, é uma verdade bíblica que só Deus pode perdoar quando pecamos contra ele; também é verdade da Bíblia que temos a responsabilidade de perdoar outras pessoas. Uma poesia de Alexander Pope diz;

“Ensina-me a sentir a tristeza de um outro,
A esconder a falta que vejo assim;
Que eu mostre a compaixão a outros
Que outros possam demonstrar a mim.”

A resposta a Pergunta número 105 do Breve Catecismo de Westminster que é a seguinte: “Pelo que oramos na quinta petição?” se encontra no texto que acabamos de ler, a qual é: “e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;”.

Seria possível a qualquer homem perdoar pecado ou o homem ser digno de ter seu pecado perdoado?

Qual é à base do nosso perdão?
Como saber que os nossos pecados foram perdoados?

Na quinta petição da oração do Pai Nosso pedimos que Deus, por amor de Cristo, nos perdoe gratuitamente os nossos pecados, o que somos animados a pedir, porque, pela sua graça, nós somos habilitados a perdoar de coração ao próximo.

O perdão é um sinal! Um sinal da graça. A capacidade de perdoar é um sinal de que somos habilitados pela graça em nós. Se formos habilitados pela graça a perdoar sinalizamos que somos ricos da graça de Deus e que temos recebido o perdão de nossos pecados.

Três graças são reveladas pela prática do perdão:

1ª Graça: Que nossas necessidades serão supridas.

2ª Graça: Que temos recebido o perdão de Deus.

3ª Graça: Que fomos habilitados pela graça a perdoar os outros.

A 1ª graças reveladas pela prática do perdão:

– Que nossas necessidades serão supridas.

A base para isso se encontra na palavra “e” no texto que nós lemos em Mateus 6;12 o versículo começa com a Palavra “e”, e esse “e” é muito significativo. Esse “e” que aparece na petição e liga esta petição a petição anterior: “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas,”... Essa partícula: “e” que se repete na Oração Dominical, demonstra que esta oração é uma unidade, no versículo 14 e 15 é apresentada a síntese daquilo que nós aprendemos, vivemos e recebemos do céu quando nós oramos a oração que o nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou: “ o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas,”.

Devemos reconhecer que nossas necessidades serão supridas, e, só serão supridas se formos fiéis para fazer algo com respeito à confissão de nossos pecados. Isto é, perdoar é reaver a comunhão; se somos perdoados por Deus nós temos comunhão com Deus, então é possível que o Senhor Deus abra as janelas do céu para nós, se somos perdoados também somos ouvidos quanto as nossas necessidades e supridos.

Quando há comunhão entre nós e Deus. Essa graça revelada na pratica do perdão de Deus aqui, diz que nossas necessidades serão supridas porque o muro que a falta do perdão constrói, a parede é derrubado pelo perdão. Porque a falta do perdão a edificou, então quando somos perdoados por Deus entramos em comunhão com ele e temos as nossas necessidades supridas nele.

A 2ª graças reveladas pela prática do perdão:

– Que temos recebido o perdão de Deus.

Por que a palavra “dívidas” e não “pecados” aparecem aqui nesta oração, tem-se substituído também pela palavra “ofensas”, mas aqui não há diferença alguma entre essas palavras; essas palavras podem ter sentidos diferentes usadas separadamente, mas no contexto desta oração essa palavra não tem diferença nenhuma, e fala de nossos pecados, fala do pecado original, fala dos pecados de comissão e fala de pecados de omissão.

O que é isso?

Ora, o pecado original é o pecado que todos nós herdamos, por que em pecado fomos concebidos e nascemos no estado de pecado, isso nos faz pecadores, e, em virtude desta corrupção original nós também pecamos, e pecados por comissão: isso significa que nós pecamos prontamente. Nós pecamos os nossos próprios. E os pecados por omissão, isso significa que nós pecamos quando deliberadamente, voluntariamente, porque queremos, deixamos de fazer aquilo que é certo. Omitimos-nos, podendo fazer o bem não fazemos, este é o pecado por omissão!

A Palavra de Deus nos assegura que temos recebido o perdão.

Vamos ler o Salmo 130.3-4: “Se observares, SENHOR, iniqüidades, quem, Senhor, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam.” Temos base nas promessas bíblicas; em Miquéias 7.18-19. “Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.”

Este é o Senhor nosso Deus que nos dá a sua graça. E, a prática do perdão, manifesta que temos recebido o perdão dos nossos pecados

Vamos pensar na 3ª graça revelada pela prática do perdão.

A prática do perdão revela:

– Que fomos habilitados pela graça a perdor os outros.

Isso significa que fomos habilitados a perdoar. Isso significa perdoar pela graça. Significa que conhecemos a graça; e a graça de Deus em nós transbordará! Quando a conhecermos.

Qualquer homem não poderia perdoar os pecados cometidos contra Deus. É isso que diz Marcos 2.7 (Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?), também não há mérito próprio em homem nenhum, para que receba o perdão de seus pecados da parte de Deus. Mas é possível que nós pecadores sejamos perdoados à medida que se evidencia a graça recebida do perdão dos nossos próprios pecados, é a habilidade que temos para perdoar os pecados dos outros.

Há base para o nosso perdão em face dos pecados dos outros nessa petição. A base é que pela graça de Deus seremos habilitados a perdoar os outros e, portanto nós seremos perdoados. É a promessa. Somos animados a pedir perdão e suprimento de nossas necessidades e a atenção de Deus, destruindo o muro, a parede que nos separa de Deus, porque pela sua graça somos habilitados a perdoar de coração o nosso próximo.

Conclusão. A capacidade que mostramos de perdoar os outros é a prova de que Deus está nos perdoando.

Não estou dizendo o que você e eu poderia fazer! Não estou dizendo nada que as Escritura não tenha dito; é o evangelho de Cristo que diz! Isto é Cristianismo! Eu não inventei. E ali, bem no centro do Evangelho, ali bem no meio daquilo que se chama Evangelho, ou que seja chamado de Cristianismo: está o ‘perdão’. Extraindo-se o perdão se extrai o Evangelho, extrai-se o Cristianismo: “Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós temos perdoamos aos nossos devedores.”

Somos bem lembrados que o temperamento não perdoador constitui o pecado do servo incompassivo, cuja parábola se encontra em Mateus 18, onde o Senhor responde a pergunta de quantas vezes devermos perdoar os outros. E somos exortados por Paulo em Colossenses 3.13: 13 “Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós;”. Este Evangelho anunciado por Cristo é o mesmo pregado pelos apóstolos e isto é Cristianismo

No nosso método às vezes não é bíblico, tão pouco Cristão e nem Evangélico; costuma ser assim: “Veja que coragem do fulano! Se ele pensa que vou esquecer isso, está enganado! Dou troco, pode deixar!” Mas tal atitude é muito contrária à Palavra de Deus.

Se formos prejudicados por alguém, devemos nos lembrar que merecemos muito pior. Não éramos nada e prejudicamos o nome de Deus, mas em sua misericórdia Ele nos perdoou. Em matéria de perdão, é lembrar o que ele fez por nós, e quanto a outras pessoas (que te prejudicaram, que te ofenderam), é lembrar-se do esquecimento de Deus de Miquéias 7! É só esquecer! É só ter memória curta!

O que nós precisamos ter em mente é que não podemos perdoar a não ser que tenhamos sido perdoados, e nosso perdão para com os outros deve estar de conformidade com o modo como fomos perdoados por Deus. O perdão que nós recebemos dele não foi baseado em nada bom que ele tenha visto em nós. O perdão dele foi caracterizado por graça, e quando nós perdoamos a semelhança do perdão que recebemos, manifestamos graça! Aquilo que recebemos do Senhor: graça, compaixão, misericórdia, porque o amor de Deus para conosco foi longânimo, bondoso, paciente; tal deve ser nossa atitude para com os nossos semelhantes.

Obrigado Deus e Pai nosso por tua Palavra; pela verdade do Evangelho que um dia cremos, e pelo perdão dos nossos pecados que um dia recebemos. Porque ó Deus! A graça recebida abundantemente, quando nos tornamos habitação do teu Espírito, nos tem habilitado a perdoar, assim como nós fomos perdoados, e, agora livres das amarras, quebrada a parede, podemos estar diante do trono da tua graça, e serem supridas as nossas necessidades físicas e espirituais, e, a graça ser superabundante em nossos corações... Para amar, porque nós não queremos ó Deus, só viver com o necessário para não morrer de fome, nós queremos viver, e, viver é amar! Viver é ter amor de Deus e graça de Deus para amarmos uns aos outros. Expressamos a nossa gratidão e confiança no teu poder! Em nome de Jesus. Amém.