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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Pastoral



O DEVER DO HOMEM


É lamentável que o crente professo, isto é, um presbiteriano batizado que no dia da sua pública profissão de fé prometeu ser fiel a Confissão de Fé da sua igreja, não viva em obediência aos princípios claramente bíblicos nela apresentados em todas as suas ocupações diárias; é bom sempre lembrar o que cremos, mas muito mal pode resultar de crer e não viver diariamente o que se crê.

Uma existência desse tipo é a expressão de um nível baixo de vida espiritual, frieza, formalismo sem nenhum poder espiritual em sua vida.

A primeira lição do catecismo é o que deve nortear a nossa preocupação primária. É estar a serviço do Deus Soberano. Nosso ensino doutrinário não começa com a salvação do homem, nem com as promessas de Deus para nós, mas começa com o ensino de como devemos nos relacionar com Deus; é nosso dever: Glorificar a Deus; é o nosso destino: Gozá-lo para sempre.

Mas, o lamentável, é que não praticamos muitas vezes esta fé que da Bíblia recebemos, pertencente e entranhada na nossa própria identidade e história, no nosso modo de vida.
Muitos culpam o tempo em que vivemos as tentações e a velocidade da vida numa sociedade tecnológica e competitiva que, nos distraem das coisas espirituais. Mas não se trata de uma opção. A primeira coisa que aprendemos é que nós temos o dever de glorificar a Deus.

Glorificar a Deus e gozá-lo para sempre é nosso propósito? É como aprendemos: nosso “fim principal”?

Nós só glorificamos a Deus quando não buscamos a nossa própria glória, o que é entendido por muitas pessoas como não gostar de elogios. Não é isso. É viver para Deus em primeiro lugar, crendo nele, confessando-o diante dos homens, louvando-o, defendendo Sua verdade, mostrando os frutos do Espírito Santo em nossa vida.
Para isso nós temos a Bíblia como norma para a nossa fé e prática, ela nos ordena uma vida de serviço, pois glorificamos a Deus quando usamos nossas capacidades para servir de coração e não por obrigação.

É preciso primeiro glorificá-lO para depois gozá-lO; muitos desejam usufruir da graça de Deus, de sua companhia e bênçãos sem glorificá-lO como Deus Soberano e Senhor de suas vidas; é como se dissessem que Deus existe para o homem em lugar dos homens existirem para Deus, como se gozar a Deus fosse mais importante que glorificá-lO; por este sentimento medíocre de autossatisfação os homens desenvolvem uma religião meramente emocionalista e utilitarista.

O emocionalismo não é um verdadeiro relacionamento com Deus, não produz a verdadeira alegria da presença de Deus, como diz as Escrituras: “Na tua presença há plenitude de alegria” (Sl 16.11) e não que a alegria vai trazer a sua presença.

Temos percebido que as pessoas querem aderir alguma religião que traga satisfação e alegria e não exige nada delas; nenhuma renuncia ou negação do eu, nenhum esforço para remição do tempo, abrir mão de qualquer luxo, gratificação pessoal, e, não querem sequer, afastar-se do pecado, praticar boa conversação, exercitar a paciência, a humildade e o perdão.

Nossa primeira lição é viver para a glória de Deus e a cada dia a característica do fruto do Espírito de Gálatas 5 se manifestarão.

O relacionamento certo para com Deus é olhar para Ele, para Cristo, Jesus, nosso Senhor, para o Seu exemplo, para encontrarmos nossa capacidade de glorificá-lO e gozá-lO, isto é, sentir Sua presença e alegria abundantemente e eternamente.



Rev. Anatote Lopes

(Leia também Estudos no Breve Catecismo de Westminster de Leonard T. Van Horn traduzido por Hope Gordon Silva da Editora Os Puritanos.)