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quinta-feira, 21 de julho de 2016

QUEM É O MEU PRÓXIMO?

Por Rev. Guilherme Luz, ministro anglicano

Os doutores ou intérpretes da lei, fariseus, escribas, sacerdotes etc, formavam verdadeiras castas em Israel; eram ávidos de poder, orgulhosos, inacessíveis, hipócritas e falsos defensores da lei moral que eles não cumpriam, mas exigiam que a comunidade cumprisse.
Certa vez Jesus os repreendeu dizendo: “Ai de vós, que gostais da primeira cadeira nas sinagogas e das saudações nas praças. Ai de vós, intérpretes da lei, porque sobrecarregais as pessoas com fardos superiores às suas forças, mas vós mesmos nem com um dedo as tocais” (Lucas 11:44 e 46).
   Outra vez Jesus, ao se referir a eles, disse a seus discípulos e às multidões que os seguiam: “Eles atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros das pessoas, mas nem êles mesmos os querem movê-los; praticam suas obras para serem elogiados; alargam as franjas de suas vestes e aumentam os seus filactérios”. (Mat.23:4-5)
    Os filactérios eram os mandamentos da lei escritos e colocados nas mangas das vestes perto das mãos para serem tocados pelos dedos e recitados. (Deut. 6.8 Prov.3:3 e 7:3)Eles deram origem aos escapulários: faixas de tecido contendo orações, usadas por frades e freiras de algumas ordens religiosas e lembram o uso do rosário, com orações repetidas e também condenadas por Jesus.(Mat. 6:7).
O rosário romano é uma enfiada de cento e sessenta e cinco contas, que correspondem a cento e cinquenta ave-marias e quinze padre-nossos para serem rezados como prática religiosa. O terço é a terça parte do rosário.
Aqueles homens, que constituíam o corpo docente das sinagogas, onde o povo se reunia para aprender a lei de Deus, que antes de ensinar deviam dar exemplo, praticando o que ensinavam, são a imagem e semelhança de muitos mestres e líderes de nossas igrejas cristãs de hoje.
Não são poucos os bispos, presbíteros, diáconos, apóstolos e pastores, cujos nomes desfilam na imprensa e em outros meios de comunicação de massas, como detentores de fortunas adquiridas ilicitamente, oriundas das contribuições dos fiéis.
Um daqueles doutores, intérpretes da lei. Querendo apanhar Jesus em alguma falha teológica, foi fazer-lhe uma pergunta elementar, que qualquer estudante israelita sabia na ponta da língua: “o que fazer para herdar a vida eterna?”
Jesus, sabendo a intenção dele, que não era a de aprender, mas de pô-lo à prova, retrucou com outra pergunta à altura, como quem diz: tu não és um exegeta da lei? O que está escrito nela a respeito? Como a interpretas?
Aí veio a resposta que não podia ser outra: “amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças, de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo”.
“Muito bem, respondeu Jesus: faze isso e terás a vida eterna!”.
Não satisfeito e um pouco desapontado por não ter conseguido o seu intento, formulou nova pergunta: ”Quem é o meu próximo?”.
Jesus costumava não responder às perguntas que lhe faziam, mesmo que fossem de boa fé, ele usava o método socrático ou maiêutico, que consistia em usar uma ilustração para fazer o aluno raciocinar e ele mesmo responder à pergunta.
Então Jesus criou uma parábola envolvendo: um desconhecido que viajava por um caminho perigoso, entre Jerusalém e Jericó, um sacerdote, um levita e um samaritano.
Tanto os sacerdotes quanto os levitas eram tidos como homens santos: os sacerdotes porque ofereciam sacrifícios no altar e os levitas porque prestavam serviços no templo. Ambas as funções tinham que ser exercidas por israelitas legítimos, descendentes das doze tribos de Israel.
Os samaritanos eram mestiços de israelitas com assírios e babilônios que após se libertarem do cativeiro habitaram a cidade de Samaria. Eles criaram uma seita que seguia o Pentateuco e só acreditava nele, rejeitando o restante do Antigo Testamento. Considerados hereges, eram, por isso excluído pelos judeus ortodoxos, que não se comunicavam com os samaritanos.
O viajante desconhecido foi assaltado, roubado, ferido e deixado semimorto à beira do caminho. O sacerdote, ao vê-lo, passou de longe; o levita fez o mesmo. O samaritano, porém, lhe prestou socorro, levou-o a um lugar seguro, pagou uma pessoa para tratar dele, e garantiu pagar o que fosse gasto a mais quando voltasse.
Ao terminar a ilustração Jesus perguntou ao intérprete da lei: “Qual destes três parece  ter sido o próximo?” O que usou de misericórdia, respondeu o intérprete.
“Vai, e procede de igual modo”. Disse Jesus.
Nossa reflexão deve se concentrar no nosso modo de ser, como cristãos.
Como qual desses três personagens eu me comporto diante de situações semelhantes na vida real? Como o sacerdote? Como o levita ou como o samaritano?