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sexta-feira, 28 de junho de 2013

A “DOENÇA DO HOMEM”

Meu amigo Américo leu esta reportagem (abaixo*) a partir do link publicado por Adson Montalvão; o qual estaria dizendo que pombos correios, transmitem doenças, como se os pombos fossem os vilões.

Nos comentários da reportagem citada surgem propostas de exterminar estas aves, classificadas por algumas pessoas como “ratos que voam”. 

Isso exige algum esclarecimento e desmitificação.

Na história mundial da humanidade alguns grupos étnicos passaram pelo mesmo tipo de injustiça. Seres humanos capturados e vendidos foram levados de sua terra natal, depois de escravizados durante séculos, antes de serem libertos, ainda receberam a peja de vilões e de lixo social.

Embora este não seja o assunto deste artigo, a injustiça intrínseca da humanidade deve ser considerada.



Em princípio se descartará a possibilidade de serem as aves, criadas em viveiros amadores ou profissionais, as responsáveis pela contaminação; já que estes criadouros recebem higienização, desinfecção, alimentação adequada, vitaminas, medicação/imunização (vacinação para evitar doenças), e, tudo isso, orientado por veterinários e criadores das federações e associações. 

É dever das secretarias de saúde e da fiscalização sanitária exigir instalações adequadas, tratamentos e demais cuidados.

A doença apelidada de “doença do pombo”, não se trata de uma doença do pombo, mas de doenças transmitidas pelas fezes dos pombos; não somente pelas fezes de pombos, bem como de outras aves e pássaros como os pardais e outras que aninham na cidade.

As fezes de todos seres vivos podem transmitir inúmeras doenças; se as fezes dos pombos têm 40 tipos de doenças catalogadas, imagine que as fezes dos seres humanos têm milhares e ninguém diria que essa espécie deve ser exterminada para prevenção da “doença do homem”.

Aves criadas em cativeiro, inclusive as columbiformes, isto é, os pombos: correios, romanos, rabos de leque, papos de vento, capuchinhos, e centenas de variações desta ave, são utilizadas para fins ornamentais, hobby de criadores, exposições e competições desportivas; especialmente o pombo correio.

Desde os tempos de Noé os pombos já eram utilizados. Registra-se que no Antigo Egito era comum o emprego do pombo para a comunicação, e, muito mais, foi utilizado durante a idade média, tornando-se amplamente empregado até a segunda guerra mundial.

Agora o aliado sofre o desemprego e a ameaça de extermínio sofrida por diversas classes de trabalhadores por causa da tecnologia.

O que resolve ou resolveu o problema das pestes provocadas pelas fezes dos seres humanos senão o saneamento básico?

Então há uma solução para o problema que não seja o extermínio das aves! Os pombos, assim como as galinhas, patos, pardais e beija-flores, igualmente, pela inalação de suas fezes misturada à poeira podem transmitir diversas doenças.

O vilão é o pombo?

Domesticado e posteriormente abandonado pelo ser humano, agora, refugia-se no alto dos prédios, nos forros das casas e nas propriedades rurais.

Percebemos que este animal não é o responsável pelo transtorno. Então quem será?

O que dizer dos javalis e dos búfalos? Se você já passou pelo constrangimento de receber uma titica de pombo na gola da camisa ou na cabeça, imagina se eles voassem?

Pois bem, com uma história parecida, toda esta fauna alienígena (isto é, não pertencente à fauna nativa, a qual em algum momento foi introduzida pelo homem no continente): tartarugas, pombos, javalis, búfalos, etc.,) em algumas regiões do Brasil virou praga e promove um grande estrago nas propriedades rurais.

Não passam de animais domésticos que foram soltos ou abandonados e estão lutando pela sobrevivência no campo e na cidade.

O governo poderia fazer uma campanha de controle populacional das aves, envolvendo a comunidade que pode retirar os ninhos após a postura, assim interrompendo o ciclo da reprodução.

Uma alternativa se mostrou eficiente contra morcegos, pombos e pardais: um gel repelente aplicado onde as aves pousam; um produto disponível no mercado.

É imprescindível fazer a limpeza dos forros das casas e seu isolamento adequado para impedir o acesso destes animais; pois também são geralmente infectados por ratos e morcegos. As pessoas nem sempre se dão conta de que vivem com uma grande imundice dentro e sobre suas cabeças.

O grande problema é que alguns seres humanos além de abandonarem a higiene de suas próprias casas, muitas vezes, não alimentam adequadamente os animais domésticos, nem vacinam; a exemplo do que fazem aos frangos por razões econômicas e nutricionais.

As pessoas soltam sua mascotes diversas, como répteis roedores e mamíferos importados nos parques, depois, ninguém faz o controle populacional destas espécies, provocando o impacto ou desequilíbrio ambiental.

No interior, a monocultura, principalmente da cana, elimina grande parte das florestas fazendo com que os animais migrem para as cidades, tanto aves como mamíferos e répteis outrora selvagens no seu habitat, agora na cidade se tornaram vetores de diversas doenças.

Não culpem os animais, pois os seres humanos é que são racionais; logo, esta espécie animal pensante é responsável! Nós é que somos racionais... Essa não é uma grande diferença? Pois bem, o ser humano que deve ser responsabilizado.

Anatote Lopes, 2013.