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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

PONTO DE PARTIDA PARA REFLEXÃO ANTES DE VOTAR: CRISTO E A IGREJA

Se olharmos para a genealogia de Jesus o que veremos são profetas, sacerdotes e reis. Ora, na verdade, o poder temporal no antigo Israel era exercido ou servido pelos sacerdotes e pelos profetas, com tensão, não resta dúvida, entre a classe sacerdotal e a profética ou os profetas, e, como historicamente se verifica, o cargo de sumo sacerdote é disputado por causa do poder temporal que nele está contido.

Quando Israel abandona a Deus por causa da corrupção dos sacerdotes e do seu povo, Ele pune a nação, a entrega nas mãos dos sacerdotes e reis pagãos para sofrerem humilhação, provação e tentação à adoração de falsos deuses, para punição principalmente da corrupção e da idolatria; uma vez resistidos os poderes temporais e espirituais pagãos Deus os reconcilia consigo, restaurando o reino e a adoração. O palácio e o santuário.

Neste contexto os profetas chamam ao arrependimento e anunciam o juízo, até que corra justiça, e, anunciam um novo tempo de restauração e de esperança no messias vindouro, o qual é historicamente esperado que, seja político, e tipologicamente e espiritualmente apontam para o Cristo e seu Reino.

Não seria a restauração política messiânica uma figura do reino vindouro de Cristo, e Davi um tipo de Cristo? Como o matrimônio usado como uma figura de Cristo e a Igreja? Não devem ser então vistos como imorais, no entanto, aqueles que servem na política e os que se casam. Mas devem viver com dignidade e honradez a sua vocação.

Logo, o exercício da política e o matrimonio devem ser vividos com honra para a glória de Deus Pai. Não sendo errado se casar ou governar, mas sim, é errado se corromper e macular o ministério... Ora, no Antigo Testamento os príncipes e governantes são chamados de “pastores de Israel”, da nação, como os sacerdotes, funções políticas e espirituais, e, também na vida conjugal, devemos buscar a glória a Deus.

Hoje nós vivemos este dilema: escolher nossos “pastores” governantes, em tempo de corrupção moral do relacionamento conjugal e de corrupção da classe política, por causa desses princípios, bíblicos históricos devemos rejeitar àqueles corruptos, ateus e inimigos do matrimônio bíblico, os quais não glorificam a Deus, não expressam reverência a Ele e a dignidade destes elementos tipológicos de Cristo e a Igreja e Cristo e de seu Reino.

Pense nisso...

Rev. Anatote Lopes

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

IGREJA NÃO INSTITUCIONALIZADA: UMA NOVA MODALIDADE DE IGREJA

Em primeiro lugar venho lamentar a minha ignorância quanto ao pensamento destes autores (Frank Viola, Neil Cole, Wolfgang Simson e outros), acho que eu tenho perdido muito tempo lendo os escritores da tradição reformada e outros intérpretes da Escritura que reivindicam certa herança da tradição reformada, e, tenho perdido algumas novidades. Eu deveria estar mais aberto para as novidades...

Agora, por um minuto insano, senti até um acanhamento de admirar a soberania de Deus em sua condução da Igreja e em preservá-la, utilizando-se desses meios, tão escusos para algumas pessoas, tais como a institucionalização, templos, liturgias, vestes litúrgicas, ministério ordenado e outras tradições.

Sempre entendi essas tradições como fruto do labor teológico, afinal donde vem a instituição judaica de um conselho de anciãos, senão das Escrituras do Antigo Testamento, e a recomendação apostólica para se continuar a eleger presbíteros em todas as igrejas? E que espírito dirigiu os santos apóstolos a instituírem o diaconato para atenderem a causa das viúvas e suprirem as igrejas deste ministério? Por que as Palavras da Instituição da Ceia do Senhor constam dos Evangelhos e são recebidas por divina revelação por Paulo para entregar aos coríntios, afim de por em ordem a liturgia daquela comunidade? Qual é o problema destas coisas? Representam algum problema real? Ou será que os rejeitados pela noiva querem se organizar paralelamente para depois, voltando-se contra ela dilacerá-la?

Tenho alguns amigos crentes que são sem igreja, e são adeptos da maconha, da libertinagem, quando na igreja já manifestavam que não respeitavam autoridades constituídas, julgavam-se acima dos outros e conectados diretamente com o céu, dizendo-se ministros de louvor ou levitas; mas depois de algum tempo foram excluídos de igrejas, estes “sem igreja” encontraram uma forma de racionalizar este problema.

Eu sempre pensei e ainda penso que a Igreja institucionalizada se reúne nos lares e se faz “Igreja nos Lares”, visita os encarcerados e os enfermos e se faz Igreja no Cárcere e Igreja no Hospital, e onde está a igreja esta a Igreja Institucionalizada por Cristo quando concedeu dons diferenciados e soberanamente a constituiu e a preservou, tanto que, nós não conhecemos e não sabemos como seria a igreja que não existe... Mas, se a Igreja tiver que se desinstitucionalizar para continuar a existir, o seu Fundador e Preservador da Igreja irá permitir.

Agora atribuir a qualquer cristão reformado a posição como a que “Fora da ‘Santa Madre Igreja’ não há Igreja…” É no mínimo um escárnio muito forte. Eu gosto muito de ver a igreja sair “das capelas e adorar ao Senhor na simplicidade das casas.” Mas há muito tempo se tem visto que muitos eram “denominacionais”, viviam de denominação em denominação até se desviarem mesmo, outros serem disciplinados, endurecerem-se em seus corações em face da disciplina e se rebelarem. Antes tinham problemas de relacionamento com todos, inclusive com a liderança por causa de insubmissão, desrespeito e problemas morais; por ultimo foram para a igreja dos “desigrejados”, as quais são desorganizadas, isto é sem ordem ou disciplina, o que agrada pessoas que se assustam por serem promiscuas e melindrosa com as igrejas das três marcas: Pregação Fiel da Palavra de Deus, Administração Apropriada dos Sacramentos e Aplicação da Disciplina para promoção da pureza.

Mas é claro que igreja não é o “templo”, CNPJ, placa, liturgia, ou o pastor ordenado, tais elementos servem a comunidade e existem para o bem dela e não são um fim em si mesmas, portanto, Igreja é comunidade que se reúne de casa em casa ou num edifício. E daí?

Esses elementos não são vitais, são a expressão vital da igreja, suas riquezas com a riqueza moral e doutrinal, ausente nas “não igrejas” dos “sem igrejas”, mas presente na comunidade dos discípulos que está oficialmente reconhecida como Igreja.

Mas, surpreendentemente eu vejo isso nas Escrituras!

As primeiras gerações de cristãos que compuseram a Igreja Primitiva, não eram simplesmente “um grupo de pessoas regeneradas em Cristo que amavam a Deus e se serviam mutuamente e, em seu Nome, se reuniam de casa em casa para partir o pão, orar e ler as Escrituras”. Era uma comunidade governada pelo colegiado apostólico, presbíteros e diáconos. Isso se comprova em Atos e nas cartas apostólicas. Devemos tomar cuidado, não com as descrições simplista de Igreja, mas com as descrições tendenciosas. Mas vamos olhar para a igreja que tinha uma estrutura oculta e nas catacumbas e depois emergiu, aparecendo os primeiros templos no III século.

No entanto, não há problema se a igreja é nos lares, mas que não se apartem da Verdade de Deus e da sua Igreja universal. Não se ensoberbeçam com a ideia, a qual toda seita tem, de serem resgatadores do cristianismo à moda da Igreja Primitiva, a verdadeira Ekklesia! Isso é arrogância sectária!

Nenhuma igreja histórica coloca a organização acima do Reino e ignora a universalidade e diversidade da Igreja de Cristo desde o tempo das igrejas dos apóstolos, isso significa que não é só uma, a minha denominação, a detentora da Verdade a qual eu escolhi para congregar. Nem a mais antiga e nem a que surgiu agora resgatando os costumes dos primórdios, mas todos quantos o Senhor Deus chamar.

O espírito do pós-modernismo não consegue ver Deus na instituição, no ritual e na autoridade. Mas o individualismo e anti-institucionalismo do pós modernismo tem gerado ególatras, o Deus destas pessoas são elas mesmas, elas são mestres de si mesma, não ouvem nem a Palavra de Deus, nem os conselhos dos pais, nem respeitam as autoridades.

Se existem problemas nas igrejas institucionalizadas, não é o melhor desistir delas. A Igreja não foge de problemas, ninguém deve evitar problemas, mas encarar.

A geração pós moderna é a geração do superficialismo, do individualismo, do anti-institucionalismo, do anonimato, do religiosismo fingido, do informalismo, do improviso e da carnalidade, e a religião que ela vai gerar será uma aberração.

Vácuos precisam de conteúdo para serem preenchidos, essa geração não tem conteúdo para preencher suas lacunas. Não existe nenhum intelectual com menos de quarenta anos, essa moçada está toda contaminada pelo lixo cultural do pós modernismo e tem urticária em face de tudo que é teologia, história e tradição, para eles até a Bíblia é um embolorado fóssil de histórias antigas e ultrapassado.

O espírito religioso não se manifesta apenas no amor denominacional, mas também no hedonismo, no desejo de sentir-se bem no coração ouvindo um discurso que ameniza a dor, a culpa e a ansiedade, mas não exorta, não corrige e não tem conteúdo e esperança, e trás uma razoável sublimação da expectação do juízo divino. Não é a toa que essa proposta surge depois dos anos áureos das igrejas pentecostais e neo pentecostais, que também representaram em seus primórdios um protesto contra o ritualismo e institucionalismo das igrejas históricas onde não havia espaço para os excluídos, com a vantagem de que o arminianismo é menos pernicioso que o liberalismo, não para a alma, mas para a moralidade.

Realmente a história sempre se repete, e dos excluídos surge uma nova igreja. Toda novidade em termos de cristianismo reivindica nos primórdios as sua bases, toda seita advoga para si, ser a imagem e semelhança da Igreja Primitiva, aos seus opositores da “situação” atribuem os mesmos vícios dos religiosos dos tempos de Cristo, a alcunha de fariseus e hipócritas. Logo, não devem ficar magoados se eu pensar (penso e falo), também, este movimento congrega hipócritas os quais preferem ocultar a promiscuidade na informalidade, do que serem enquadrados nos padrões de moralidade, por isso preferem ocultar a incompetência e a preguiça mental numa eclesiologia e num sistema doutrinal simples, onde impere o improviso e a superficialidade do que, terem que ler e refletir e aprender a interpretar as Escrituras, pensar teologicamente com as ferramentas da hermenêutica e pregar expositivamente, preferem arrogar uma volta ao passado da igreja do primeiro século e nem conhecem a história desta igreja. Qualquer membro destas "não igrejas", seria expulso, ou nem resistiria aos três anos de estudos para ser batizado, nem resistiria os jejuns e as vigílias longas que estes irmãos faziam para serem batizados nestas comunidades primitivas.

Se conhecessem a história da igreja que eles tomam como referência, saberiam que em nada se parecem com ela, e, que com todas as transformações, e muitas delas muito negativas, sofridas nas igrejas históricas institucionalizadas, algumas igrejas institucionalizadas ainda se parecem mais com a igreja bíblica, cristã e apostólica.

Anatote Lopes, IPB, 2010


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

PERDOAR OS OUTROS

Mateus 6.9-15: Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém! Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.

O texto de Mateus 6.12 diz: e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;

Este texto fala sobre perdoar os outros, é uma verdade bíblica que só Deus pode perdoar quando pecamos contra ele; também é verdade da Bíblia que temos a responsabilidade de perdoar outras pessoas. Uma poesia de Alexander Pope diz;

“Ensina-me a sentir a tristeza de um outro,
A esconder a falta que vejo assim;
Que eu mostre a compaixão a outros
Que outros possam demonstrar a mim.”

A resposta a Pergunta número 105 do Breve Catecismo de Westminster que é a seguinte: “Pelo que oramos na quinta petição?” se encontra no texto que acabamos de ler, a qual é: “e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;”.

Seria possível a qualquer homem perdoar pecado ou o homem ser digno de ter seu pecado perdoado?

Qual é à base do nosso perdão?
Como saber que os nossos pecados foram perdoados?

Na quinta petição da oração do Pai Nosso pedimos que Deus, por amor de Cristo, nos perdoe gratuitamente os nossos pecados, o que somos animados a pedir, porque, pela sua graça, nós somos habilitados a perdoar de coração ao próximo.

O perdão é um sinal! Um sinal da graça. A capacidade de perdoar é um sinal de que somos habilitados pela graça em nós. Se formos habilitados pela graça a perdoar sinalizamos que somos ricos da graça de Deus e que temos recebido o perdão de nossos pecados.

Três graças são reveladas pela prática do perdão:

1ª Graça: Que nossas necessidades serão supridas.

2ª Graça: Que temos recebido o perdão de Deus.

3ª Graça: Que fomos habilitados pela graça a perdoar os outros.

A 1ª graças reveladas pela prática do perdão:

– Que nossas necessidades serão supridas.

A base para isso se encontra na palavra “e” no texto que nós lemos em Mateus 6;12 o versículo começa com a Palavra “e”, e esse “e” é muito significativo. Esse “e” que aparece na petição e liga esta petição a petição anterior: “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas,”... Essa partícula: “e” que se repete na Oração Dominical, demonstra que esta oração é uma unidade, no versículo 14 e 15 é apresentada a síntese daquilo que nós aprendemos, vivemos e recebemos do céu quando nós oramos a oração que o nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou: “ o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas,”.

Devemos reconhecer que nossas necessidades serão supridas, e, só serão supridas se formos fiéis para fazer algo com respeito à confissão de nossos pecados. Isto é, perdoar é reaver a comunhão; se somos perdoados por Deus nós temos comunhão com Deus, então é possível que o Senhor Deus abra as janelas do céu para nós, se somos perdoados também somos ouvidos quanto as nossas necessidades e supridos.

Quando há comunhão entre nós e Deus. Essa graça revelada na pratica do perdão de Deus aqui, diz que nossas necessidades serão supridas porque o muro que a falta do perdão constrói, a parede é derrubado pelo perdão. Porque a falta do perdão a edificou, então quando somos perdoados por Deus entramos em comunhão com ele e temos as nossas necessidades supridas nele.

A 2ª graças reveladas pela prática do perdão:

– Que temos recebido o perdão de Deus.

Por que a palavra “dívidas” e não “pecados” aparecem aqui nesta oração, tem-se substituído também pela palavra “ofensas”, mas aqui não há diferença alguma entre essas palavras; essas palavras podem ter sentidos diferentes usadas separadamente, mas no contexto desta oração essa palavra não tem diferença nenhuma, e fala de nossos pecados, fala do pecado original, fala dos pecados de comissão e fala de pecados de omissão.

O que é isso?

Ora, o pecado original é o pecado que todos nós herdamos, por que em pecado fomos concebidos e nascemos no estado de pecado, isso nos faz pecadores, e, em virtude desta corrupção original nós também pecamos, e pecados por comissão: isso significa que nós pecamos prontamente. Nós pecamos os nossos próprios. E os pecados por omissão, isso significa que nós pecamos quando deliberadamente, voluntariamente, porque queremos, deixamos de fazer aquilo que é certo. Omitimos-nos, podendo fazer o bem não fazemos, este é o pecado por omissão!

A Palavra de Deus nos assegura que temos recebido o perdão.

Vamos ler o Salmo 130.3-4: “Se observares, SENHOR, iniqüidades, quem, Senhor, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam.” Temos base nas promessas bíblicas; em Miquéias 7.18-19. “Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.”

Este é o Senhor nosso Deus que nos dá a sua graça. E, a prática do perdão, manifesta que temos recebido o perdão dos nossos pecados

Vamos pensar na 3ª graça revelada pela prática do perdão.

A prática do perdão revela:

– Que fomos habilitados pela graça a perdor os outros.

Isso significa que fomos habilitados a perdoar. Isso significa perdoar pela graça. Significa que conhecemos a graça; e a graça de Deus em nós transbordará! Quando a conhecermos.

Qualquer homem não poderia perdoar os pecados cometidos contra Deus. É isso que diz Marcos 2.7 (Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?), também não há mérito próprio em homem nenhum, para que receba o perdão de seus pecados da parte de Deus. Mas é possível que nós pecadores sejamos perdoados à medida que se evidencia a graça recebida do perdão dos nossos próprios pecados, é a habilidade que temos para perdoar os pecados dos outros.

Há base para o nosso perdão em face dos pecados dos outros nessa petição. A base é que pela graça de Deus seremos habilitados a perdoar os outros e, portanto nós seremos perdoados. É a promessa. Somos animados a pedir perdão e suprimento de nossas necessidades e a atenção de Deus, destruindo o muro, a parede que nos separa de Deus, porque pela sua graça somos habilitados a perdoar de coração o nosso próximo.

Conclusão. A capacidade que mostramos de perdoar os outros é a prova de que Deus está nos perdoando.

Não estou dizendo o que você e eu poderia fazer! Não estou dizendo nada que as Escritura não tenha dito; é o evangelho de Cristo que diz! Isto é Cristianismo! Eu não inventei. E ali, bem no centro do Evangelho, ali bem no meio daquilo que se chama Evangelho, ou que seja chamado de Cristianismo: está o ‘perdão’. Extraindo-se o perdão se extrai o Evangelho, extrai-se o Cristianismo: “Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós temos perdoamos aos nossos devedores.”

Somos bem lembrados que o temperamento não perdoador constitui o pecado do servo incompassivo, cuja parábola se encontra em Mateus 18, onde o Senhor responde a pergunta de quantas vezes devermos perdoar os outros. E somos exortados por Paulo em Colossenses 3.13: 13 “Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós;”. Este Evangelho anunciado por Cristo é o mesmo pregado pelos apóstolos e isto é Cristianismo

No nosso método às vezes não é bíblico, tão pouco Cristão e nem Evangélico; costuma ser assim: “Veja que coragem do fulano! Se ele pensa que vou esquecer isso, está enganado! Dou troco, pode deixar!” Mas tal atitude é muito contrária à Palavra de Deus.

Se formos prejudicados por alguém, devemos nos lembrar que merecemos muito pior. Não éramos nada e prejudicamos o nome de Deus, mas em sua misericórdia Ele nos perdoou. Em matéria de perdão, é lembrar o que ele fez por nós, e quanto a outras pessoas (que te prejudicaram, que te ofenderam), é lembrar-se do esquecimento de Deus de Miquéias 7! É só esquecer! É só ter memória curta!

O que nós precisamos ter em mente é que não podemos perdoar a não ser que tenhamos sido perdoados, e nosso perdão para com os outros deve estar de conformidade com o modo como fomos perdoados por Deus. O perdão que nós recebemos dele não foi baseado em nada bom que ele tenha visto em nós. O perdão dele foi caracterizado por graça, e quando nós perdoamos a semelhança do perdão que recebemos, manifestamos graça! Aquilo que recebemos do Senhor: graça, compaixão, misericórdia, porque o amor de Deus para conosco foi longânimo, bondoso, paciente; tal deve ser nossa atitude para com os nossos semelhantes.

Obrigado Deus e Pai nosso por tua Palavra; pela verdade do Evangelho que um dia cremos, e pelo perdão dos nossos pecados que um dia recebemos. Porque ó Deus! A graça recebida abundantemente, quando nos tornamos habitação do teu Espírito, nos tem habilitado a perdoar, assim como nós fomos perdoados, e, agora livres das amarras, quebrada a parede, podemos estar diante do trono da tua graça, e serem supridas as nossas necessidades físicas e espirituais, e, a graça ser superabundante em nossos corações... Para amar, porque nós não queremos ó Deus, só viver com o necessário para não morrer de fome, nós queremos viver, e, viver é amar! Viver é ter amor de Deus e graça de Deus para amarmos uns aos outros. Expressamos a nossa gratidão e confiança no teu poder! Em nome de Jesus. Amém.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O SIGNIFICADO DE "PICA FUMO"



Qual é a origem da expressão: “Pica Fumo”? Acredito que surgiu em 1959... Encontrei esta pista: “Nossos pastores não são como Karl Barth, que faz teologia atrás da fumaça do seu cachimbo. Nossos pastores são homens de ação.” (Livro de Confissões publicado pela missão presbiteriana do Brasil em 1959, nota 14).

A expressão “Pica Fumo” em uso nos seminários por professores e alunos como designativo do aluno que não alcança bom desempenho nas disciplinas do curso teológico, pode ter sua origem ignorada pela maioria dos que já a ouviram.

Eu acredito que, os professores e os alunos de seminários pensam que sabem o que isso quer dizer. “Picar o fumo” no seminário é práxis de professores e alunos, no sentido que se dá hoje; mas qual é o sentido histórico desta expressão e como ela surgiu?

A teologia que se ensina nos seminários do Brasil é importada do protestantismo norte americano, com exceção das obras dos ancestrais europeus, isto é, dos teólogos do passado, da herança da Reforma (Calvino, Lutero, Mellanchton e outros) e do Confessionalismo sob forte influencia puritana.

Embora os presbiterianos adotem a Confissão de Fé de Westminster, escrita na Inglaterra, tem do Seminário de Princeton a sua principal herança; esta instituição de ensino teológico americana até meados do século XX continuava sob rígido controle dos conservadores.

Semeava-se uma séria suspeita dos europeus e de sua teologia, alegando-se que a situação espiritual da Europa era o caos: igrejas frias, sem zelo missionário, sobretudo mundanas, porque os protestantes europeus bebiam e fumavam; dizem que aqueles que leram especialmente Barth, Brunner, e Bultman nos círculos conservadores pagaram caro até a década de 60.

O que isto tem a ver com picar o fumo? Ah sim! diziam-se que Karl Barth fazia teologia no meio da fumaça de seu cachimbo, bem como outros teólogos europeus, e, neste tempo no Brasil os fumantes picavam fumo de rolo para fabricarem os próprios cigarros. Esta tradição de picar fumo de rolo ou de corda ainda pode ser encontrada. Claro, isso no Brasil é um pecado pior que o adultério para a maioria do protestantismo!

Haja vista que, a postura do protestantismo brasileiro e de seus seminários tinham uma linha hiperativista e menos reflexiva, bem como culturalmente contrária ao consumo de tabaco e bebida com álcool, com exceção do luteranismo, a associação era essa, e, também é essa a origem da expressão “picar o fumo” e do designativo “Pica fumo”.

Nos cinco anos que passei em dois seminários protestantes, ninguém me disse o significado desta expressão em uso até os dias de hoje... Mas não parei, continuo vivendo e aprendendo também a picar o fumo direitinho.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

AS BASES DA GRAÇA PARA O VIVER DIÁRIO

Marcos 2.18-28

18 Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam? 19 Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar. 20 Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão. 21 Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura. 22 Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos. 23 Ora, aconteceu atravessar Jesus, em dia de sábado, as searas, e os discípulos, ao passarem, colhiam espigas. 24 Advertiram-no os fariseus: Vê! Por que fazem o que não é lícito aos sábados? 25 Mas ele lhes respondeu: Nunca lestes o que fez Davi, quando se viu em necessidade e teve fome, ele e os seus companheiros? 26 Como entrou na Casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu os pães da proposição, os quais não é lícito comer, senão aos sacerdotes, e deu também aos que estavam com ele? 27 E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; 28 de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado.



Vamos entender o contexto cultural desta passagem. Estes dois grupos religiosos apresentam características distintivas. Um grupo: os discípulos de João, o batizador, caracterizados pelo ascetismo religioso. (Depois da descoberta dos manuscritos do mar Morto em 1947 que, trouxeram um maior conhecimento das particularidades dos religiosos denominados Essênios, os quais preservaram escritos sagrados em vasos de barro lacrados e escondidos numa caverna em Qumran, alguns associaram a este grupo os discípulos de João e até mesmo o primo de Jesus Cristo, chamado João e denominado batista, a este grupo religioso.) O outro grupo: os “fariseus”; trata-se de uma das mais importantes facções componentes do Sinédrio e da elite judaica de Jerusalém, zelosos da lei, dos costumes e da tradição judaica.

Jesus fala de forma clara em defesa de seus discípulos, os quais estavam sendo acusados de não terem certo tipo de fervor religioso e ainda de transgredirem a Lei. Jesus segue sua defesa fazendo uma interpretação da Lei usando a figura de uma comparação em seu argumento ao encontro da questão do jejum; o mestre propõe uma parábola como de costume dele, quando anuncia o reino de Deus. Em defesa dos acusados de quebrar a guarda do sábado. Segundo o Talmude, duas autoridades religiosas poderiam advertir para fazer uma conformação do comportamento à lei e até denunciar este crime, e, o acusado deveria ser apedrejado, mas Jesus sabiamente apelou para o espírito da lei e faz uso de uma “jurisprudência” a ocasião em que, no tempo do sacerdote Abiatar aqueles que violaram  a lei para fazer um bem maior para si e para os outros ficaram impunes. Conclui: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado;”. Agora o Senhor afirma a sua própria autoridade para justificar os seus discípulos. Em um novo tempo, manifesta-se àquele que é maior e Senhor sobre tudo: “o Filho do Homem é senhor também do sábado.”

Quanto ao sábado e como convém observar o Dia do Senhor no tempo em que a Graça é chegada, na plenitude dos tempos, as Escrituras têm a dizer que, com a manifestação do nosso Senhor Jesus Cristo, conforme está escrito:

“Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê”. (Romanos 10.4).

Significa que andamos com Cristo para nossa justiça ou andamos sob a lei. Ou seja, agora andamos segundo a Graça na liberdade do Espírito Santo e não na escravidão da lei conforme Romanos 8.4: “a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.”

Não se trata de obedecer à lei e de que forma, mas na liberdade que hoje gozamos. Porém não é sobre o sábado que eu quero pregar. Sobre o que será?

É sobre a autoridade que o Senhor invoca e sobre a argumentação a favor de seus discípulos e do que os seus discípulos faziam na liberdade que desfrutavam na Sua companhia.

Considero chave para nossa compreensão desta passagem a expressão “Nunca leste” no início do argumento que o Senhor faz em forma de pergunta aos religiosos seguidores do batista e dos fariseus.

Parece uma evidência de que as pessoas familiarizadas com o exercício da religiosidade hipócrita que envolve a alimentação: como o jejum; e, a agenda da religião: como os sábados; atribuem aos exercícios espirituais um peso sacrificial que é exibido como um troféu, esta pessoas religiosas não gostam de Bíblia, até carregam as Escrituras, mas não as lêem e se lêem não as entendem...

O Senhor Jesus demonstra as circunstâncias em que Davi quebra a lei e fica impune, então explica qual é o propósito da lei e quem é o Senhor, “o Senhor do sábado”.


1ª Resposta:

O propósito é o homem ser alimentado fisicamente e espiritualmente no gozo de seu Senhor.


2ª Resposta:

Jesus Cristo é o Senhor.


Imaginemos facilmente o cenário de um campo cheio de espigas... Se você nunca viu um campo de trigo, imagine um milharal...

Jesus caminhando alegremente com os seus amigos discípulos. Jesus está ensinando aos seus discípulos caminhar na graça, e, os seguidores do batista estão ali com cara de pano de saco, com seu ascetismo religioso observando como era alegre e saudável, festivo e acolhedor o ministério de Jesus!...

Veio uma pergunta (aqui contextualizada):

Ei vocês sorridentes! Por que não jejuam?(2.18)

Eu imagino os seguidores do batista bem tristes e doentes de tanto jejuar, em reuniões de oração demoradas e tristes, oferecendo uma religião doente e triste, mas os fariseus eu os imagino bem gordinhos e bem vestidos, acostumados as reuniões religiosamente nos sábados, nas sinagogas e no templo, sem capacidade de relacionamento diário com Deus e com os outros irmãos durante seis dias da semana, pensando em religião e sem se preocupar com as necessidades das outras pessoas; pensando em comida e vivendo de aparência.

Vem agora a pergunta:

Hoje é sábado! Por que vocês quebram a lei?(2.24)

A resposta de Jesus começa assim:

“Nunca leste”

Essa expressão na resposta em forma de pergunta que Jesus faz, denuncia que, na verdade o rigor do ascetismo e do legalismo religioso, farisaico e hipócrita é amigo da ignorância.

As bases da Graça para o viver diário estão nas Escrituras do Velho e do Novo Testamento: “Nunca leste?”

Quais são essas bases? Vamos trabalhar com duas bases encontradas neste texto...


As bases da Graça para o viver diário são:


PRIMEIRA BASE: O Senhorio de Cristo.

SEGUNDA BASE: O Suprimento das necessidades em Cristo.


Vamos pensar primeiro nesta SEGUNDA BASE: O Suprimento das necessidades em Cristo.

Nós precisamos de Palavra, Verbo Encarnado, Pão do Céu.

Nós falamos com Deus quando oramos e orar é bom, mas quando oramos fazemos conhecido de Deus a nossa necessidade, a qual se sabe que ele já conhece. Não estou aqui despregando o que já disse sobre a oração como um meio de comunhão com Deus e de batalha espiritual, mas a questão agora é: como serão supridas as nossas necessidades?

Primeiro: Revelação. Entenda Palavra de Deus=Escrituras: “Nunca lestes” Mas, não é só ler (ou ouvir), logo, segundo: Ação... É também praticar conforme o exemplo do Mestre em João 4:34 “Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.”

Se você prioriza a sua necessidade entra no santuário e coma e beba, nos diz Jesus em João 6:55 “Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida.” Coma o Pão sagrado e se farte de Cristo. Ele é o Pão do Céu e a encarnação da Palavra de Deus. Despreze a Palavra de Deus e estará desprezando a Cristo.

Os exercícios religiosos da oração, do sábado e do jejum sem a Palavra de Deus não tem vida e são inúteis. Mas, pela Palavra de Deus somos alimentados diariamente e os momentos de oração se tornam momentos de gozo, o Dia do Senhor se torna deleitoso e não um sacrifício altamente penoso, e os jejuns se tornam experiências de abdicação e renúncia de coisas fúteis compensados pela riqueza do desfrutar crescimento na graça e conhecimento de Deus e convicção da Sua presença.

Paulo recebeu em sua casa muitos homens que se julgavam sábios, e gastou tempo com eles, conforme lemos em Atos 28.23-31. Mas estes homens eram amigos de religião e de contendas e tinham a marca dos perdidos:

Qual é essa marca?

Não era a cara de pano de saco... Era o Desprezo pela Palavra de Deus.

Vamos pensar agora por último, por ser mais importante, nesta PRIMEIRA BASE: O Senhorio de Cristo.

Quem é o Senhor?

São as nossas necessidades ou os nossos interesses e desejos que nos governam?

Bem que as nossas necessidades nos aproximam de Deus... Será que é por isso que somos muito necessitados? Por causa da nossa inconstância?

Trazemos nossas causas com orações, jejuns e comparecemos no culto dominical... Depois desprezamos nosso Senhor.

Quem é o nosso Senhor?

Resposta: Jesus aquele que a lei e os profetas testificam dele.

Não deveríamos nos aproximar do nosso Senhor para conhecer a sua vontade e viver conforme a sua vontade? Afinal ele é o Senhor!

Nossa familiaridade com o legalismo religioso nos leva a viver para a lei e não em comunhão com o Senhor, na direção do Espírito, na dependência dele e em confiança nele. Isso não significa que a lei não seja nada, mas o que é a lei para o eleito?

Fica bem aqui a resposta de um teólogo protestante brasileiro, Rubem Alves (1983); disse:

“Não mais divida ou lei, mas promessa. Aqui está a razão por que para a Reforma a polêmica entre lei e graça era uma luta de vida ou morte! Esta era a essência da Palavra (e, portanto o segredo da interpretação): Promessa. Ora, o que caracteriza a promessa é que ela não tem a sua realidade em si mesma, ela aponta para o futuro onde o prometido se transformará em cumprimento.”

“O interessante e forçado a uma imediata deslocação de sua atenção ao ouvir do passado, uma promessa. Se o passado promete é porque ele não é a coisa prometida. Não é aquilo que deve ser preservado. Não é lei. Desloca-se a atenção para o tempo de cumprimento: para o presente e para o futuro, Esvazia-se o passado e com isto a consciência abre para o tempo do cumprimento.”

“Ora, o que é que este horizonte passado prometia?”

“Na linguagem dos reformadores: ele oferecia “perdão dos pecados”, ou seja, uma reinterpretação do passado que eliminava seu conteúdo emotivo como culpa. Perdão dos pecados é libertação do passado. Mas isso é possível porque o horizonte que determina a interpretação, ao invés de ser lei ou ordem, é amor e graça: Jesus Cristo.”

Você, se é que se converteu, foi porque alguém lhe expôs o Evangelho discorrendo nas Escrituras, mas você não pode desprezar as Escrituras agora.

Em Atos 28.23 tomamos conhecimento de que o Evangelho é o testemunho do Reino de Deus, cujo Rei é Jesus; nesta oportunidade Paulo expôs a Palavra de Deus (na lei e nos profetas) que nos aponta o nosso Senhor.

A Palavra testifica dele, e, Ele mesmo é a Palavra encarnada.

Ele é a voz do Senhor do Salmo 29.

Ele é a voz sobre as águas. A voz de Rei, a voz majestosa. A voz que despedaça a madeira utilizada nas bases do templo, Ele mesmo, o qual o batista profetizou que batizaria com o Espírito Santo e com fogo, a voz que desde o princípio gera vida, multiplicando a alegria, o consolo, a fortaleza e a paz que excede todo entendimento!

Se dobre diante daquele que reina para sempre! Se levante reverentemente diante daquele que é o Senhor.

Concluo com uma relação de igualdade Lei=Passado e o Futuro=Promessa. O cumprimento da promessa.

A lei é passado. No passado era a promessa que apontava para o futuro: o seu cumprimento, é por isso que se diz “o fim da lei é Cristo”.

Quem vive na lei, vive no passado: pecado, morte e culpa. Quem vive o cumprimento vive em Cristo: nova vida e perdão. A justiça pela lei trouxe a morte e a justiça pela fé no filho de Deus trouxe a nossa justificação, amor, perdão e reconciliação.

Jesus Cristo é a nossa comunhão. A nossa restauração e a nossa paz. Tudo d’bom...

Já viu um irmão amado ou uma irmã amada com cara de pano de saco?

Mal humorado do tipo que só ri quando as coisas não dão certo? Existe gente assim: que não se alegra com os que se alegram e se ri dos que choram. Opostos ao ensino bíblico em Romanos 12:15 “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.”

Não te aconselha com a Palavra quando te reprova, mas que vai falar mal de você é só você virar as costas. Esse tipo de gente gosta de se disfarçar com pano de saco.

O pano de saco era uma vestimenta exterior de humilhação e de piedade que nem sempre representava o que realmente tinha no interior do coração. A roupa que o judeu usava para jejuar e orar, aqui apresentado como o símbolo de uma falsa espiritualidade. Uma falsa humildade e uma religiosidade falsa.

Nunca leste?

Também você... Não fique travado nessas contendas judaicas e farisaicas de dias, de festas, de ascetismos, fervorismos falsos, de jejuns e sábados.

Eu desejo que todos possam orar comigo:

Oh Senhor! “Converteste o meu pranto em folguedos; tiraste o meu pano de saco e me cingiste de alegria, para que o meu espírito te cante louvores e não se cale. Senhor Deus meu, graças te darei para sempre.” (Salmos 30:11,12)

Em nome de Jesus.

Amém.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

FAÇA-SE A TUA VONTADE

“venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;”

Mateus 6.10

Santo e Soberano Deus! Na Tua presença, pedimos que o Senhor nos ajude a compreender a Tua Palavra. Pedimos que o Senhor nos faça lembrar de tudo aquilo que o Senhor já nos tem ensinado para que, falemos e ouçamos o que o Senhor quer dizer a cada um de nós segundo as nossas necessidades, e, nos instrua para o crescimento na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Obrigado ó Deus! Porque em nosso tempo o Senhor já tem revelado mistérios ocultos desde antes da fundação do mundo, nós temos recebido então a Sua Palavra e o Senhor faz de muitos de nós, despenseiros da sua graça quando anunciamos o Evangelho de Cristo. Em nome de Jesus, amém.

Vamos abrir as nossas Bíblias no Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus 6.10. Diz a Palavra do Senhor:

“venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;”

Nesta quarta-feira estive ministrando sobre a “Oração do Pai Nosso” e surgiu a seguinte pergunta: Todos podem orar a oração que o Senhor Jesus ensinou, a "Oração do Senhor" ou "o Pai Nosso"? A minha reposta é:

Não.

Nem todos podem.

Alguns não devem orar esta oração.

Devem fazer a oração do Pai Nosso àqueles que querem e que estejam dispostos a viver o compromisso e a ética propóstos na Oração do Pai Nosso em todos os termos desta oração.

Hoje meditaremos sobre este versículo de Mateus 6.10 que é parte da oração do Pai Nosso, e, aqueles que oram com o coração e a mente cativos em Cristo Jesus devem orar, e aqueles que não têm a mente e o coração cativos em nosso Senhor Jesus, não tendo o interesse de viver o que a Oração do Pai Nosso diz não devem repetir estas palavras de forma irresponsável, formal ou formalista, isto é, sem o compromisso de viver.

E quando a Palavra do Senhor diz então: “venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;” eu quero destacar a expressão: “assim na terra como no céu;” que nos leva a meditar neste tema: “assim na terra como no céu”: uma batalha que se trava no mundo e nas regiões celestiais.

Talvez você nunca ouvisse um sermão sobre guerra espiritual na Oração Dominical! Quando se fala em guerra espiritual se pensa muito em oração, e, hoje em dia muitos tipos de orações surgem como “oração forte”, “oração de guerra”, oração disso e daquilo vão surgindo por ai. Alguns modelos e práticas de orações diferenciadas nos são apresentadas por diversos movimentos de guerra espiritual, ou movimentos voltados a essa ênfase na oração. Mas, espera-se uma prédiga sobre batalha espiritual numa oração recitada nas liturgias das igrejas históricas?

É claro que nós entramos nessa guerra espiritual através da instrumentalidade da oração, a oração é um instrumento da nossa comunhão com Deus e ela também é um instrumento de guerra espiritual, então “venha o teu reino” é uma expressão que nos trás a possibilidade de duas dimensões do reino espiritual, a dimensão visível e a dimensão invisível.

Na dimensão visível do reino de Deus existe aquilo ao qual vemos e o que nós fazemos e o que Deus faz por nós, e, também a vontade de Deus cumprida no desdobramento da historia, e, esse é o desejo de quem hora a Oração Dominical, ele não quer que a sua vontade seja feita, mas que Deus faça conforme a Sua vontade ele ora assim: “faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;”, na dimensão visível e invisível, no  mundo e nas regiões celestiais, o desejo de quem ora e deve orar esta oração de falto é que, na dimensão do visível, aqui na terra, à vontade Deus prevaleça, e não os nossos caprichos, interesses e vontades. E a dimensão invisível deste “venha o teu reino” é aquilo que nós não vemos, mas Deus esta fazendo apesar de nós. Deus está fazendo na vida de quem nós conhecemos e de quem nós não conhecemos como nós não queremos e nem imaginamos, mas Deus está fazendo, na dimensão invisível Deus esta trabalhando, e por trás daqueles que trabalham, de pessoas tão imperfeitas e inesperadas, mas instrumentos da graça e da misericórdia de Deus. Por trás daqueles que trabalham neste mundo em o nome do Senhor Jesus Cristo, ou não, prevalece a vontade de Deus como no Céu. Assim na terra como no céu...

Vamos pensar então nesta dimensão espiritual do Reino de Deus.

Quero lembrar aos irmãos a questão do tempo de Deus (kairós) que, não é o nosso tempo. Nesse tempo nós esperamos que as coisas acontecessem. Cada um espera que as coisas aconteçam no tempo que deseja, mas não é bem assim que acontecem.

No nosso tempo parece que as coisas demoram, não era para ser assim a nossa visão como crentes no Senhor Jesus Cristo que sabemos que cem anos nessa terra não são nada se comparados a uma eternidade de dias. Mas o tempo de Deus é o tempo sempre presente, o Senhor vê o passado o presente e o futuro em um ponto, mas nós estamos presos no tempo histórico que nós chamamos krônos, e, corrigir o presente é algo muito difícil, eu considero impossível corrigir o presente, ou voltar no passado ou  ir direto para o futuro como nos filmes Exterminador do Futuro e Djavu, mas nós podemos corrigir no futuro os erros do passado, assim, quem não tem passado não tem futuro, isto é, não vejo futuro nas coisas que são feitas sem uma avaliação do processo histórico. A nação que não faz continuamente uma avaliação do processo histórico, dos erros do passado, das injustiças cometidas, o povo que não olha para o passado e não faz uma avaliação dos erros e das injustiças do passado tendem a cometer no presente as mesmas injustiças e erros do passado. Uma máxima de biblioteca e de professor de história é que “o povo que não conhece a sua história tende a repeti-la.” Isso é bem verdade.

Por isso o homem precisa estar consciente do que esta acontecendo ao seu redor.  Karl Barth dizia que o pastor deveria ter uma Bíblia numa mão e um jornal na outra.

Quando se fala em guardar-se incontaminado do mundo eu acendo um sinal vermelho para o risco de transformarmos nossa casa num convento e nos isolarmos do mundo, ou transformarmos a própria igreja num convento nos isolando do mundo, nos julgando santos demais e bons demais para andar com os outros homens, cometendo os erros que a igreja comete desde muito tempo, isso é muito forte no período medieval, mas até hoje têm muitos monges e monjas por ai, vivendo em conventos (estou me referindo aos protestantes e algumas igrejas, não aos que vivem no monasticismo); isso é um perigo.

Como Deus age por trás da história? E como nós devemos agir na história?

Este é um grande desafio para a igreja que está no mundo, e, nós temos que continuar no mundo a nossa militância como igreja de Jesus Cristo. Nós não podemos esperar a volta de Cristo apena esperando a volta de Cristo. Um dos assuntos que vamos tratar aqui é como nós devemos esperar a volta de Cristo.

Muita gente fala assim: “Ah! Que Cristo volte logo!” Para fugir dos seus próprios problemas. Será que é assim que Deus quer que esperemos a volta do nosso Senhor. Muitos desejam a volta de Cristo por estarem cansados e desanimados. Será que é assim que devemos esperar a Sua volta?

Como Deus age na história e como nós devemos agir na história?

Vamos pensar então nessa máxima da oração dominical: “Venha o teu reino”, nessa dimensão visível.

“venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;”

E também Mateus 28:20 “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século.”

Então, quando nós oramos “venha o teu reino”, nós não desejamos a morte, nós não desejamos como muitos cristãos pré-milenistas e dispensacionalistas desejam, um arrebatamento da igreja antes que ela venha passar por tribulações nesta terra. Nós não temos o desejo de uma fuga de nossas responsabilidades, de nossos deveres, de nossas lutas, de nossos desafios, para aguardarmos a presença de nosso Senhor Jesus Cristo.

A presença de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser clamada, invocada, pedida nesta oração hoje, para hoje. Nós não pedimos que “venha o teu Reino”, num tempo futuro, na era vindoura, no dia da ressurreição ou quando nós morrermos. Não é isso que a oração dominical nos ensina em “venha o teu reino”, e sim que o Senhor Jesus está conosco hoje.

É possível vivermos a realidade da presença de Deus se cremos em Deus, se o recebemos como Senhor, então aquilo que vemos e o que Deus faz por meio de nós é a vontade de Deus que nós oramos pedindo na Oração Dominical, quando dizemos “faça-se a sua vontade” aqui na terra.

Se você deseja que a vontade de Deus seja feita aqui na terra, você precisa orar a Oração Dominical com o coração disposto a obedecer à ordem de nosso Senhor, você deve fazer esta oração disposto e disposta a ser obediente. Você não deve orar “faça-se a tua vontade” se você não deseja a vontade de Deus para a sua vida. Se a vontade de Deus é algo do qual você quer fugir, talvez até através da morte ou de um arrebatamento ou de uma abdução extraterrestre, qualquer coisa... De uma alienação ou de um isolamento frenético de ascetismo religioso, por que você não quer a vontade de Deus.

Faça-se a vontade de Deus aqui na terra... Quando você ora isso, você está se comprometendo com a vontade de Deus, aquilo que Deus quer que você faça.

Como deve viver a igreja que deseja o Reino de Deus e a sua implantação e que ora o Pai Nosso, sem hipocrisia, mas compromisso com a vontade de Deus.

“Primeiro de tudo, devemos começar conosco mesmo e com as nossas famílias. A família deve ser fortalecida em sua vida religiosa e econômica, e em suas responsabilidades para com cada membro. Os filhos têm o dever de sustentar e cuidar dos seus pais, e manter uma forte ligação religiosa e econômica com eles.

Segundo, a igreja, antes de ser uma instituição e corporação legal, é a família de Deus. Isso significa a necessidade de cuidar uns dos outros. O diaconato, e o cuidado pelas viúvas, precisam ser revividos para ministrar às necessidades do povo de Cristo, material e espiritualmente, Não existe uma congregação sem membros idosos que precisam de alguém para fazer suas compras, limpar sua casa, cuidar de certos deveres, e muito mais. É farisaísmo enviar dinheiro ao exterior para cuidar dos necessitados – um ato impessoal –, e negligenciar o ato pessoal e responsável da casa. Ajudar alguém próximo significa um envolvimento continuo dores de coluna e de coração; mas isso é o que envolve qualquer trabalho. A igreja deveria ministrar à fome e sede espiritual e material, dos seus membros.

Terceiro, escolas, universidades, institutos e centros de treinamento cristãos são de necessidade urgente. Igreja ou pais que não se importam com o fato de seus filhos receberem uma educação sem Deus é marca de apostasia.

Quarto, a ação política cristã é necessária, com o objetivo de fazer do Estado novamente um Estado cristão, e ter suas ações conformadas à lei de Deus.

Quinto, as organizações cristãs profissionais são urgentemente necessárias. Médicos, advogados, e outros profissionais cristãos devem criar suas próprias agências profissionais para promover uma visão teologicamente sadia, não pietista, de suas profissões. Isso significa também hospitais cristãos, pensões, asilos para aqueles que não têm família, e muito, muito mais.

Isso significa sexto, estudar todo tipo de chamado a partir da perspectiva da fé e lei bíblica. O que constitui um agricultor cristão? Quão importantes são os vendedores comerciantes, corretores de imóveis, empresários e qualquer outro trabalhador na reconstrução piedosa?

Isso significa sétimo, que a ciência deve ser vista como tudo o mais como uma área de chamado, na qual o conhecimento e o domínio sob Deus deve ser promovido.

Depois, é suficiente dizer que o básico para todas essas atividades – saúde, educação, bem-estar, política, economia, família, igreja, nossas vocações, e assim por diante – é a necessidade de dizimar, de modo que a obra da reconstrução possa ser acelerada." O dízimo é do Senhor e não da Lei ou da Igreja... Por isso é um ato voluntário e da graça, assim com ofertar. 

“Finalmente, outra área deve ser mencionada: a oração. A primeira petição da Oração do Senhor diz: “venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;” Essa deve ser a nossa oração e também o nosso chamado.”(Rushdoony, 2008)

Se esse não for o seu trabalho não faca essa oração!

Vamos pensar agora nessa dimensão do invisível. “Venha o teu reino”.

Aquilo que não vemos mais que Deus está fazendo apesar de nós.
 
Efésios 1.3, no contexto do ensino sobre a predestinação, há alguma coisa muito interessante para a aplicação nesta reflexão de hoje. Diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo,”  E, Apocalipse 17.8: “a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá.” E, também 13.8 “e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.”

Estes textos nos situam completamente fora do tempo e do espaço da dimensão do visiível para o invisível... Quando Cristo na cruz disse “está consumado”, ele acabou de vencer uma batalha espiritual, a batalha da cruz. Existe um cronograma do conflito na historia e uma batalha nas regiões celestiais... Mateus 27.33-56 faz a narrativa da batalha da cruz, a qual é um momento máximo, a plenitude dos tempos, mas eu quero voltar um pouco mais, para o momento em que nós encontramos o Senhor Jesus sendo apresentado como aquele que viria para essa guerra espiritual e vence esta guerra espiritual nas regiões celestiais, mas essa batalha é vencida num lugar na terra, o Golgotá ou Calvário, ou seja o lugar da caveira, onde o Senhor Jesus Cristo venceu a morte e o inferno na cruz.

Vamos pensar de novo, quando ele foi apresentado, o próprio Deus o apresentou dizendo: “este é o meu filho”. Em Mateus 3.17. “E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” Mas, como João o apresentou? “eis o cordeiro de Deus”. João 1:29 “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” E João 1:36 “e, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus!” Desde então o Senhor Jesus tem que travar conflitos espirituais no deserto. Foi o inicio dos conflitos. Foram muitos conflitos e traição, até a vitória. Uma vitória que era uma aparente derrota. Por que ele foi visto sangrar. Quem não consegue imaginar, pode assistir ao filme e ter uma idéia dos sofrimentos físicos do salvador. As narrativas dos evangelhos comprovam que foi de fato penosa a morte de nosso Senhor, e, ele foi visto ali como um fracassado, mas em sua morte ele venceu o ultimo inimigo. A vitória do nosso Senhor Jesus foi uma aparente derrota, os nossos inimigos desejam matá-lo, para eliminar o nosso salvador e impedir a nossa salvação, a qual ele realizava nas regiões celestiais.

A batalha esta ganha, Jesus irrompe como uma explosão atômica os limites do espiritual e do físico, das dimensões, dos tempos e dos espaços, acontecem treva e terremotos, o véu do templo se rasga e ocorrem ressurreições neste dia. No entanto...

Nós vivemos negligentemente brincando de igreja, e, não sabemos que quando nos reunimos aqui, nos reunimos em Cristo Jesus; a batalha do calvário que é anunciada nos evangelhos, travada antes da fundação do mundo, no tempo de Deus, e hoje nos reunimos em nome de Jesus para celebrar esta vitória, e não nos damos conta disso...

Às vezes por causa da ignorância, insensatez e imaturidade espiritual deixar-se de gozar da vitória em Cristo. Jesus Cristo arromba as portas do hades, como Davi que levanta e exibe a cabeça de Golias (Amorese, 1994), Cristo também declara a vitória do cordeiro.

E nós nos reunimos em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Enfim em Apocalipse 12.11-12 temos as fontes do poder que vence, e nós somos participantes desta vitória em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, diz: “Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida. Por isso, festejai, ó céus, e vós, os que neles habitais. Ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta.”

Quais são segundo esta Palavra as fontes do poder que vence? O sangue do Cordeiro e a palavra do testemunho. Quando nós falamos “faça-se a tua vontade assim na terra como no céu”, pensamos que no céu os anjos fazem a vontade de Deus. A Palavra de Deus diz que os anjos são ministros obedientes à ordem de Deus, e quando nós oramos que a vontade de Deus de fato se estabeleça aqui na terra, nós estamos dizendo que queremos atender a ordem de Deus aqui na terra como os anjos lhe obedecem no céu.

As fontes do poder que vence estão no sangue do cordeiro que foi morto! E, nós nos acovardamos diante das nossas dificuldades... Mas, a fonte do poder que vence tem o exemplo daqueles que testemunharam em face da própria morte, isso nos envergonha. O apelo hoje da Oração Dominical é uma ordem a viver e fazer a vontade de Deus, sabedores que a vontade de Deus prevalecerá; apenas você meu irmão e irmã que não se sujeita a vontade de Deus e que, pensa ter escolha, mas não tem escolha, sofrerá o dano da angustia de não estar no centro da sua vontade, da vontade soberana do poderoso Deus que executa os Seus desígnios. E até mesmo nós vimos que aqueles que adorarão a besta, desde os tempos eternos já não têm os seus nomes escritos no livro da vida, e salvos são aqueles que têm o seu nome escrito no livro da vida do cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo.

É interessante ler o livro de apocalipse datar o evento da morte de Jesus Cristo ante da fundação do mundo, já que no tempo histórico, nós o situamos mais ou menos no ano 30 da era cristã. Isso evidencia que o sangue do senhor Jesus é suficiente para purificar aos eleitos, tanto os do período do velho, quanto os do período do novo testamento, por que espiritualmente a vitória ocorreu antes da fundação do mundo.

Então hoje discorremos sobre estas duas dimensões, e os irmãos puderam compreender e podem pedir a graça do Espírito Santo para experimentar estas bênçãos espirituais que residem nas regiões celestiais  em Cristo Jesus. Estas bênçãos podem ser gozadas em vários momentos em que nos reunimos, e, em que como igreja trabalhamos, oramos e vivemos a Palavra de nosso Senhor Jesus Cristo: “faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”.

Oremos...

Santo e soberano Deus, nos lhe damos graças por aqui nos reunirmos em Cristo Jesus, não vendo, contudo o que acontece neste momento nas regiões celestiais, mas confiamos que a sua vontade prevalecerá. Sejam os nossos corações e nossa dedicação para estar no centro da sua vontade, como instrumentos de sua graça e misericórdia, vivendo o evangelho que nós proclamamos quando oramos a oração que o nosso Senhor nos ensinou, e quando obedecemos à ordem de anunciar o evangelho, anelo dos anjos que lhe obedecem aos desígnios, mas que foi confiado a nós para que também nós sejamos obedientes como estes seus ministros são. Preguemos então o evangelho no poder do Espírito Santo. Como está escrito, o Senhor estará conosco e a sua presença é real! E nós não aguardamos a sua volta para que gozemos a sua presença, nós esperamos a sua volta obedecendo a sua Palavra em nome de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Amém.

DIA DOS NAMORADOS IGREJA PRESBITERIANA DO LAGO AZUL

sábado, 12 de junho de 2010

VIRADA IDEOLÓGICA


Virada ideológica... O que escrevo aqui tem sua relevância em face de estarmos em ano de Copa do Mundo de Futebol e em ano Eleitoral. Quero compartilhar um pouco do que vivo e vejo. Sou brasileiro e filho de um militante do antigo PCB (Partido Comunista Brasileiro) que, se tornou o primeiro pastor filiado no partidão que sobreviveu clandestinamente no Brasil durante os anos da ditadura militar. 

Não defendo ditadura nenhuma! Penso que toda ditadura é cruel e violenta, mas, graças aos anos de ditadura o Brasil não se tornou à semelhança dos vizinhos da América do Sul campo de guerra onde convivem terroristas guerrilheiros e traficantes como heróis de supostas revoluções, as quais, nunca transformaram a realidade social, econômica e política desses países, a não ser para piorarem ainda mais. Fazendo do país do micro-desenvolvimento, o Brasil, o maior e mais desenvolvido pais da América latina. Males que vem para bem, ainda que tivéssemos opção melhor.

Meu pai, posteriormente, com a maior parte do PCB fundou o PPS Partido Popular Socialista que reavalia a sua própria história e a história do socialismo no mundo e sofre a discriminação da Esquerda Brasileira, por ser a Esquerda que “evoluiu para direita”. 

Eu cresci num lar democrático, mas, com valores e éticas fortes, com a presença paterna forte de um pastor idealista. Se em política ele tendia a esquerda, em moral nunca foi um liberal. E em nosso Lar todas as tendências políticas conviviam em tensões, mas, pacificamente. Logo, me tornei militante do Partido dos Trabalhadores, do movimento estudantil e dos Núcleos de Base do Partido, convivi de perto com lideranças políticas sindicais, mas, como o Evangelho e a educação familiar prevaleceram!... 

Não poderia conciliar o parasitismo dos comunistas com a ética do trabalho da Teologia de Calvino, não pude conciliar a moral cristã com a liberalidade sexual, com sua defesa a favor do aborto e da deterioração da instituição familiar. 

Tornei-me conservador tardiamente, por acreditar no ideal de igualdade, liberdade e fraternidade, comumente propalado pela imprensa vermelha e comum com o cristianismo, mas, quando os socialistas começam a contar o dinheiro se tornam terríveis e selvagens “capitalistas”. Isso me decepcionou muito.

Hoje o elemento parasítico da práxis socialista é verificado no crescimento monstruoso das práticas de corrupção em todas as esferas de poder do Partido dos Trabalhadores. Enquanto eles gastam regaladamente o dinheiro público, os políticos ascendentes do país se ocupam na Câmara Federal de lesar o povo distraído com o futebol e com o carnaval. Ocupam-se de criar leis que visam o aborto, a ampliação de direitos aos homossexuais como classe superior as pessoas heterossexuais, o reconhecimento da prostituição como profissão digna, restrições às igrejas protestantes e favorecimentos a antiga religião estatal (a papista e romanista), o anti-semitismo e a exaltação da cultura africana com a valorização das expressões e dos rituais religiosos da cultura negra.

Então percebi que havia inimizade com Deus e com os valores da Santa Escritura, os quais serão para os promotores do ideário do Governo Lula, sempre fundamentalistas, intolerantes e preconceituosos. 

Hoje eu vivo o peso de ser discriminado e rejeitado por ser conservador, principalmente pelos que se dizem lutadores contra o preconceito e a discriminação, ainda que eu pense ser um conservador e liberal de esquerda em política e reformado calvinista em teologia. Àqueles que se dizem liberais modernos e democráticos em política e se dizem partidários do próprio Espírito Santo em teologia, que só a facção deles ora, busca a Deus e tem unção, não fosse um partido, mas, estes são cruéis para com aqueles que não apóiam os seus discursos e as suas causas.

Servindo a sua própria causa estes evangélicos brasileiros se alinham, sempre ao poder e esquecem o direito e liberdade do culto protestante no Brasil, são procurados apenas em tempo de eleições e servem a desunidade e enfraquecimento da comunidade cristã e fortalecem a tirania antidemocrática no Brasil, um país livre para pecar, e escravo para toda a Verdade de Deus.

Por isso não se iluda, reveja suas posições e não deixe que a bola na rede e os foguetes distraiam você, a ponto de se esquecer seus deveres como cristão e cidadão.

Anatote Lopes, IPB, 2010