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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

IGREJA PRESBITERIANA DE DRACENA

De portas abertas...

Uma Igreja Autêntica, Reformada, moderna e Transformadora.


Organizada em 1959, fruto do labor missionário de irmão que amaram esta terra e nela anunciram a Salvaçao desde 1943.

A Igreja Presbiteriana de Dracena é Autêntica, Reformada, Moderna e Transformadora. É parte da única e verdadeira igreja de Jesus Cristo; preservada e sustentada por todo o globo terrestre; parte da Igreja Presbiteriana do Brasil - IPB - implantada no Brasil em 1859 por ocasião da chegada do missionário americano A. G. Simonton e integra a comunidade internacional de igrejas originárias da Reforma Protestante deflagrada na Alemanha por Martin Luther (Lutero) no dia 31 de Outubro de 1517 e do presbiterianismo que surgiu na Escócia sob a liderança de John Knox em 1533. Sua teologia foi organizada pela mais inteligente mente do final do período da Renascença e início do Iluminismo, cuja influência está presente em todas as igrejas reformadas e na sociedade européia e americana, o erudito filósofo, humanista, com formação em Direito, Letras e Teologia, alcançou o grau de doutor em todas elas, estadista, Pastor de Genebra, na Suiça, John Calvin (Calvino). Rege-se pela Constituição Interna, Código de Disciplina e Princípios de Liturgia da IPB. Portanto, é Bíblica na sua pregação, Celebração dos Sacramentos e na prática da disciplina; fervorosa na oração e racional na adoração; relevante na cidade onde está estabelecida desde 1959; na "Cidade Milagre", Dracena - São Paulo.

Autêntica porque ensina o conhecimento de si mesmo e da condição em que se encontram todos os homens.

Reformada, ou seja, aceita a identidade histórica, doutrinária e liturgica e como ensinos bíblicos os ensinamentos dos reformadores e adota o moto da Reforma: "Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est" (Igreja Reformada Sempre se Reformando). A igreja de Dracena aceita o desafio de tornar vivas para a sua geração e para as novas gerações, as mesmas verdade bíblicas resgatadas pelos reformadores em seu próprio tempo, exercendo um serviço fiel, arrojado, dinâmico e impactante, sem aceitar doutrinas e métodos que firam os ensinos da Escritura, os padrões de fé da IPB, seus Princípios de Liturgia, sua eclesiologia, e as decisões do Supremo Concílio da IPB.

É moderna sem deixar de Bíblica e atual sem deixar de ser tradicional. É o encontro de tradições cristãs e novidades, pois a Bíblia continuará sendo atual, suficiente e indispensável e estará sempre acima de quaisquer tradições humanas e modismos. Tranformadora; por isso programa mudanças e as considera à luz da Escritura. Cria um ambiente onde o moderno e o tradicional ao mesmo tempo estão presentes e submissos a Palavra de Deus proporcionando, espiritualidade e comunhão, e ao mesmo tempo prazer e descontração, cura e entusiasmo. Onde fazemos tudo para a glória de Deus com grande alegria, e desfrutamos do amor de Deus em comunhão espiritual, e do perdão de Deus, não considerando os nossos pecados, mas Cristo que nos perdoou e nos acolheu em seu amor eterno, Nele somos um.

domingo, 23 de janeiro de 2011

ORAI SEM CESSAR

I Ts 5.17

Os pastores e presbíteros às vezes são surpreendidos com a pergunta: ― Quantas horas por semana o senhor ora? Essa pergunta é muito perspicaz. Mas, com todo respeito, e, contando com a compreensão de quem pergunta, prefiro não responder, e depois pedir sua atenção ao meu parecer sobre o assunto por trás dessa pergunta.

Um homem que declara orar e jejuar tantas e tantas vezes por dia pode estar sendo carnal, mesmo que não minta quanto à regularidade da sua agenda de oração. A questão é que "orar sem cessar" passa muito mais pelo aperfeiçoamento de um caráter do que pelo exercício religioso, pela regulamentação de períodos de oração e padrões de espiritualidade. Para obedecer ao que preceitua o imperativo: "Orai sem cessar" é essencial uma postura da alma, uma busca do coração, o que obviamente transcende a disciplina de devoção e a diligencia do dever.

Um homem que ora e jejua pode se sentir um "super crente", como o que muito estuda e pode se sentir auto-suficiente, pois numa busca tão ascética de jejum e oração a pessoa facilmente pode permanecer auto-dependente e involuntariamente carnal.

Orar com o corpo não pode ser reduzido ao prostrar-se ou ajoelhar-se, mas estar onde Deus quer e fazer a vontade de Deus. Orar com o coração não pode ser reduzido à emocionalidade, introspecção religiosa e contemplativa, mas ocupar o pensamento em cultivar o amor e desejos de prosperidade, paz e unidade para com todos. Orar com Palavras é comunicar a Salvação e guardar a boca para não falar insensatamente ou levianamente.
Orar sem cessar é aprender os princípios da oração do Pai Nosso e vivê-los, e, não simplesmente rezar negligentemente como quem faz promessas de dar a Deus louvor, viver com simplicidade para Ele e fazer a vontade dEle, ser grato pelo necessário e um bom mordomo de tudo quanto Deus o confiar, perdoar e resistir às tentações da vida, muito mais e continuar o curso da vida como se Deus não existisse e ignorando também o próximo. Orar sem cessar, ainda que convenha manter períodos de oração regulares, é um viver por nosso Senhor Jesus Cristo de forma produtiva e influente na sociedade.

Com nossos atos honramos o nome que pronunciamos com os nossos lábios em cada uma de nossas orações, sejam poucas ou muitas se fala a nós Mateus 15.8: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” Talvez ainda seja possível voltar atrás e corrigir, mas se mudarmos a nossa atitude, a partir daqui e de hoje em diante, teremos muito mais unidade, paz e prosperidade nessa cidade.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

SIGA ESTA ESTRELA

A Bíblia nos exorta a oração pelas autoridades, independente de nossas preferências. A autoridade política, mesmo que tenha mais ou menos aprovação popular, pode nos decepcionar; logo, o Senhor cuidadosamente nos adverte a seguir o caminho apontado pela estrela de Belém, JESUS! Não confieis nesta ou naquela estrela, mas no indicado Salvador e Rei dos Reis. Não importa em quem tenhamos votado nas últimas eleições, isso não fará a menor diferença agora.

No início deste ano testemunhamos a subida da rampa do Palácio do Planalto pela primeira presidenta do Brasil. Embora as luzes e os focos apontassem para Marcela Temer, a personagem principal desta cena é Dilma. Na fundação do partido da presidenta, a campanha era ―Siga esta estrela, filie-se no PT. Mas é claro que não devemos depositar nossa paz e segurança nela ou em seu partido, que tem como símbolo uma estrela. Nossa esperança continua em nosso Senhor Jesus Cristo, o qual teve o lugar de seu nascimento apontado por uma estrela: um sinal luminoso no céu que conduzira os magos do oriente até a casa de Belém onde encontraram sua mãe, Maria, com o menino, Jesus, e o adoraram, entregaram-lhe presentes e retornaram cuidadosamente para que não morressem nas mãos da autoridade política.

Percebemos que os magos não bajularam ao Rei Herodes, não presentearam a mãe do Salvador e nem lhe deram culto, mas somente a Jesus honraram com oferendas e adoração, conforme lemos: ― "E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo. Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra."
(Mateus 2.10,11). Jesus é a luz das nações apresentada pelo profeta Isaias: ― "As nações se encaminharão para a tua luz, e os reis para o resplendor da tua aurora." (Isaias 60.3). E, ― "Também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até as extremidades da terra." (Isaias 49.6b). Soli Deo Gloria.

domingo, 2 de janeiro de 2011

O Consolo do Natal para um feliz ano novo!

Depois de um período festejando o Natal entramos no ano de 2011 com muitos sonhos. Não apenas sonhos, trazemos preocupações e tristezas também. Os dissabores de 2010 produziram uma nuvem que nos impede ver... Quantas bênçãos recebidas!

Algumas pessoas necessitam de consolo para que tenham esperança de um 2011 de muito mais bênçãos e realizações. A palavra “Consolo” vem do latim cum+solis e significa “com sol”.

Precisamos de consolo e essa é a missão do Espírito Santo. O profeta Isaías adverte: “os abrigos que vocês confiam não são seguros” (Is 28.17), quando não confiamos em Deus. Chuvas torrenciais são certas. Problemas, dificuldades, desventuras, temos uma “Defesa Civil” em estado de alerta? O texto bíblico trata da falsa segurança, e enchentes são figuras para descrever o castigo sobre Judá que se afastou do único que poderia resolver o problema.

Jesus é o fiel alicerce contra o poder destruidor das “enchentes” e de todas as “catástrofes”. “O Senhor, nosso Deus, diz: Consolem, consolem o meu povo” (Is. 40.1). Tais palavras fora uma previsão meteorológica, alertando, preparem-se para o temporal que se arma no horizonte. Mas o Senhor está dizendo: Estou aqui e não os abandonarei.

Há vidas encobertas sob nuvens de coisas, vidas sem sol. Aliás, os cristãos escolheram o 25 de dezembro, dia em que os gregos antigos lembravam o nascimento do deus-sol, exatamente para lembrar que coisas e criaturas jamais podem consolar. Jesus é o nosso Sol, o consolo do Natal. Nós temos o consolo, temos Cristo, o nosso Natal, o nosso Sol a brilhar, Sua luz a nos guiar e Vida abundante no resplendor de Sua luz para um 2011 de sucesso.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ORAÇÃO DE ARREPENDIMENTO



Por João Calvino

Senhor Deus, Pai eterno e Todo-Poderoso, reconhecemos e confessamos diante de tua santa majestade que somos pobres pecadores. Nascidos na escravidão do pecado, propensos ao mal, incapazes por nós mesmos de fazer o bem, transgredimos todos os dias e de várias maneiras os teus santos mandamentos, e atraímos sobre nós, pelo teu justo juízo, somente a condenação e a morte. 

Porém, Senhor, sentimos uma viva dor por tê-lo ofendido; condenamo-nos, a nós mesmos e aos nossos defeitos, com verdadeiro arrependimento; recorremos à tua graça e te suplicamos que venha em ajuda a nossa miséria. Queira por isso ter piedade de nós, Deus bondoso, Pai misericordioso, e perdoa-nos os nossos pecados pelo amor de Jesus Cristo, teu Filho, nosso Salvador. 

[Apagando as nossas manchas], concede-nos e aumenta-nos continuamente as graças do teu Santo Espírito, para que, reconhecendo cada vez mais as nossas falhas, sejamos vivamente tocados, e reneguemos tudo em nossos corações que não sejam das porções dos frutos de justiça e santidade, que te sejam agradáveis, Pai de amor, por Jesus Cristo o nosso Senhor. 

Amém.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

VIVENDO CADA DIA PRIORIZANDO JESUS

A cada dia as reuniões de planejamento e administração eclesiástica seguem as urgências e os interesses pessoais daqueles que deveriam colocar em primeiro lugar o cuidado do rebanho.

A maneira antiga de dirigir a igreja estabelecia um calendário eclesiástico voltado para o anuncio do evangelho, e, as reuniões de culto e as atividades da igreja priorizavam as datas deste calendário: as comemorações do Natal, Paixão de Cristo, Páscoa, Ascensão e Pentecostes. 

Hoje comemoramos datas comerciais como dias de pais, mães e crianças e dias do homem, da mulher dos presbíteros, dos diáconos, dos jovens e dos idosos, mas é comum no natal ou na páscoa, a igreja estar pouco atenta a importância dos eventos da história da Salvação que essas datas lembram.

Hoje seria o ultimo dia do ano eclesiástico. Podemos resgatar, retomar o uso do calendário eclesiástico, fazer nossas homenagens às pessoas fora do culto divino e recomeçar a anunciar o Natal quatro domingos antes do dia 25 de dezembro, valorizando o dia do Senhor e as boas novas de Salvação, anunciar o Evangelho e a causa do Evangelho deve voltar a ser a prioridade dos evangélicos.

Rev. Anatote Lopes

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

"SEGUE-ME"


Sempre me orgulhei de não ter inimigos, não ter preocupações e encarar os problemas com muito bom humor, mas hoje? Hoje não tenho o mesmo bom humor. Trago muitas preocupações e dúvidas, decepções e frustrações, e, aprendi a viver contente e ao mesmo tempo preocupado, desconfiado e decepcionado.

O que me preocupa? Ora, o caráter dos crentes e dos pastores de hoje e o futuro da igreja evangélica. Porque ando desconfiado? Ora, antes podíamos confiar em um crente e em um pastor, minha experiência me tem feito olhar com desconfiança principalmente o uso da prerrogativa de “servo de Deus” pelos crentes e do título de “pastor” em contextos que a honestidade deveria ser provada pela ética, transparência e discrição. Decepcionado? Não deveria me decepcionar, já que somos todos pecadores. Mas, eu esperava mais, principalmente amor e perdão nos limites da Igreja.

Ah! Eu sou feliz! Meus filhos têm vovô, vovó, bisavô e bisavó, papai e mamãe, 21 primos, doze tios, além de uma família enorme, muitos parentes, tenho novos amigos e amigos e amigas a 10, 20 e 30 anos ou mais; como uma multidão que me apoia que me aconselha e às vezes releva quando erro, não deveria me preocupar com o falta de amor e de reconhecimento por parte de meia dúzia que agoniza e convulsiona na sua incompetência ou adoece na sua inveja ou no seu ódio, já que tenho o carinho destas centenas de pessoas que, mesmo quando discordam de mim, me apoiam. Afinal, tive a graça de ser desprendido de compensações, e indiferente às perseguições e extrovertido por tanto tempo, então, qual é o problema?

O problema é a pressão para que eu não seja eu mesmo. A invasão da minha privacidade, a inveja do insignificante feliz que eu sou, de como vivo e me relaciono com um circulo intimo e uma grande quantidade de amigos, aos quais, expresso minha admiração e respeito, minha franqueza e transparência, o que dispenso também aos meus inimigos. Meu sorriso incomoda mais que minhas palavras. Minha segurança em aparente derrota irrita mais que minhas queixas. As minhas alegrias incomodam. Minhas ideias incomodam, até minhas lutas e meus dissabores incomodam! Assim, descobri que esse mundo “plural” não tolera e não suporta quem pressionado não sede, quem não se rende quem não concorda e não aplaude os ícones da unanimidade, quem ousa pensar por si, quem não permite que o partido “A” ou o partido “B” pense por ele.

E o pior é exercer o direito de opinião. – Você discordando dele? Quem é você? Ora, sou eu no livre exercício do direito de pensar, de fazer a minha leitura, de escolher a minha hermenêutica, e de dizer com o que concordo e do que discordo. Afinal, os mortais também têm o direito de existir. Deixem-me existir na minha insignificância. Deixe-me fazer a minha agenda, a minha escolha, deixe-me seguir a quem desejo, deixe-me seguir o meu caminho; se você não quer caminhar comigo, não me diga para levar a sua carga pesada e nem para onde ir, se você não é meu amigo nem me dê o seu conselho, se você vai à frente ou se fica, deixe-me ir ao meu ritmo, ao som da voz que ouço, no compasso da batida que me anima, cantando a canção que me encanta. Se você não quer ouvir tampe os ouvidos até passar a minha banda, por que meu caro solitário amigo da unanimidade? Eu não sigo sozinho. Eu sou do bem. Não trago nada novo, mas procuro novo alento e renovo; outros do bem vêm comigo, seguindo o líder Servo, não a mim, mas aquele que disse com autoridade: “segue-me” (JESUS).
Às vezes tiro do bom tesouro coisas velhas, às vezes da mesma arca tiro coisas novas. Aprecio "vinho novo", mas não dispenso o "vinho velho"; tenho amigos gregos e troianos. Convém declarar novamente que a opinião de Deus é que me importa. O que Ele pensa de mim importa mais para mim do que a opinião de todos os amigos e inimigos que fiz na caminhada.

O que desejo dar a todos é o que às vezes não recebi: a compreensão, a tolerância, o respeito à diversidade sem abrir mão da minha posição, e, dar o que recebi; a saber: a preferência por alguns, a admiração sincera por outros, o apoio aos que necessitarem e me pedirem sem fazer exceção, mesmo aos meus inimigos, enfim, não dar a ninguém a glória e honra devida somente a Deus. E fazer ao outro o que se pode fazer em amor a Deus. A glória é de Deus.

Anatote Lopes, IPB, 2010 

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A REJEIÇÃO E A SOLIDÃO

Rejeição, perseguição, afronta, indiferença e ironia... As vezes nos leva a solidão, e, a solidão nos leva ao silêncio, e, no silêncio encontramos o conhecimento de Deus.
Mergulhamos num mar de dor e de alegria, de crucificação e ressurreição.
Emergimos ressuscitados para proclamar a grandeza do Deus vivo a quem queira ouvir.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO DE PESSOAS E DE PÃO

          Com a impossibilidade lógico-matemática “um mais um é sempre mais que dois” o poeta e cantor da música popular brasileira afirma algo impossível. Uma verdade! Um milagre!
            Ele é o Beto Guedes, de Minas Gerais, e ainda que não trate deste assunto na canção, ele afirma o poder multiplicador da unidade e me faz pensar na comunhão dos cristãos e sua unidade no primeiro século.
            Me faz pensar na comunhão sacramental: “repartir o pão”; assim viviam os primeiros cristãos e cresciam em número, atendendo entre eles os que necessitavam do pão diário também.
            Ainda que não consigamos reproduzir o modelo desta comunidade primitiva, podemos, se quisermos, desfrutar da unidade e suas recorrentes vantagens, e encontrarmos a vivência da comunhão e a força que vem do partir do pão, no poder do Espírito Santo, como viviam os primeiros cristãos.

Rev. Anatote Lopes

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

OS TRÊS ÓCIOS E A VOCAÇÃO (OU O TRABALHO) PASTORAL


O que faço agora é o exercício de um “vagabundo” aos olhos de muitos, qual seja: pensar e escrever pensamentos. Pensabundo noctívago no terceiro turno de trabalho... Vagabundo de três turnos de trabalho? Isso mesmo. Eu sou pastor. Ser pastor é um grande privilégio! É que não cuido de gado ovino, bovino ou suíno, mas de gente. Esse nome de pastor é uma parábola, esse trabalho não é emprego, não é profissão, é chamada, é vocação, tal que ninguém pode compreender o mistério que existe neste chamado, senão aqueles que são vocacionados. Por que nem todos concebem precisar de alguém que cuide de suas almas, consideram um pastor algo totalmente desnecessário, inútil. Por isso, tentam dar outra finalidade ao ministério pastoral. 

Existem muitos falsos pastores! Dizem até que é fácil ser pastor nos nossos dias, mas ser pastor de verdade não é fácil. O primeiro turno de trabalho do pastor é no lar, junto à esposa e aos filhos. O segundo turno, nos campos do Senhor, junto às ovelhas que berram sem parar; berros, às vezes mudos e às vezes ocultos traiçoeiramente, além de outros compromissos eclesiásticos, administrativos, contatos que incluem outros pastores, autoridades e profissionais prestadores de serviços, além de divulgadores de seus próprios trabalhos que recorrem aos pastores para solicitarem algum tipo de apoio; e o terceiro turno, sob as estrelas, ao trepidar ruidoso da janela de uma casa antiga, ao ruído discreto do computador, leitura, reflexão, redação ou tendo às mãos, um livro de hermenêutica, teologia ou história eclesiástica. Ora, sermões não dão em árvores, a não ser um sermão pobre, podre, fraco, improvisado... É que até um bom improviso é fruto de uma mente preparada. O Ministério é de interpretar e servir as Escrituras para, por meio dela, exortar, consolar e ensinar.

Claro que às vezes, as demandas exigem uma miscelânea destas atividades no mesmo turno. O fato é que tudo isso, às vezes resulta em estresse e nem sempre colhemos os frutos do nosso penoso trabalho. As pessoas pensam que pastores não trabalham, ou que trabalham muito pouco, e poucos são os que nos defendem, até mesmo os colegas que pensam estar gozando de uma maior credibilidade. Muito do que o pastor faz não pode ser exibido para justificar a sua utilidade ou demonstrar o seu labor.

Minha rotina desde que me casei, sempre incluiu sair da cama de madrugada para levar minha esposa ao ponto de ônibus, por que morando sempre em lugar muito perigoso, e entendo ser zeloso e responsável, e não medroso; não vou deixar a minha linda esposa novinha com quem vivo já há mais de dez anos, em risco e à mercê dos bandidos, para depois figurar nos noticiários policiais como vitima de violência sexual ou roubo! Se for para isso acontecer, eu serei noticia, e se preciso, como morto, mas protegendo meu tesouro! Depois vieram os filhos e em seguida, alimentar e cuidar dos meus filhos, quando acordam, e depois, com um lanchinho no meio da manhã; um vai para creche mais cedo e o outro, até 13h30min, vai para escola de barriguinha cheia. No interregno, faço contatos eletrônicos e telefônicos, escrevo, posto artigos no blog, trabalho em um livro, leio e também faço meus exercícios físicos numa saída rápida para a academia. O que as demandas me fazem desistir durante semanas, nisso eu admito que esteja pecando.

Esse cuidado com a minha família e com o meu corpo, em primeiro lugar, foi um ponto muito positivo na avaliação por parte do meu tutor eclesiástico na ocasião que manifestou ser favorável à minha Ordenação ao Sagrado Ministério da Palavra e dos Sacramentos. Mas o populacho considera esse tempo dedicado ao bem estar da minha própria família e ao meu bem estar, um furto, e mesmo inconscientemente, comunicam que isso só deveria ser feito se sobrasse tempo.

Diz-se do indivíduo ocioso. Nós só pensamos no peso etimológico das palavras quando é lançado sobre nós. “Ocioso” é o indivíduo folgado, preguiçoso, e, a raiz desta palavra é “ócio”, a palavra “ocioso” não incomum utilizada para designar o indivíduo negligente e inerte. Do latim otiu, descanso, folga do trabalho. O tempo que dura essa folga. O lazer, vagar. Ociosidade. Mandriice, preguiça. Repouso. Sendo seu Antônimo, o trabalho e a ocupação. Mas existe “ocio”, um adjetivo que caracteriza o que está com cio (Apetite sexual dos animais em determinadas épocas). Significa correria, agitação, alvoroço, berra, brama, cavalgação, estro, o-cio das cadelas agitadas, o impulso deste ocio é sexual, é a libido a energia desta agitação, logo, o “ocioso” neste sentido, é o individuo que corre pelo instinto  animalesco e de sobrevivência, impulsionado pela carne e suas paixões. Ócio e ocio são dois extremos.

Vamos pensar em três ócios: moral, espiritual e intelectual e físico.

Existe um ocio, e ele é sempre moral, ou imoral. Não existe outra atividade mais comum entre pessoas ociosas do que a maledicência. Na caserna, aprende-se que a curiosidade banal, pelo cotidiano das outras pessoas e a maledicência, popularmente conhecida como fofoca, é um ví-cio  tipicamente feminino, (do latim: vitiu, um Defeito físico ou moral; deformidade, imperfeição. Defeito que torna uma coisa ou um ato impróprios, inoperantes ou inaptos para o fim a que se destinam, ou para o efeito que devem produzir). Mas sabemos que homens também manifestam esse ocio e vício. Pastores são alvos preferidos de gente que se ocupa de vigiar a vida alheia de longe e de fora, tirando conclusões precipitadas. No caso de nós pastores, pensam que gastamos (eu particularmente tenho sido afligido por esta gente ociosa) todas as primeiras horas do nosso dia, e de todos os nossos dias, ociosamente; dormindo.


Outro ócio perturbador é o ócio espiritual e intelectual. As pessoas acometidas pelo ocio, comumente padecem de ócio intelectual e espiritual correm de um lado para o outro e realizam muitas obras, mas todas são infrutíferas, e não raramente, más, porque seus impulsos são carnais e mundanos.

As atividades intelectuais e espirituais são comumente injustiçadas com a alcunha de ociosidade. O pastor em seu exercício espiritual é afligido e castigado, e em meio às dores e angústias, é Deus quem o visita e consola, a fim de que também dê a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia (paráfrase de Romanos 9:23). Os pastores verdadeiros têm a sua vocação sustentada pelo do amor e pela graça de Deus.

Há pessoas que dedicam suas forças físicas nas atividades que fazem e acham que o trabalho intelectual e espiritual é nunca trabalhar. Um amigo pastor narrou sua experiência de encontrar na saída da igreja um irmão amado, profissional do trabalho braçal que, ao cumprimentá-lo disse, esfregando os seus calos na mão lisa do pastor, segurando-o firme pelo pulso: “sente aqui pastor o que é uma mão de homem trabalhador.” É normal um homem ignorante pensar que a única atividade que pode ser considerada trabalho seja a que faz calos nas mãos.

Os ( o-cio’s) impulsos carnais e mundanos produzem o hiperativismo, o qual é uma marca no ministério e na igreja hodierna; é um excesso de atividades que não são a missão da igreja, não servem a causa do evangelho e não glorificam a Deus. Os ministros são levados a esse tipo de comportamento quando sedem à pressões de homens de mente secularizada (carnal e mundana), os quais não sabem que a preparação espiritual e intelectual precede qualquer ação; por exemplo: visitar é preciso, mas qual é o propósito da visita? Se for comunicar Deus às pessoas, como o pastor pode fazê-lo sem que antes ele mesmo dedique tempo para encontrá-lo em oração e meditação na Sua Palavra?

As atividades que não deveriam exigir a presença pastoral devem abrir espaço para àquelas que realmente exigem, e os verdadeiros preguiçosos devem cooperar, orando e trabalhando para apoiar o ministério, ao invés de praticarem a maledicência e a difamação daqueles que estão lavorando na seara do Senhor.

Aqueles que vivem o ócio espiritual e intelectual tendem a criticar a dinâmica de trabalho dos verdadeiros guias espirituais.Pessoas ociosas espiritualmente e intelectualmente às vezes se dedicam a alguma atividade que exige esforço físico, ou se dedicam às atividades seculares e são preguiçosas para o trabalho intelectual e para os exercícios devocionais da oração, da meditação e do jejum.

O trabalho espiritual e intelectual sob pressão dos ociosos espirituais e intelectuais sofre significativa perda. Tais ociosos não servem a Deus em suas difamações e maledicências, provocando aflições e dores na alma dos ministros. É diabólico o estratagema de fazer um ministro sentir pesar em não sair de casa antes de um exercício devocional particular ou um culto doméstico com a família, pois antes de ter um encontro com as demandas do ministério, o pastor precisa ter um encontro com Deus; antes de distribuir graça, ele deve receber as efusões da graça de Deus por meio da oração e da meditação. A cada dia, as dinâmicas adotadas pela igreja matam e distorcem o propósito da vocação para ser canal da revelação e da graça de Deus, e gera ministérios profissionais, preocupados em atender às demandas do povo, preocupados em manter a credibilidade e a aceitação popular. Foi para atender a essas demandas, que Arão fez um bezerro de ouro para o povo na planície, enquanto Moisés se demorava no monte do ócio sagrado, no lugar da Palavra de Deus, no santo lugar da revelação.

Quero ainda abordar o ócio físico, vilão da obesidade e conseqüência de enfartos, pressão alta e outras moléstias que acometem os homens modernos, e também os ministros do evangelho. Acredita-se até que pastores são homens barrigudos, que comem muita massa e liquido açucarado nas muitas visitas. No entanto, os compromissos e encontros pastorais devem abrir espaço na agenda pastoral para os encontros com Deus em oração, retiros, meditação na Escritura e jejuns. O corre-corre dos ministros profissionais que atendem as demandas idólatras impostas por homens ociosos espiritualmente e intelectualmente, não o livra do estresse, da hipertensão e da obesidade e suas conseqüências. Esse corre-corre do hiperativismo é espiritualmente improdutivo, regado a sacarose e cafeína e inflado por massa de farinha de trigo e de polvilho, e nem faz calar os maledicentes, e ainda leva a muitas enfermidades e à morte.

Conhecemos pastores que adoeceram a ponto de ficar depressivos e estafados, por não cuidarem “de si mesmos e da doutrina” (1 Timóteo 4.16); antes, atenderam às demandas pervertidas do ministério profissional e se exauriram, amargando juntamente com a enfermidade o fracasso ministerial. Por isso, se o ministro dormiu às cinco horas da madrugada, precisa do ócio, ou seja, precisa folgar e se recuperar por que se morrer, não tem nenhuma pensão para deixar para a viúva, a qual terá que desocupar a casa pastoral para o outro que vem; se não tiver para onde ir, Deus a livre e guarde! Se sobreviver precisa gozar de saúde física e mental para o exercício de seu oficio.

Cristo morreu pela igreja. Quem é que está exigindo um novo calvário? Somos pastores das ovelhas do Senhor e não a encarnação do messias para um novo sacrifício como se o único sacrifício por nossos pecados não fosse suficiente. Não somos deuses, somos homens! As ovelhas são dele, e ele é o Bom Pastor que já deu sua vida por elas (João 10.11).

Visite o médico, o dentista freqüente, também uma academia de musculação, a pista de Cooper e faça uma caminhada, e deixe os ociosos morais, espirituais e intelectuais falarem. Lembre-se: vão falar de qualquer jeito, mas os ministros precisam de saúde para ajudá-los em seus problemas. Se não cuidarem de si, como vão cuidar dos outros? Elas (as ovelhas) já provocarão nos pastores muitas dores em suas almas, no trato diário do rebanho. Elas é que são o rebanho. Portanto, nós pastores, é que temos de saber a hora de alimentá-las e que necessidades têm. Enquanto ovelhas berram desesperadamente contra os que as alimentam, lembrem-se, isso é outra obra diabólica: o diabo lança as pessoas contra àqueles ministros de Cristo que poderiam ajudá-las, para afastá-los.

“Conheço um homem” que passou pela experiência de ter sua privacidade invadida. Um jovem pastor, recém ordenado, morando em uma casa pastoral, oficiais da igreja, membro e funcionários, tendo acesso portão adentro, faziam suas incursões pelo terreno em volta de seu lar. Os funcionários, várias vezes visualizavam a mesa de suas refeições ao transitarem ao redor da casa pastoral. Este pastor acreditava que pudessem fazer algum trabalho para melhoria na propriedade da igreja, mas simplesmente achavam que ele era ocioso e deveria capinar o mato que crescia, plantar uma horta, enfim, exercitar-se, fazendo em um ano o que em quarenta anos não fizeram. O lote da casa pastoral é grande e poderia ter um pomar, árvores já decanas. Ele não tinha condições e nem interesse nisso, já que estava ali para passar o período de um ano apenas, tempo que se estendeu por mais alguns meses. Teve problemas, certamente, começando pela sua privacidade invadida, difamações e maledicências de pessoas que, não entendiam o que viam, já que eles tinham acesso às vistas apenas da mesa de suas refeições, viam-no comendo, e quando não o viam, concluíam que ele estava dormindo. A conclusão deles é que o pastor come e dorme. Quando ele saia, não tinham acesso à agenda dele e a seus horários, então concluíam que o pastor era como um pombo: comia, dormia e voava.

Ora, pastor trabalha muito! Mais do que muita gente imagina. Não é muito bem remunerado como muita gente pensa. Tem muitas preocupações concernentes às cargas dos outros que ele ajuda a levar. Sofre com aflições por causa de falsos irmãos e precisa ser pastoreado também, porque também é ovelha do BOM PASTOR, Jesus.

Todo ministro deve estar muito atento para evitar ocios, ócios e vícios, porque somos chamados especialmente ao sacerdócio. Digo especialmente por causa do sacerdócio universal que não será abordado aqui. Porém, devemos compreender o que é o sa-cer-dó-cio, do latim sacerdotiu, que, embora seja um cargo, ou dignidade daqueles que têm suas funções de sacerdote consignadas na lei antiga de oferecer sacrifícios.  Hoje, considerado o Ministério Eclesiástico num sentido particular, tem-se concebido em todos os âmbitos, como uma missão que se toma com muita seriedade, como uma coisa sagrada, a qual leva a pessoa a desobrigar-se, ou abster-se de fazer outras coisas, e dedicar-se exclusivamente a ela. A partir deste ponto de vista, o sacerd-ócio é o ócio sagrado (sacerd), que levou à constituição de diáconos, os quais são servos para cuidar de coisas relativas às necessidades físicas, materiais, a fim de que os apóstolos tivessem ócio suficiente para se consagrarem a oração e ao mais importante: O MINISTÉRIO DA PALAVRA (Atos 6.4).

Se o pastor dedicar tempo preparando o conteúdo do sermão, será cobrado pelas visitas e atividades eclesiásticas e, se não apresentar um sermão com conteúdo satisfatório, será criticado por não ter se preparado o suficiente.

Seus erros não serão visto como erros humanos, mas como erros de pastor, imperdoáveis. Sua forma física e suas olheiras, e mau humor esporádicos, serão sempre inadmissíveis. Suas crianças serão filhos do pastor, correndo e dando trabalho, se forem bem ativas; ou, carentes e recalcadas, se forem acanhadas. Então, de qualquer forma, se questionará sua vida privada até no temperamento de seus filhos. Sua esposa, ou será esnobe demais, ou simplesinha demais. Nada vai mudar isso: ovelhas continuarão sendo um gado que berra sem parar, e nós pastores que, mesmo assim teremos que cuidar delas.

Somos participantes dos sofrimentos de Cristo. Se não pouparam o nosso Senhor, tão pouco nos pouparão porque somos seus servos. Enfim, cumpramos cabalmente a nossa vocação e chamada sem esperar o reconhecimento dos homens, mas pela glória de Deus. Já somos agraciados por sofrer, e até por morrermos no cumprimento do nosso dever nas fileiras daquele que nos arregimentou.

Rev. Anatote Lopes

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

PONTO DE PARTIDA PARA REFLEXÃO ANTES DE VOTAR: CRISTO E A IGREJA

Se olharmos para a genealogia de Jesus o que veremos são profetas, sacerdotes e reis. Ora, na verdade, o poder temporal no antigo Israel era exercido ou servido pelos sacerdotes e pelos profetas, com tensão, não resta dúvida, entre a classe sacerdotal e a profética ou os profetas, e, como historicamente se verifica, o cargo de sumo sacerdote é disputado por causa do poder temporal que nele está contido.

Quando Israel abandona a Deus por causa da corrupção dos sacerdotes e do seu povo, Ele pune a nação, a entrega nas mãos dos sacerdotes e reis pagãos para sofrerem humilhação, provação e tentação à adoração de falsos deuses, para punição principalmente da corrupção e da idolatria; uma vez resistidos os poderes temporais e espirituais pagãos Deus os reconcilia consigo, restaurando o reino e a adoração. O palácio e o santuário.

Neste contexto os profetas chamam ao arrependimento e anunciam o juízo, até que corra justiça, e, anunciam um novo tempo de restauração e de esperança no messias vindouro, o qual é historicamente esperado que, seja político, e tipologicamente e espiritualmente apontam para o Cristo e seu Reino.

Não seria a restauração política messiânica uma figura do reino vindouro de Cristo, e Davi um tipo de Cristo? Como o matrimônio usado como uma figura de Cristo e a Igreja? Não devem ser então vistos como imorais, no entanto, aqueles que servem na política e os que se casam. Mas devem viver com dignidade e honradez a sua vocação.

Logo, o exercício da política e o matrimonio devem ser vividos com honra para a glória de Deus Pai. Não sendo errado se casar ou governar, mas sim, é errado se corromper e macular o ministério... Ora, no Antigo Testamento os príncipes e governantes são chamados de “pastores de Israel”, da nação, como os sacerdotes, funções políticas e espirituais, e, também na vida conjugal, devemos buscar a glória a Deus.

Hoje nós vivemos este dilema: escolher nossos “pastores” governantes, em tempo de corrupção moral do relacionamento conjugal e de corrupção da classe política, por causa desses princípios, bíblicos históricos devemos rejeitar àqueles corruptos, ateus e inimigos do matrimônio bíblico, os quais não glorificam a Deus, não expressam reverência a Ele e a dignidade destes elementos tipológicos de Cristo e a Igreja e Cristo e de seu Reino.

Pense nisso...

Rev. Anatote Lopes