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sexta-feira, 15 de maio de 2015

UM COMPROMISSO RADICAL: PEQUENINOS APROVADOS (III)

Exposição de Lucas 9.43-62, por Anatote Lopes

Cristo quer humilhar o nosso orgulho. Em Lucas 9:49-56 nos ensina que, o orgulho é a raiz da arrogância no coração dos discípulos gerando a contenda sobre qual deles seria o maior. Esta arrogância sobrevive até os dias de hoje com aqueles que defendem o primado de Pedro sobre todos os apóstolos e reivindicam a sua cadeira, mas, infelizmente entre os protestantes também existe. Do orgulho nasceram contendas entre judeus e samaritanos e entre os discípulos de João e os de Jesus.

O texto diz que os discípulos proibiram as pessoas que não seguiam com eles de usarem o nome de Jesus para expelir demônios. Mas Jesus os repreendeu (v. 50): “Não proibais; pois quem não é contra vós outros é por vós.” Os samaritanos não permitiram a Jesus e seus discípulos passarem por suas terras porque os judeus e os samaritanos não se entendiam quanto ao lugar da verdadeira adoração. Ao serem impedidos os discípulos tiveram uma ideia: ‘orar para que caísse fogo do céu sobre os samaritanos’. Jesus novamente os repreendeu (v. 55-56): “Vós não sabeis de que espírito sois. Pois o Filho do Homem não veio para destruir a alma dos homens, mas para salvá-las.”

Jesus já havia combatido o orgulho dos seus discípulos, ensinando-os como convém servir em qualquer circunstância e sem qualquer pretensão vitimista de serem recompensados pela sua luta, sofrimentos e angustias. Jesus também ensina que não deveriam ter qualquer presunção de grandeza e merecimentos pelos seus serviços e sua eleição e vocação. Nosso Senhor está combatendo as contendas entre os seus próprios discípulos, aplacando o ódio religioso deles, ensinando a tolerância e uma convivência pacífica de amor, mesmo que seja aos ignorantes ou aos seus próprios inimigos nunca retribuindo o mal com o mal.

Logo, o Evangelho de Cristo é incoerente com disputas e guerras religiosas que assolaram a humanidade, e, lamentavelmente, ainda provocarão muito derramar de sangue no mundo. Ensina uma convivência pacifica em sociedade, na diversidade, o que não implica mudar a Verdade de Deus e nem abandonar a missão evangélica da Igreja para aderir pensamentos e crenças contrárias ao ensinamento de Cristo.

O constrangimento que suprime a liberdade de consciência e a imposição do Evangelho pela força do braço e das armas não se fundamenta na Bíblia. Como está escrito: “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Zc 4.6). E ainda: “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.”

(Segundo tópico do sermão pregado na Igreja Presbiteriana de Dracena no dia 26/04/2015; a primeira parte foi a introdução publicada no domingo 03/01/2015 no semanário n° 196. A introdução e o primeiro tópico (identificado como parte II) pode ser encontrada no Semanário e nesta página. Continua.)