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sábado, 23 de maio de 2015

UM COMPROMISSO RADICAL: PEQUENINOS APROVADOS (Conclusão)

Exposição de Lucas 9.43-62, por Anatote Lopes

Recordemos o princípio positivo da nossa introdução:

Sejamos um, em Cristo, aprovados, servindo uns aos outros em amor. E, seja engrandecido o nome do nosso Senhor. 

Meditamos sobre o que Cristo fez aos seus primeiros discípulos, e, também, pode fazer a nós para a glória de Seu nome: 

1° Cristo quer diminuir a nossa arrogância: De achar que podemos ser servos de Cristo sem sofrimento no mundo. O Filho de Deus foi pendurado numa cruz para consumar a nossa salvação, nos redimindo pela sua morte, mas, não prometeu a ninguém uma vida sem sofrimento.

2. Cristo quer humilhar o nosso orgulho: De achar que somos alguma coisa, maiores ou melhores, e que merecemos alguma coisa; de ter a presunção de qualquer primazia ou direito, os quais o nosso Senhor não reivindicou no Seu ministério terreno. 

3. Cristo quer provar a nossa renúncia: Cristo faz uma prova radical da nossa renuncia. Exige nossas “mãos no arado”, ao serviço de Deus e do próximo, que não olhemos para trás e que tomemos a nossa própria cruz e o sigamos.

Murmuramos do peso da nossa própria cruz; quantas vezes nós queremos entregar a nossa cruz. A murmuração também foi um pecado comum do povo de Deus no Antigo Testamento em sua peregrinação no deserto. O murmurador não peca sozinho, mas induz o outro a pecar; pois estando no fundo do poço não quer sair e ainda quer puxar o outro para lá. 

Deus não aceitou nenhuma desculpa para se adiar um compromisso; não é possível por a mão no arado e olhar para trás sem que seja considerado inapto para o Reino de Deus. Não é possível servir a dois senhores; o discípulo é chamado a abrir mão de seu conforto, tem disponibilidade para servir a Deus e não pode dar desculpas e estar ocupado com outra coisa quando for convocado; porque ele segue a Cristo com prioridade.

O versículo 58 diz que o filho do homem não tem casa. Ele chama aos discípulos para segui-lo e não para viverem embaraçados, sequer com os cuidados da sua própria casa. Tem gente que pensa assim: “mas, isso deve ser só para pastor...” Será? Vamos pensar mais sobre isso... 

O discípulo é um servo e tem a Cristo como Senhor que, está vivo, reina e exige prioridade; nosso Senhor espera que sepultemos os nossos pais primeiro, para só depois segui-lo? De acordo com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo que nós lemos hoje, é possível você dizer: “não vou seguir a Jesus porque estou cuidando do meu pai? Deixe-me sepultar meu pai primeiro, depois, eu sigo a Jesus?”. É possível isso irmãos? Os irmãos leram o texto? 

Quando o Senhor Jesus disse: “Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos.” Quanto a nós? Preguemos o Evangelho! O discípulo não pôde dizer sequer: “Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa”. O discípulo não pode dizer isso sem ouvir a réplica do Senhor: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus.”.

Ás vezes as pessoas dizem: “isso é para os pastores” e outras vezes dizem: “isso só para Cristo, pois ele era Deus”. Esvazia-os de sua humanidade para dizer que isso é impossível: imitar a Cristo. Devemos dizer que o Cristo é o homem perfeito, nossos pastores são homens iguais a nós, portanto imperfeitos. Cristo é o nosso Deus perfeito para exigir de cada um nós que, perfeitamente o imitássemos com a ajuda do Espírito Santo. Os pastores que fracassaram nessa imitação, apresentam as mesmas desculpas que cada um dos crentes. 

O Evangelho é para todos. Mc 8.34: “Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”. Costumo dizer que as nossas desculpas servem para nós, mas biblicamente eu não posso dizer que servem para Deus. Ainda que a gente diga assim: “Deus sabe das minhas dificuldades”, “Deus sabe das minhas lutas”... Deus sabe. Por isso mesmo! Porque Ele sabe pode nos dizer o seguinte “negue-se”: “Eu os chamei para serem meus imitadores”, “Eu poderia perguntar para vocês assim:” “Eu desci da cruz? Ou, eu cumpri a minha missão?”.

Espera ai? O que ele fez? Ele chamou todos os seus discípulos, os seus apóstolos e toda a multidão, mas não deixou ninguém dizer: “eu estou fora dessa, Senhor, porque eu estou cuidando da minha mãe." Ou "do meu pai", ou porque "eu estou com um compromisso inadiável”, como em outras circunstancias, alguém disse: “comprei uma junta de boi e tenho que experimentá-la”; Ele não excluiu ninguém. 

Senhor? Tinha que ser radical o compromisso? Tinha não! Tem que ser! O Evangelho do Senhor não muda! Aqueles que adulteram o Evangelho de Jesus para que seja mais folgado para vocês é falso profeta e mentiroso. Quem transforma o Evangelho numa graça barata: perdão sem necessidade de arrependimento? Fé e adoração sem necessidade de compromisso? Isso não é o Evangelho, mas um ensino falso. 

Essa é a Palavra do Evangelho: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”. Siga o exemplo Dele que, não desistiu da cruz, ainda que Ele também tenha sido tentado: “se tu és o filho de Deus, desça daqui e tire a nós também”... Ele ignorou estas palavras. A tentação de entregarmos a nossa própria cruz é muito grande amados irmãos! Tome a tua cruz... 

Se você não assumiu um compromisso radical com Cristo, então você não assumiu o compromisso que ele exige. Talvez você tenha assumido o compromisso que você pensou que era o Evangelho, para livrar a sua pele... Bem... Isso não deu certo... Talvez tenha se arrependido agora: “ah se eu soubesse que era assim eu não teria me tornado cristão", "porque se alguém me dissesse isso eu não teria aceitado um compromisso tão radical”... Você aderiu a um “evangelho” falso que não exige um compromisso radical... Você foi atraído pelo canto da sereia. Você foi atraído para permanecer na morte. 

Paul Washer diz que, “o falso evangelho mantém muito mais pessoas no inferno do que todas as heresias”. Para que haja mudança, você não pode fazer uma confissão seguida de um “mas”, porque toda confissão seguida de um “mas” não é uma confissão sincera. A consequência de por a mão no arado e olhar para trás é sermos reprovados e considerados inaptos para o reino de Deus... Eu não quero isso... Acredito que nem você... 

Não se renda às suas próprias fraquezas e “razões” e não olhe as circunstancias para continuar murmurando, doente espiritualmente, desanimado, inapto para o reino de Deus. Tem muita gente que diz ter entregado o seu coração à Cristo que, agora Ele habita em seu coração. Será que de coração você está arrependido de seus pecados e que fora perdoado? 

Talvez até agora você tenha o servido errado. Essa mensagem radical que ele nos deu é necessária: arrependemo-nos dos nossos pecados e andemos como forasteiros. Quem vive como peregrino? Pense a si mesmo, a sua caminhada, você tem vivido como um peregrino no mundo? Você vive no mundo como um cidadão do Céu e da Nova Jerusalém? Um cidadão que habitará a cidade santa?

(Assim publico a conclusão do sermão pregado na Igreja Presbiteriana de Dracena no dia 26/04/2015; a primeira parte foi a introdução publicada no domingo 03/01/2015 no semanário n° 196 e a conclusão no nº 200. A introdução e os tópicos (identificados como parte II, III e IV) podem ser encontrados nas nossas páginas no Facebook e no Blogspot.)