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sexta-feira, 15 de maio de 2015

RAFAEL: DEUS SARA

Por Anatote Lopes

No ano de 2008 residia em Valparaíso de Goiás no Estado de Goiás, cidade da região geoeconômica de Brasília, Distrito Federal. Eu era arrolado como membro da Igreja Presbiteriana de Valparaíso, já havia concluído o curso teológico do seminário desde 2006, servia desde 2004 como evangelista junto à Congregação Presbiteriana do Jardim Zuleica, no distrito de Jardim Ingá, município de Luziânia, Goiás, também no entorno da capital do Brasil.

Para aceitar o desafio citado no parágrafo anterior tive que aceitar a condição de deixar o trabalho de projetista e vendedor de móveis sob medida para cozinha, em Brasília, e me submeter a um orçamento muito apertado para sustentar a minha casa, com uma côngrua perto de um salário mínimo da época; considerei essa situação como mais um desafio e prova para a minha vocação. Minha esposa Juliane, estava grávida do nosso segundo filho.

Ainda respirando o odor da perseguição e campanha contra mim no Seminário Presbiteriano de Brasília, sentia-me ferido e cansado, mas, não desanimado, sabendo que tinha de passar por decepções e experimentar cura interior, perdoar a todos os meus algozes e me livrar de todas as minhas magoas com a classe dos pastores. Foi quando disse que, era necessário andar muitas igrejas para encontrar um crente honesto e sincero, mas, para encontrar um pastor que assim fosse, seria necessário andar o dobro.

Orava muito por causa das minhas decepções, e, acreditava com terror que eu poderia me tornar como um deles se não protestasse e reagisse; na verdade eu temia mais a mim mesmo do que a eles, mas, também, temia que eu me tornasse uma pessoa magoada, perdesse a alegria da minha salvação, deixasse de expressar no rosto a determinação de viver para o serviço do Senhor e desistisse do ministério; nessas circunstancias escolhi o nome do meu segundo filho: RAFAEL - DEUS SARA.

O que parecia um bom motivo para minha desistência, tornava-se uma motivação para a minha luta, então, dizia que, jamais iria reproduzir o caráter e o modelo de muitos ministros e ministérios a mim apresentados, com raras exceções eram modelos de como não ser um pastor verdadeiro e de como ofender a Deus tomando o próprio nome do Seu Filho.

Venho compartilhar o que não consegui identificar na referência, talvez fizesse muito sentido na época. Relendo as minhas anotações deste terrível ano eclesiástico, encontrei as seguintes citações... “I 18” para: “Quanto a Palavra de Deus: é muito melhor ir mancando por este caminho do que correr bem fora dele.” E, “I 17” para: “É bem verdade que nisso somos diferentes uns dos outros: cada um inventa seus erros particulares”.

A GRAVIDADE DO SILÊNCIO

Por Anatote Lopes

Talvez eu provoque alguma decepção ao leitor protestante com esta história... Entrei o ano de 2008, meditando sobre os problemas que estava enfrentando na minha candidatura ao ministério ordenado; naquela semana havia pregado um sermão sobre a Presença do Espírito Santo, uma exposição de Atos 13.52; talvez encontre alguma anotação dele; pena que não pude rever o impacto desta mensagem naqueles dias.

Curiosamente, repreendeu-me, ou, orientou-me severamente um trecho deste texto, senão eu não teria anotado; se não estiver enganado, da regra de São Bento: “eu disse, guardarei os meus caminhos para que não peque pela língua: pus guarda a minha boca: emudeci, humilhei-me e calei as coisas boas”. Aqui mostra o profeta que, se às vezes, se devem calar mesmo as boas conversas, por causa do silêncio, quanto mais deverão ser suprimidas as más palavras, por causa do castigo do pecado? Por isso ainda que se trate de conversas boas, santas e próprias a edificar; raramente, seja concedido ao discípulo falar, por causa da gravidade do silêncio, pois está escrito: “falando muito não foges do pecado,” e em outro lugar: “a morte e a vida estão em poder da língua”. Com efeito, falar e ensinar compete ao mestre; ao discípulo convém calar e ouvir. Por isso, se é preciso pedir alguma coisa ao superior, que se peça com toda humildade e submissão da reverência. Já quanto às brincadeiras, palavras ociosas e que provocam riso, condenamo-las em todos os lugares a uma eterna clausura, para tais palavras não permitimos ao discípulo abrir a boca.”

Quem me conhece sabe que nunca cessei as brincadeiras, nem as conversas; sou do tipo tagarela e contador de anedotas e tenho arcado com as consequências da minha tagarelice e do meu humor; mas, nunca considerei inúteis as minhas brincadeiras e sem importância as minhas conversas, não pude assumir a radicalidade de um monge e continuei, talvez, “pecando” muito com as palavras e sofrendo as consequências.

Tenho certeza que pequei com a língua muitas vezes, mas, também, com as palavras da minha língua corações se alegraram e casas em ruínas foram edificadas. Aprendi que há tempo para todas as coisas, e, quem sabe, logo eu chegue à maturidade de um mestre para admitir a radicalidade do silêncio do discípulo. O fato é que não sou desobediente, mas, não estou convencido a silenciar as brincadeiras e as coisas boas, mas rejeito as más.

MINHA EXPERIÊNCIA COM O STATUS E AS NORMAS DA INSTITUIÇÃO

Por Anatote Lopes

Naqueles dias impactou-me uma frase: "O fiel ama a Deus como seu Senhor; e como a um pai, dedica-lhe amor. Ainda que não exista o inferno ofender a Deus lhe causa horror" (In Institutas, I.8. p. 62, versão adaptada da tradução de Odayr Olivetti). Eu cheguei a seguinte conclusão: livre do inferno eu poderia me ocupar em servir e me santificar para Deus. O que fui buscar como cristão na tradição presbiteriana. Não me importa a opinião dos preconceituosos, ateístas, anti-institucionalistas, declaradamente anticalvinistas, etc., a Bíblia, a teologia reformada e a instituição muito me contribuíram para isso até agora.

No dia 13 de janeiro de 2008 fui pregar, à convite do Pr. Flávio, na Primeira Igreja Batista de Morada Nobre, em Valparaíso de Goiás, um sermão intitulado: “O Pastor e Suas Ovelhas”, uma exposição do Salmo 23, por ocasião do descanso pastoral do amigo. Depois de exaltar o Bom Pastor, o diácono que presidiu o culto, chamou-me “pastor”, mas eu recusei o título esclarecendo que era apenas um “seminarista”, um estudante, então ele demonstrou saber algo sobre mim, fazendo a cortesia de informar à igreja que havia concluído o curso e pastoreava o campo da Igreja Presbiteriana em um bairro de Luziânia não muito longe dali.
Seguiu-se então a convocação para eu impetrar a bênção. Eu sabia que “impetrar a bênção” na IPB é um ato solene e oficial, quando o pastor roga a benção de Deus sobre a igreja no final do culto, portanto, uma atribuição privativa do Ministro. Apesar de estar numa igreja batista, aleguei minha impossibilidade sob o protesto discreto do diácono que presidia o culto, o qual me lembrou: eu não estava na IPB, argumentando: portanto, ali não valiam as mesmas regras. Será?

Apresentei àquela igreja a oportunidade de orar com eles, expressei a minha gratidão, sentindo-me abençoado com a oportunidade de rogarmos juntos à Deus a bênção sobre toda Igreja de Jesus fazendo com eles a oração final, sem abençoar com a autoridade que Deus não havia me dado. Naquela semana a pregação e o meu gesto repercutiu; mesmo estando em uma relação muito conflituosa com o meu tutor, o mesmo, soube por terceiros e me parabenizou pelo posicionamento.

Lembrei-me das palavras do Senhor: “quem a si mesmo se humilha será exaltado”. Hoje eu admito quanta arrogância tinha no coração, na época não me conseguia ver como devia; todo ministro deve se enxergar como menos que nada; por essas e outras, não vou passar de um servo, quem sabe um camponês na Nova Terra, porque eu sei que muitos humilhados aqui serão reis e rainhas e habitarão a Cidade Santa, quando o Rei vier no Seu Reino, com os seus santos anjos com poder e muita glória. E me sentirei feliz, realizado, livre definitivamente do pecado, aperfeiçoado pelo poder da Sua morte na cruz e da ressurreição, como servo do Senhor adorarei diante do trono.

UM COMPROMISSO RADICAL: PEQUENINOS APROVADOS (III)

Exposição de Lucas 9.43-62, por Anatote Lopes

Cristo quer humilhar o nosso orgulho. Em Lucas 9:49-56 nos ensina que, o orgulho é a raiz da arrogância no coração dos discípulos gerando a contenda sobre qual deles seria o maior. Esta arrogância sobrevive até os dias de hoje com aqueles que defendem o primado de Pedro sobre todos os apóstolos e reivindicam a sua cadeira, mas, infelizmente entre os protestantes também existe. Do orgulho nasceram contendas entre judeus e samaritanos e entre os discípulos de João e os de Jesus.

O texto diz que os discípulos proibiram as pessoas que não seguiam com eles de usarem o nome de Jesus para expelir demônios. Mas Jesus os repreendeu (v. 50): “Não proibais; pois quem não é contra vós outros é por vós.” Os samaritanos não permitiram a Jesus e seus discípulos passarem por suas terras porque os judeus e os samaritanos não se entendiam quanto ao lugar da verdadeira adoração. Ao serem impedidos os discípulos tiveram uma ideia: ‘orar para que caísse fogo do céu sobre os samaritanos’. Jesus novamente os repreendeu (v. 55-56): “Vós não sabeis de que espírito sois. Pois o Filho do Homem não veio para destruir a alma dos homens, mas para salvá-las.”

Jesus já havia combatido o orgulho dos seus discípulos, ensinando-os como convém servir em qualquer circunstância e sem qualquer pretensão vitimista de serem recompensados pela sua luta, sofrimentos e angustias. Jesus também ensina que não deveriam ter qualquer presunção de grandeza e merecimentos pelos seus serviços e sua eleição e vocação. Nosso Senhor está combatendo as contendas entre os seus próprios discípulos, aplacando o ódio religioso deles, ensinando a tolerância e uma convivência pacífica de amor, mesmo que seja aos ignorantes ou aos seus próprios inimigos nunca retribuindo o mal com o mal.

Logo, o Evangelho de Cristo é incoerente com disputas e guerras religiosas que assolaram a humanidade, e, lamentavelmente, ainda provocarão muito derramar de sangue no mundo. Ensina uma convivência pacifica em sociedade, na diversidade, o que não implica mudar a Verdade de Deus e nem abandonar a missão evangélica da Igreja para aderir pensamentos e crenças contrárias ao ensinamento de Cristo.

O constrangimento que suprime a liberdade de consciência e a imposição do Evangelho pela força do braço e das armas não se fundamenta na Bíblia. Como está escrito: “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Zc 4.6). E ainda: “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.”

(Segundo tópico do sermão pregado na Igreja Presbiteriana de Dracena no dia 26/04/2015; a primeira parte foi a introdução publicada no domingo 03/01/2015 no semanário n° 196. A introdução e o primeiro tópico (identificado como parte II) pode ser encontrada no Semanário e nesta página. Continua.)

ORAÇÃO DO PROFETA MENOR

A. W. Tozer

Senhor, escutei a tua voz e tive medo. Chamaste-me a uma tarefa solene numa hora grave e perigosa. Em breve abalarás todas as nações, a terra e também o céu, para que fique só aquilo que é inabalável. Senhor, nosso Senhor, aprouve-Te honrar-me chamando-me a ser teu servo. Só aceita esta honra aquele que é chamado a ser teu servo, visto ter de ministrar junto àqueles que são obstinados de coração e duros de ouvido. Eles Te rejeitaram, a Ti, que és o Amo, e não posso esperar que me recebam a mim, que sou o servo.

Meu Deus, não vou perder tempo a deplorar a minha fraqueza ou a minha incapacidade para o trabalho. A responsabilidade é tua, não minha, pois disseste: Conheci-te, ordenei-te, santifiquei-te, e também: Irás a todos aqueles a quem Eu te enviar, e falarás tudo aquilo que Eu te ordenar. Quem sou eu para argumentar contigo ou para pôr em dúvida a tua escolha soberana? A decisão não é minha, mas sim tua. Assim seja, Senhor; cumpra-se a tua vontade e não a minha.

Bem sei, Deus dos profetas e dos apóstolos, que, enquanto eu Te honrar, Tu me honrarás a mim. Ajuda-me, portanto, a fazer este voto solene de Te honrar em toda a minha vida e trabalho futuros, quer ganhando quer perdendo, na vida ou na morte, e a manter intacto esse voto enquanto eu viver.

É tempo, ó Deus, de agires, pois o inimigo entrou nos teus pastos e as ovelhas são dilaceradas e dispersas. Abundam também falsos pastores que negam o perigo e se riem das ameaças que rodeiam o teu rebanho. As ovelhas são enganadas por estes mercenários e seguem-nos com fidelidade, enquanto o lobo se acerca para matar e destruir. Imploro-Te que me dês olhos bem abertos para descobrir a presença do inimigo; que me dês compreensão para distinguir entre o falso e o verdadeiro amigo. Dá-me visão para ver e coragem para declarar fielmente o que vejo. Torna a minha voz tão parecida com a tua que até as ovelhas doentes a reconheçam e Te sigam.

Senhor Jesus, aproximo-me de Ti em busca de preparação espiritual. Pousa a tua mão sobre mim. Unge-me com o óleo do profeta do Novo Testamento. Impede que eu me transforme num religioso e perca assim a minha vocação profética. Salva-me da maldição que paira sombriamente sobre o sacerdócio moderno; a maldição da transigência, da imitação, do profissionalismo. Salva-me do erro de julgar uma igreja pelo número de seus membros, pela sua popularidade ou pelo total de suas ofertas anuais. Ajuda-me a lembrar-me de que eu sou profeta, não um animador, não um gerente religioso, mas um profeta. Que eu nunca me transforme num escravo das multidões. Cura a minha alma das ambições carnais e livra-me do prurido da publicidade. Salva-me da servidão das coisas materiais. Impede-me de gastar o tempo entretendo-me com as coisas da minha casa. Faze o teu terror pousar sobre mim, ó Deus, e impele-me para o lugar de oração onde eu possa lutar com os principados, e potestades, e príncipes das trevas deste mundo. Livra-me de comer demais e de dormir demais. Ensina-me a auto-disciplina para que eu possa ser um bom soldado de Jesus Cristo.

Aceito trabalho duro e pequenas compensações nesta vida. Não peço um cargo fácil. Procurarei ser cego aos pequenos processos de facilitar a vida. Se outros procuram o caminho mais plano, eu procurarei o caminho mais árduo, sem os julgar com demasiada severidade. Esperarei oposição e procurarei aceitá-la serenamente quando ela vier. Ou se, como por vezes sucede aos teus servos, o teu povo bondoso me obrigar a aceitar ofertas expressivas de gratidão, conserva-Te ao meu lado e salva-me da praga que a isso freqüentemente se segue; ensina-me a usar o que porventura receber de tal modo que não prejudique a minha alma nem diminua o meu poder espiritual. E se a tua providência permitir que me advenham honras da tua Igreja, que eu não esqueça naquela hora que sou indigno da mais ínfima das tuas misericórdias, e que, se os homens me conhecessem tão intimamente como eu me conheço a mim próprio, me retirariam tais honrarias para as darem a outros mais dignos delas.

E agora, Senhor do céu e da terra, consagro-Te o resto dos meus dias, sejam eles muitos ou poucos, consoante a tua vontade. Quer eu me erga perante os grandes quer ministre aos pobres e humildes, essa escolha não é minha, e eu não a influenciaria, mesmo que pudesse. Sou teu servo para cumprir a tua vontade. Ela é mais doce para mim do que a posição, ou as riquezas, ou a fama, e escolho-a acima de tudo o mais na terra ou no céu.

Embora eu tenha sido escolhido por Ti e honrado por uma alta e santa vocação, que eu nunca esqueça que não passo de um homem de pó e cinza com todos os defeitos e paixões naturais que atormentam a humanidade. Rogo-Te, portanto, meu Senhor e Redentor, que me salves de mim próprio e de todo o mal que eu puder fazer a mim mesmo enquanto procuro ser uma bênção para os outros. Enche-me do teu poder pelo Espírito Santo, e eu caminharei na tua força e proclamarei a tua justiça - a tua tão somente. Anunciarei a mensagem do teu amor redentor enquanto tiver forças.

E, Senhor amado, quando eu for velho e estiver fatigado, demasiado cansado para prosseguir, prepara-me um lugar lá em cima e conta-me entre o número dos teus santos na glória eterna. Amém.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

UM COMPROMISSO RADICAL: PEQUENINOS APROVADOS (Introdução)


Exposição de Lucas 9.43-62, por Anatote Lopes

Neste texto (Lc 9.43-62), Cristo comunica a seus discípulos e a nós o que estava para acontecer: Ele estava para ser entregue nas mãos dos filhos dos homens. Quando Ele se apresenta como FILHO DO HOMEM trata-se de um título messiânico ou do Messias. Assim, Ele seria identificado como o Messias, o Filho de Deus que, estava para ser entregue nas mãos dos homens.

É interessante nos apercebermos, apesar de que Cristo haveria de sofrer, como já havia sofrido desde a sua encarnação, Ele sofreria continuamente em todo o seu ministério terreno; mas, Cristo contemplava o que estava por vir após o Seu sofrimento. Ele haveria de ser assunto ao céu. Mesmo sabendo que estava indo para Jerusalém, à morte, estava determinado a ir e no seu semblante trazia a alegria de todos os peregrinos que iam a Jerusalém para adorar a Deus.

Os samaritanos já estavam acostumados a bloquear a passagem dos judeus pelo seu território na tentativa de impedir que fossem a Jerusalém para adorar, porque entendiam que os fiéis deveriam adorar no templo dos samaritanos; havia uma controversa entre os judeus e os samaritanos quanto ao lugar da verdadeira adoração.

Os samaritanos reconheciam no rosto de Jesus que, Ele tinha um encontro marcado com Deus, mas eles nem imaginavam que Jesus estivesse indo para o seu calvário, porque nesses dias ainda não havia sido revelado o que, e quando, Jesus iria fazer por nós em Jerusalém, apesar de que, já se havia falado muito sobre isso, ainda não havia sido revelado a eles, isto é, eles ainda não podiam compreender.

Eu quero apresentar um esboço rápido para os irmãos do que nós temos a trilhar neste caminho (mensagem); vou fazer isto de forma muito rápida: Que tipo de embaraços Cristo estava interessado em em repreender? Mesmo tendo uma mensagem gloriosa e uma missão salvadora a realizar em Jerusalém, o Senhor Jesus Cristo ainda não revelara nada a Eles, mas, trouxe-lhes repreensões quanto ao orgulho inato do ser humano de sua história, luta e glória, de seus sofrimentos e angustias, e de seus serviços.

Ele nos apresenta uma repreensão contra o orgulho, e, também, vamos perceber uma repreensão contra a intolerância que, vem da arrogância de julgar-se grande coisa e desprezar os outros. Os discípulos neste momento já haviam caminhado com Jesus, viram o Senhor realizar muitos sinais e ficaram orgulhosos de serem discípulos dele. Àqueles que seguiam com Ele.

Nós vamos falar mais sobre este tipo de sentimento que surge no coração daqueles que se acham grande coisa, dos embaraços que o Senhor Jesus repreende nos seus discípulos: os embaraços com a própria casa, com os prazeres da vida, com as suas próprias ambições, necessidades, dinheiro, família e amigos, pessoas que fazem com que percamos de vista a esperança do paraíso, do novo céu, da nova terra e da cidade santa. Muitas vezes até desejamos permanecer neste mundo destinado a destruição.

Enfim, perceberemos a falta de um compromisso radical com Cristo: ‘por a mão no arado e não olhar para trás’, daqueles que se dizem arrependidos e perdoados de seus pecados, e, como isto não somente certifica que apenas estão doentes, desanimados ou debilitados espiritualmente, mas, que, de fato, são reprovados e considerados inaptos para o reino de Deus. (Cont.).

quinta-feira, 7 de maio de 2015

RAFAEL: DEUS SARA



Por Anatote Lopes​

No ano de 2008 residia em Valparaíso de Goiás no Estado de Goiás, cidade da região geoeconômica de Brasília, Distrito Federal. Eu era arrolado como membro da Igreja Presbiteriana de Valparaíso, já havia concluído o curso teológico do seminário desde 2006, servia desde 2004 como evangelista junto à Congregação Presbiteriana do Jardim Zuleica, no distrito de Jardim Ingá, município de Luziânia, Goiás, também no entorno da capital do Brasil.

Para aceitar o desafio citado no parágrafo anterior tive que aceitar a condição de deixar o trabalho de projetista e vendedor de móveis sob medida para cozinha, em Brasília, e me submeter a um orçamento muito apertado para sustentar a minha casa, com uma côngrua perto de um salário mínimo da época; considerei essa situação como mais um desafio e prova para a minha vocação. Minha esposa Juliane, estava grávida do nosso segundo filho.

Ainda respirando o odor da perseguição e campanha contra mim no Seminário Presbiteriano de Brasília, sentia-me ferido e cansado, mas, não desanimado, sabendo que tinha de passar por decepções e experimentar cura interior, perdoar a todos os meus algozes e me livrar de todas as minhas magoas com a classe dos pastores. Foi quando disse que, era necessário andar muitas igrejas para encontrar um crente honesto e sincero, mas, para encontrar um pastor que assim fosse, seria necessário andar o dobro.

Orava muito por causa das minhas decepções, e, acreditava com terror que eu poderia me tornar como um deles se não protestasse e reagisse; na verdade eu temia mais a mim mesmo do que a eles, mas, também, temia que eu me tornasse uma pessoa magoada, perdesse a alegria da minha salvação, deixasse de expressar no rosto a determinação de viver para o serviço do Senhor e desistisse do ministério; nessas circunstancias escolhi o nome do meu segundo filho: RAFAEL - DEUS SARA.

O que parecia um bom motivo para minha desistência, tornava-se uma motivação para a minha luta, então, dizia que, jamais iria reproduzir o caráter e o modelo de muitos ministros e ministérios a mim apresentados, com raras exceções eram modelos de como não ser um pastor verdadeiro e de como ofender a Deus tomando o próprio nome do Seu Filho.

Venho compartilhar o que não consegui identificar na referência, talvez fizesse muito sentido na época. Relendo as minhas anotações deste terrível ano eclesiástico, encontrei as seguintes citações... “I 18” para: “Quanto a Palavra de Deus: é muito melhor ir mancando por este caminho do que correr bem fora dele.” E, “I 17” para: “É bem verdade que nisso somos diferentes uns dos outros: cada um inventa seus erros particulares”.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

UM COMPROMISSO RADICAL: PEQUENINOS APROVADOS (II)


Exposição de Lucas 9.43-62, por Anatote Lopes​


Como saber que posso ser maior sendo o menor?

Parece que isso não é geometricamente lógico! Porque se é maior é maior, se é menor é menor... Então, a gente percebe que as coisas espirituais não acompanham muitas vezes a nossa lógica matemática.

O que posso fazer para ser aprovado?

O que nos embaraça? O quer dizer: atrapalha-nos...

Temos um princípio positivo nesta reflexão: Sejamos um, em Cristo aprovados, servindo uns aos outros em amor, para que seja engrandecido o nosso Senhor.

Parece que isto está muito desconectado de tudo que foi apresentado na introdução (semana passada), mas, no desenvolvimento do nosso estudo do texto, vamos perceber a sua conexão.

Nós vamos meditar sobre o que Cristo quis fazer aos seus primeiros discípulos, e a nós, hoje, discípulos dele também, para glória de seu santo nome.

Assim com fez com aos seus discípulos naquele dia:

1° CRISTO QUER TIRAR A NOSSA ARROGÂNCIA.

2º CRISTO QUER HUMILHAR O NOSSO ORGULHO.

3º CRISTO QUER PROVAR A NOSSA RENUNCIA.

Ele está disposto a fazer isso para que, sejamos um, em Cristo aprovados, servindo uns aos outros em amor, para que seja engrandecido o nosso Senhor.

Então vamos meditar naquilo que em primeiro lugar Cristo quer fazer:

CRISTO QUER TIRAR A NOSSA ARROGÂNCIA.

Vamos meditar nos versículos 46 a 48 tendo as nossas Bíblias abertas para acompanhar a exposição do texto que, mesmo sem reler, meditaremos nele, naquilo que o texto nos ensina.

A partir do versículo 43 o texto fala das coisas que o Senhor Jesus Cristo realizou entre os discípulos. Depois, mostra-nos que, eles sentiam certa presunção de grandeza em vez de se humilharem diante da demonstração do grande poder de nosso Senhor.

Como servos não deveriam se ensoberbecer, parece óbvio. Mais ou menos assim: Quem serve é um “servo”, e o servo é menor e se diminui diante da grandeza de seu Senhor. Mas, às vezes a gente consegue ver títulos assim como: “o grande servo do Senhor”. Quem já viu um anuncio assim? “Vamos ouvir a pregação do grande servo do Senhor”. Se fosse um servo deveria ser pequeno! Mas, eles estão sendo anunciados de forma a parecer muito maior do que o seu Senhor.

Qual é essa arrogância que o texto sugere? Os discípulos tinham essa presunção de grandeza. Eles tinham uma aspiração de posição e de glória diante dos seus irmãos. Uns com os outros disputavam a respeito de quem seria o maior. Soberba!... Caracterizada por um desejo ambicioso de ser superior.

Jesus então ensina aos seus discípulos, tomando como exemplo uma criança. Pegando o pequenino e colocando do seu lado, e, depois, exaltando esta criança acima de todos eles; (v. 48) disse-lhes: “Quem receber esta criança em meu nome a mim me recebe; e quem receber a mim recebe aquele que me enviou; porque aquele que entre vós for o menor de todos, esse é que é grande”.

Naquele momento o Rei dos reis declara a si mesmo servido por àquele que se fizer pequeno e se fizer servo daquela criancinha... Portanto: ‘Quer me servir? “Cuida desta criança.” “Sirva essa criança”. Ele exaltou aquela criança como sendo maior que todos aqueles adultos, homens chamados para uma missão que glorifica a Deus, mas, que, diante dela, eles deveriam ser pequenos. Diante daquele pequenino eles foram colocados menores; menores do que aquele baixinho, aquela criança pequena; o próprio Cristo nos deu o exemplo, fazendo-se ainda menor do que ela. Isto é: Ele mesmo se humilhando.

Nós sabemos que Paulo escreve sobre a humilhação do Filho de Deus quando ele diz que, ele mesmo se humilhou: Filipenses 2.6-8: “pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” Como podem os apóstolos sendo seus discípulos serem maiores do que o seu Senhor? Porque no reino de Deus, o maior é quem serve.

O homem está doente da ponta dos pés a cabeça, porque não é o que deseja ser, Ele não deve desejar ser, não deve desejar ter, pois ele não deve incomodar-se em escolher, mas ele deve decidir obedecer e servir. Esse é o evangelho de Jesus Cristo pregado como o Cristo prega, muito incoerente com o tipo de "evangelho" falso que a gente tem ouvido no mundo.

As pessoas geralmente buscam as igrejas para suprir as suas necessidades que, são muitas. Eles vêm à igreja como a uma fonte de suprimento das suas necessidades e não de chamado para o serviço. Não é raro o cristão invejar o mundo e pensar que está em alguma desvantagem com o nome de cristão, porque a partir do momento que, o cristão decidiu-se chamar pelo nome de Cristo e fazer a vontade de Deus, sujeitando suas próprias necessidades, interesses e desejos à vontade de Deus ele se vê humilhado.

O homem pensa que ter uma posição no reino de Deus, muitas vezes, é se exaltar. Então, Cristo vem e diz para ele que ter uma posição no reino de Deus é se humilhar. Quem tem a missão de servir não está em nenhuma desvantagem e não precisa disputar uma posição, mas deve estar ciente de que o ultimo lugar e ser o menor de todos está bom para ele.

Nunca espere louvor ou reconhecimento, uma posição de destaque, contente-se com a graça de Deus e com o privilégio de realizar o seu serviço; aguarde para contemplar a glória de Deus, vislumbre como Cristo, quando Ele ainda haveria de passar por grande humilhação, dores e uma morte cruenta, contemplava a sua glória na ascensão e “manifestou, no seu semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém.” (Lucas 9.51).

Como canta o Salmo 115:1 “Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.” Quem vem a Cristo vem com este sentimento e disposição, venha a cristo, não para receber algo de Deus, mas, para se entregar a Deus. (Transcrição do primeiro tópico do sermão pregado na Igreja Presbiteriana de Dracena no dia 26/04/2015; a primeira parte foi a introdução publicada no domingo 03/01/2015 no semanário n° 196).

quarta-feira, 1 de abril de 2015

BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA

Por Anatote Lopes

Um grande boicote nacional foi deflagrado contra a novela Babilônia. Quem dera não fosse preciso de um boicote desta natureza. O bom senso conclui que as novelas não acrescentam nada. Ainda que não reivindique a classificação de programa educativo, torna-se pior do que entretenimento inútil e passa a promover o descaminho para toda sorte de vícios, imoralidade e violência. Deixa de ser apenas uma dramatização da realidade e se torna uma propaganda para moldar a realidade propondo modelos de vida desregrada, devassa e agressiva com a presunção construtivista de um ideal de vida responsável, livre e feliz.

Mas, o que é Babilônia? Em Apocalipse 17.5 ela nos é apresentada como: “BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA”. No livro de Gênesis ela aparece como uma cidade fundada na antiguidade pelo poderoso Ninrode para desafiar os propósitos de Deus. O seu nome é uma referencia à rebeldia e arrogância humana de negar e edificar à parte de Deus. A Babilônia também aparece figuradamente como uma mulher representando um sistema de idolatria, de poder e de uma adoração desviada do Senhor Deus que domina os habitantes da terra sem Deus. Ela é interpretada não apenas como uma cidade, mas como sendo povos, multidões, nações e línguas (v. 15), isto é, os habitantes do mundo inteiro que se opõem a Deus. Alguns estudiosos a identificam com a Roma pagã e sua idolatria e adoração ao imperador, profeticamente representando o novo paganismo do tempo do anticristo, caracterizado pela imoralidade sexual e pelo culto idolatra.

Não basta boicotar uma novela para sair da Babilônia. O seu significado é uma oposição e contraste ao significado da cidade de Deus, a nova Jerusalém, a cidade que Cristo edificou para ser a habitação eterna dos seus discípulos. Precisamos entender que, livra-se da Babilônia, de seu domínio e escravidão, somente através de Jesus Cristo, a nossa esperança e salvação, o qual liberta o seu povo para habitar na nova Jerusalém; a cidade que contrasta com a Babilônia. A nova Jerusalém é descrita como a noiva do Cordeiro, enquanto a Babilônia é representada como a grande meretriz; a noiva fala de pureza; a meretriz fala de infidelidade e imoralidade. A noiva se guarda para o noivo, enquanto a meretriz quebra a sua aliança com o noivo e se prostitui com os reis da terra. A Babilônia é a mãe de todas as prostitutas (v. 2 e 5).

Aguardamos a nova Jerusalém, a cidade de Deus, a qual foi construída por nosso Senhor Jesus Cristo. Devemos pensar no que seja a Babilônia para nós hoje. A meretriz também é comparada a cidade atual sem Deus (Ap 16.19). Jamais devemos entender a Babilônia apenas como uma cidade na história bíblica ou na antiguidade histórica. Não basta abominar a Babilônia e fazer dela a sua habitação acomodando-se à escravidão de seu sistema idolátrico e pecaminoso. É necessário sair dela por estar destinada a destruição com todo o seu povo. O Rei da nova Jerusalém, a cidade santa, capital do reino de Deus, nos chama: “Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos.” (Ap 18.4).

O destino final do povo de Deus está no novo céu e na nova terra, um lugar absolutamente remido, revelado como a nova Jerusalém, os seus habitantes se arrependeram de seus pecados, clamam a Deus pelo perdão e recebem a adoção de filhos por meio de Jesus Cristo para que, tenham a sua herança com Deus na cidade santa. Apenas àqueles que “aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial” (Hebreus 11.16a) habitarão a nova Jerusalém. Os habitantes desta cidade santa não se conformaram com a vida de pecado numa terra amaldiçoada, vislumbraram uma pátria melhor do que tinham. Boicote a novela e a Babilônia dentro do seu coração para não sofrer a sua queda e ruína. O fim está próximo. “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (JESUS).

quinta-feira, 26 de março de 2015

VERDADES E MITOS SOBRE A PÁSCOA


Por Augustos Nicodemos Lopes

Nesta época do ano celebra-se a Páscoa em toda a cristandade, ocasião que só perde em popularidade para o Natal. Apesar disto, há muitas concepções errôneas e equivocadas sobre a data.

A Páscoa é uma festa judaica. Seu nome, “páscoa”, vem da palavra hebraica pessach que significa “passar por cima”, uma referência ao episódio da Décima Praga narrado no Antigo Testamento quando o anjo da morte “passou por cima” das casas dos judeus no Egito e não entrou em nenhuma delas para matar os primogênitos. A razão foi que os israelitas haviam sacrificado um cordeiro, por ordem de Moisés, e espargido o sangue dele nos umbrais e soleiras das portas. Ao ver o sangue, o anjo da morte “passou” aquela casa. Naquela mesma noite os judeus saíram livres do Egito, após mais de 400 anos de escravidão. Moisés então instituiu a festa da “páscoa” como memorial do evento. Nesta festa, que tornou-se a mais importante festa anual dos judeus, sacrificava-se um cordeiro que era comido com ervas amargas e pães sem fermento.

Jesus Cristo foi traído, preso e morto durante a celebração de uma delas em Jerusalém. Sua ressurreição ocorreu no domingo de manhã cedo, após o sábado pascoal. Como sua morte quase que certamente aconteceu na sexta-feira (há quem defenda a quarta-feira), a “sexta da paixão” entrou no calendário litúrgico cristão durante a idade média como dia santo.

Na quinta-feira à noite, antes de ser traído, enquanto Jesus, como todos os demais judeus, comia o cordeiro pascoal com seus discípulos em Jerusalém, determinou que os discípulos passassem a comer, não mais a páscoa, mas a comer pão e tomar vinho em memória dele. Estes elementos simbolizavam seu corpo e seu sangue que seriam dados pelos pecados de muitos – uma referência antecipada à sua morte na cruz.

Portanto, cristãos não celebram a páscoa, que é uma festa judaica. Para nós, era simbólica do sacrifício de Jesus, o cordeiro de Deus, cujo sangue impede que o anjo da morte nos destrua eternamente. Os cristãos comem pão e bebem vinho em memória de Cristo, e isto não somente nesta época do ano, mas durante o ano todo.

A Páscoa, também, não é dia santo para nós. Para os cristãos há apenas um dia que poderia ser chamado de santo – o domingo, pois foi num domingo que Jesus ressuscitou de entre os mortos. O foco dos eventos acontecidos com Jesus durante a semana da Páscoa em Jerusalém é sua ressurreição no domingo de manhã. Se ele não tivesse ressuscitado sua morte teria sido em vão. Seu resgate de entre os mortos comprova que Ele era o Filho de Deus e que sua morte tem poder para perdoar os pecados dos que nele creem.

Por fim, coelhos, ovos e outros apetrechos populares foram acrescentados ao evento da Páscoa pela crendice e superstição populares. Nada têm a ver com o significado da Páscoa judaica e nem da ceia do Senhor celebrada pelos cristãos.

Em termos práticos, os cristãos podem tomar as seguintes atitudes para com as celebrações da Páscoa tão populares em nosso país: (1) rejeitá-las completamente, por causa dos erros, equívocos, superstições e mercantilismo que contaminaram a ocasião; (2) aceitá-las normalmente como parte da cultura brasileira; (3) usar a ocasião para redimir o verdadeiro sentido da Páscoa.

Eu opto por esta última.

quinta-feira, 19 de março de 2015

UNIDADE NA VERDADE E COMEMORAÇÃO DA DIVISÃO


Por Anatote Lopes​

Jesus Cristo fez uma oração, a qual está registrada no Evangelho de João, chamada de Oração Sacerdotal, na qual Ele ora pela unidade da Igreja; preocupa-nos muito, porque ela está visivelmente dividida. Também nos perguntamos: Deus atendeu a oração de Jesus? Já que a igreja, a qual se vê está tão dividida o quanto poderia estar. Isso nos preocupa, e se não estivermos obedecendo a Jesus? Ou, se estivermos abandonados pela graça de Deus?

Talvez você esperasse um texto ecumênico até aqui, e daqui para frente eu começo a decepcionar o meu leitor. A separação não é destrutiva, mas construtiva, está redefinindo o que é ser Igreja e identificando quem é parte da verdadeira Igreja que, está militando para unir e edificar a Igreja na Verdade. Por isso a igreja visivelmente está sendo dividida e dispersa para evidenciar quem é a verdadeira Igreja.

Correu a notícia nas redes sociais a respeito da posição da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América (PCUSA), muitas pessoas comentaram e muitos amigos me questionaram sobre a notícia da ordenação de pastores homossexuais na PCUSA. Neste momento a divisão é celebrada, apesar da situação atual da igreja mãe da nossa denominação ser lamentável. A Igreja Presbiteriana do Brasil persevera como uma igreja conservadora, enquanto a denominação americana que, não nos representa e nem temos comunhão com ela apostatou.

Como igreja mãe, com a qual rompemos hoje a PCUSA está para nós como Roma (ICAR) está para todos os protestantes. Nós lamentamos e protestamos contra as doutrinas e práticas de todas as igrejas e seitas apóstatas em todas as épocas e nações, a favor da autoridade bíblica e do princípio SOLA SCRIPTURA, o qual tem sido abandonado por muitas igrejas, trazendo essas consequências.

Uma leitura atenciosa do Evangelho de João esclarece que a unidade não se vive a qualquer preço; não podemos sacrificar a Verdade para celebrar uma unidade mentirosa. Pois a unidade da Igreja segundo João 16.13 fica estabelecida sobre a Verdade. Na oração sacerdotal de Jesus pela unidade cristã nosso Senhor ora ao Pai dizendo: “santifica-os na Verdade, a tua Palavra é a Verdade” (João 17.17).

O mundo prega não haver verdade, e a autoridade das Escrituras é relativizada; não podemos nos unir cada um na sua própria verdade porque as Escrituras nos apontam qual é a Verdade que nos une. O que o mundo prega exige sacrificar ou calar a Verdade em seu nome; isto é, em nome da unidade, outras vezes da tolerância e até do amor. A Igreja de Cristo, sob Seu nome, não está edificada sobre uma mentira, pois Ele mesmo é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14.6).

sexta-feira, 13 de março de 2015

A ÉTICA PROTESTANTE E A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA


Por Anatote 

Encontramos na Teologia Reformada e na vida dos reformadores, e, posteriormente, dos calvinistas, as doutrinas da vida cristã e a ética social protestante; um testemunho a favor do engajamento em reformas estruturais da religião, da sociedade e do Estado. O protestantismo não falou em ética somente para fazer apologética diante da nova ética proposta pela Teologia da Libertação – TL. O protestantismo nunca excluiu a participação dos cristãos na política, antes, tem como missão no Mandato Cultural. A espiritualidade protestante é vivida em todas as áreas da ciência, da economia e da política, orientada por uma ética do trabalho responsável e disciplinada, como serviço prestado a Deus.

A Igreja está inevitavelmente envolvida nos movimentos econômicos e políticos da história. Nem sempre de forma negativa como afirmam os seus opositores. Os protestantes contribuíram na história como força permanente de transformação política e social, no advento da democracia moderna, na garantia das liberdades individuais e dos direitos humanos, com um papel fundamental na primeira abolição da escravatura, e por incrível que possa parecer aos defensores modernos do Estado Laico, na luta contra a ameaça teocrática, pela independência da Igreja do Estado. A teocracia calvinista é um mito. Infelizmente, podemos constatar a expansão missionária do protestantismo junto com a penetração colonial dos países europeus e dos Estados Unidos na America Latina e na África, os quais se enriqueceram à custa da exploração dos países pobres, observa Rubem Alves, um dos expoentes da TL, banido da Igreja Presbiteriana do Brasil por heresia, em seguida, este erudito pastor foi relegado e discriminado por ser protestante pela mesma TL sob a acusação de Frei Beto de ter escrito a sua teologia nos Estados Unidos.

Rubem Alves analisou a ética social protestante e escreveu sobre a circunstância em que veio a ser articulada. Afirmou que a consciência dos problemas sociais econômicos e políticos a partir de 1950 levou o protestantismo a dar os primeiros passos na formulação de um projeto para o Brasil, a despeito da resistência da ética social reduzida à máxima: “Converta-se o individuo e a sociedade se transformará” que, confrontava a nova ética articulada a partir de 1950, a qual defende que não basta o trabalho responsável e disciplinado, propõe mudar as estruturas econômicas e políticas.

Na composição da nova ética está uma teologia (Teologia da Crise) forjada em meio às grandes crises europeias “– a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Comunista, a Segunda Guerra Mundial –,” Rubem Alves escreve:

“situações em que a Igreja se viu envolvida, contra a sua vontade, nas correntes da história. A passiva atitude dos protestantes na Alemanha, silenciosos, na melhor das hipóteses ativamente apoiando o nascimento e o desenvolvimento do nazismo, levantou sérias questões acerca das responsabilidades políticas dos cristãos. Pode a Igreja silenciar quando seis milhões de judeus estão sendo exterminados, alegando que a sua competência se restringe ao reino espiritual, sendo-lhe vedado envolver-se na política? Não. O Deus de Jesus Cristo implica uma radical negação de todos e quaisquer poderes totalitários, e, portanto, a relação do cristão com a ordem política não pode ser de ajustamento, mas antes de tensão crítica.”


Rubem Alves afirma que entra na composição da ética social protestante a Teologia Bíblica, apontando para os profetas que, confrontaram sacerdotes e reis, concluiu-se que, “a fé em Jesus Cristo tem de se expressar em termos de responsabilidade social”. Também citou o movimento ecumênico como importante elemento na construção desta ética, o qual, segundo ele, “iniciou com a preocupação pelas divisões da Igreja, através de todo mundo”, pois busca a reconciliação entre os povos. Ainda que alguém pense nas alternativas de participação e não participação política, neste ponto, concordamos, existem, inevitavelmente, apenas duas alternativas: “a participação responsável e consciente e a não participação irresponsável e não confessada.”

A crítica feita à ética social protestante pela nova ética afirma que a prioridade da Igreja não seja a salvação do corpo, mas uma antropologia teológica dualista que, separe o homem de seu corpo, não é protestante, mas gnóstica. Cremos na ressurreição do corpo. Mesmo antes da Teologia da Crise e do Movimento Ecumênico já existia uma ética protestante com a pressuposição de que a Igreja deveria ser um dos instrumentos para a promoção de justiça e bem-estar. O entendimento de Rubem Alves de que para o protestantismo a única tarefa que a Igreja se pôde propor foi de salvar almas e que entende as estruturas como produto da providencia e que não assumimos o papel de transforma-las, foi sem dúvida provocada não por uma ética social, mas por uma apologética frente a TL. Ao desqualificar a pretensão da nova ética social a Igreja sofreu e ainda sofre as consequências da não participação irresponsável e não confessada.

quinta-feira, 12 de março de 2015

OS DIREITOS DOS ESQUERDISTAS














Por Anatote Lopes

Os esquerdistas têm todos os direitos a mais que os outros, e a garantia a estes e a todos os demais direitos omitidos nesta lista:

a) O direito de negligenciar a todos os deveres e negar os direitos de quem quer que seja;

b) O direito de mentir quando lhe for conveniente;

c) O direito de cometer crimes e ficar impune;

d) O direito de defender terroristas em geral, inclusive radicais islâmicos e bandidos ligados às organizações criminosas que estupram e executam principalmente crianças e cristãos, identificando as reações contra assassinos, traficantes, estupradores e terroristas como conservadoras, sionistas e violação dos direitos humanos;

e) O direito de praticar explicitamente todo tipo de imoralidade, calar toda forma de censura e fazer todos os seus discordantes parecerem pessoas más e homofóbicas;

f) O direito de usar todos os meios ilícitos de forma justificável quando os fins sejam justificados pela alegação da causa maior da justiça social e do amor;

g) O direito de tornar todo o mau em bem: crime em heroísmo, imoralidade em amor, ilegalidade em moralidade, mentira em verdade e de fazer o que quiser em nome dos fins alegados de justiça social e de amor;

h) O direito de classificar as vozes dissidentes de elites do sudeste, do sul, colonialista, branca, racista, fascista, etc., mesmo quando o seu interlocutor for negro ou nordestino;

i) O direito de não ficar um só dia sem lembrar a escravidão dos negros do Brasil e de reivindicar todos os dias as reparações das injustiças histórias contra uma raça, e de sufocar as vozes que, denunciarem a escravidão indígena e de outros grupos étnicos no passado e no presente na China, na Coreia do Norte e em outros lugares, principalmente em países comunistas;

j) O direito de tirar os direitos dos outros quando não forem dos nossos, classificando os "sem direitos" como elites, burguesia e classe média raivosa;

k) O direito de ter mais direitos do que os outros;

l) O direito ao mimimi nas redes sociais: “Coxinha!” “Reaça!” “Racista!” “Fascista!” “Homofóbico!” “Fundamentalista!” “Opressor!” “Repressor!” “Golpista!” “Impitiman é meu zovo!”.

Parágrafo Único: O direito do esquerdista está acima da lei.

terça-feira, 10 de março de 2015

COMO ENCARAR O PAPEL DAS FORÇAS MILITARES NAS MANIFESTAÇÕES DO DIA 13 E 15 DE MARÇO


Não defendo intervenção militar constitucional porque acredito numa saída democrática para a crise atual. Apoio as manifestações porque elas são democráticas. A expectativa daqueles que pedem intervenção militar é que os militares batam em quem eles quiserem e não em quem o governo petista mandar.

Qual é a diferença da ditadura militar do passado para a “democracia” petista do presente? Sem entrar na questão da guerra por questões ideológicas e de disputas pelo poder entre os militares capitalistas e os guerrilheiros comunistas, quanto às manifestações NÃO TEM NENHUMA DIFERENÇA; exceto que, aqueles que apanharam dos militares no passado porque se manifestaram podem dar ordens aos militares hoje para baterem nos manifestantes.

A situação hoje tem o agravante das milícias de esquerda insufladas pelo discurso de racismo, ódio e inveja contra uma suposta elite branca, o que historicamente, se constitui em ingrediente explosivo para uma guerra civil.

Diante disso os movimentos contra a corrupção que protestam contra o governo buscaram garantias de segurança para os manifestantes junto às policias militares, mas, nós sabemos muito bem que, em caso de distúrbio civil os procedimentos militares para dispersar a multidão são padronizados, insensíveis e truculentos.

Deixo uma dica básica para a sua segurança: Quando a tropa de choque, estiver em formação e derem gritos de guerra para o Controle de Distúrbio Civil, não entrem em confronto com os militares, nem tentem dialogar, mas, entendam que é hora de dispersar a multidão; deixem as bombas de gás lacrimogêneo, os spray's de pimenta, as balas de borracha e os cassetetes elétricos para os milicianos do MST e do Black Bloc’s.

O QUE É ISSO COMPANHEIRO?


O QUE É ISSO COMPANHEIRO?
DILMA DISSE QUE NÃO VAI ADMITIR VIOLÊNCIA, SERÁ QUE ELA ESTAVA FALANDO DISSO?



Anatote Lopes







quarta-feira, 4 de março de 2015

UM ‘PERFUME’ PELO DIA INTERNACIONAL DA MULHER


À Juliane Lopes e a todas as mulheres que compartilham conosco da graça da Vida,
“Gaio – Proponho-me agora falar em nome das mulheres, para lhes tirar dos ombros a vergonha. Pois assim como a morte e a maldição entrou no mundo por causa da mulher, também dela vieram a vida e a saúde. Deus enviou seu Filho, nascido de mulher (Gl 4:4).
– Para mostrar o quanto as que vieram depois abominavam o ato da sua mãe – continuou –, no Antigo Testamento, as mulheres desejaram filhos na esperança de que uma delas fosse, quem sabe, a mãe do Salvador do mundo. E digo mais. Quando veio o Salvador, foram as mulheres que se alegraram nele, antes mesmo dos homens e dos anjos.
– Nunca li que homem algum tenha dado a Cristo sequer um centavo – acrescentou ele –, mas as mulheres o seguiam e o serviam, dando-lhe o que tinham. Foi uma mulher que lhe lavou os pés com lágrimas, e também uma mulher que lhe ungiu seu corpo para o sepultamento.
– Eram mulheres que choravam quando ele se encaminhava à cruz – disse –, e foram mulheres que o seguiram depois de descido da cruz e fizeram vigília diante do sepulcro onde ele foi enterrado. Quem primeiro encontrou a Cristo depois da ressurreição também foram as mulheres, e elas levaram aos discípulos a notícia de que ele havia ressurgido dos mortos. As mulheres, portanto, contam com muitas dádivas de Deus, e mostram com isso que compartilham conosco da graça da Vida.”
“Pois que todas as doutrinas desta vida gerem em você maior desejo de sentar-se à mesa da ceia do Senhor”
Dedico-lhe por ocasião do Dia Internacional da mulher este ‘extrato’ de: “A Peregrina”, de autoria de John Bunyan.

Anatote Lopes